A Guerra no Ar, uma pintura de 1919, de autoria do pintor britânico G. H. Davis, retratando um grupo de caças alemães atacando uma esquadrilha britânica que voa em formação cerrada.
A Guerra no Ar, uma pintura de 1919, de autoria do pintor britânico G. H. Davis, retratando um grupo de caças alemães atacando uma esquadrilha britânica que voa em formação cerrada.

A eclosão da Primeira Guerra Mundial, somente umas pouquíssimas pessoas pensavam no aeroplano como possível instrumento bélico.

A maioria limitava-lhe o uso a tarefas de reconhecimento, servindo como os “olhos além das linhas inimigas”. De resto, o aeroplano militar de 1914, sem posse de armas, com velocidade de 80 a 120km/h, teto de 3.000 m e reduzido raio de ação, não encorajava propósitos mais ambiciosos. Também por este motivo os belingerantes começaram as operações com um numero muito reduzido de aeroplanos.

No curso de poucos meses, os fatos fizeram modificar a opinião das pessoas, inclusive dos mais céticos. Aqueles aeroplanos de madeira e tela, sem instrumentos e pilotados por homens corajosos (nem paraquedas tinham!) começaram a chamar a atenção por meio de uma série de ações sensacionais. A aviação deixava a sua adolescência e se impunha como uma arma no campo de batalha, e mais, como um fator importante para a Vitória.

Em cinco anos, nos países que estavam em guerra, foram construídos cerca de 177.000 aeroplanos! É uma cifra impressionante, tendo em vista que de 1906 (com o voo de Santos-Dumont) até agosto de 1914, a produção mundial de aeroplanos mal chegou a casa dos 10.000.

Em 1918 já existiam aviões de caça em condições de atingir 200 km/h, armados com duas metralhadoras, capazes de atingirem 6.000 metros de altitude, bombardeiros que levavam ate 1,5 tonelada de bombas, atingindo 140 km/h, 4.500 metros de altura e raio de ação de 500 km! Características muito diferentes dos aviões de 1914…

Durante a guerra, nasceu o primeiro aeroplano do mundo, totalmente metálico, projetado por Hugo Junkers, e foram criados motores cada vez mais poderosos e mais leves. O desenvolvimento técnico que se conseguiu, entre 1914 e 1918, foi inacreditável.

Concluindo, a Primeira Guerra Mundial, com todos os seus lutos e horrores, foi, não obstante, um fator decisivo a favor da afirmação definitiva do “mais pesado do que o ar”.

Acompanhe aqui no CAVOK o desenvolvimento dessas máquinas. Se o avião hoje é o que é, e é a nossa paixão, isto deve-se em parte aos projetistas, aos técnicos e, sobretudo, aos pilotos, que fizeram do aeroplano de madeira e tela uma coisa viva e palpitante.

São muitos os aviões da Primeira grande guerra e suas curiosidades, por isso, abordaremos só os mais importantes.

 

FRANÇA

O exercito francês constituiu as suas primeiras unidades aéreas em 1910; no inicio da Primeira Guerra Mundial, já contava com 24 esquadrilhas, com 160 aparelhos, de 14 tipos diversos, além de 15 dirigíveis. O aparecimento de um aeroplano alemão nos céus de Paris e o desenvolvimento das operações militares convenceram o Ministério da Guerra a reforçar as exíguas forças aéreas.

MORANE-SAULNIER N (1914). Primeiro caça francês, capaz de atingir 165km/h e subir a 3.000 metros de altura em 12 minutos; era, todavia, difícil de ser manobrado.Cerca de 200 aparelhos foram construídos na França, na Inglaterra e na Rússia czarista. Foi o preferido dos ases Navarre (Frances) e Kazakov (russo). Foi o primeiro avião a ser equipado com metralhadora fixa, sincronizada com o giro da hélice, em março de 1915, graças a uma invenção de Roland Garros.
MORANE-SAULNIER N (1914). Primeiro caça francês, capaz de atingir 165km/h e subir a 3.000 metros de altura em 12 minutos; era, todavia, difícil de ser manobrado.Cerca de 200 aparelhos foram construídos na França, na Inglaterra e na Rússia czarista. Foi o preferido dos ases Navarre (Frances) e Kazakov (russo). Foi o primeiro avião a ser equipado com metralhadora fixa, sincronizada com o giro da hélice, em março de 1915, graças a uma invenção de Roland Garros.

 

NIEUPORT 11 BéBé (1915). Este avião, desenvolvido a partir do avião de corrida de Gustave Delage para a Taça Gordon Bennett de 1914, foi o primeiro caça aliado capaz de enfrentar os Fokker E. Foi o avião dos ases Ball, Bishop, De Rose, Navarre, Nungesser e Baraca.
NIEUPORT 11 BéBé (1915). Este avião, desenvolvido a partir do avião de corrida de Gustave Delage para a Taça Gordon Bennett de 1914, foi o primeiro caça aliado capaz de enfrentar os Fokker E. Foi o avião dos ases Ball, Bishop, De Rose, Navarre, Nungesser e Baraca.
SPAD VII (1916). Foi o melhor caça francês da Primeira Guerra Mundial. Entrou em linha em 1916 com as Esquadrilhas das Cegonhas; o seu modelo VII foi sucessivamente adotado por todas as esquadrilhas de caça francesas e norte-americanas. Foi o avião preferido dos ases Fonck, Guynemer, Baracca e Rickenbacker.
SPAD VII (1916). Foi o melhor caça francês da Primeira Guerra Mundial. Entrou em linha em 1916 com as Esquadrilhas das Cegonhas; o seu modelo VII foi sucessivamente adotado por todas as esquadrilhas de caça francesas e norte-americanas. Foi o avião preferido dos ases Fonck, Guynemer, Baracca e Rickenbacker.

GRÃ-BRETANHA

Em agosto de 1914, o Royal Flying Corps tinha pouco mais de 60 aeroplanos; e o Royal Naval Air Service, da Marinha, possuía apenas uma centena, além de 7 dirigiveis; desta força, extremamente reduzida, 73 aparelhos, divididos em 4 esquadrões, foram enviados para a frente francesa.

SOPWITH F.1 CAMEL (1917). Derivado do Pup e do Triplane, foi um dos melhores aviões de caça da Primeira Guerra Mundial, foi também quem registrou maior numero de vitórias (1.294).
SOPWITH F.1 CAMEL (1917). Derivado do Pup e do Triplane, foi um dos melhores aviões de caça da Primeira Guerra Mundial, foi também quem registrou maior numero de vitórias (1.294).
S.E.5a (1917). Foi o melhor caça inglês depois do Camel, demonstrou ser superior ao Nieuport e Spad. Sua produção em série começou em janeiro de 1917 e terminou com o total de 5.205 exemplares.
S.E.5a (1917). Foi o melhor caça inglês depois do Camel, demonstrou ser superior ao Nieuport e Spad. Sua produção em série começou em janeiro de 1917 e terminou com o total de 5.205 exemplares.

RÚSSIA

A Rússia czarista entrou na Primeira Guerra Mundial com uma força aérea extremamente reduzida (cerca de 150 aparelhos) e de aparelhos oriundos da França. Porém, os russos podiam se orgulhar de terem produzido o primeiro bombardeiro quadrimotor do mundo, o Ilya Mourometz, projetado por Igor Sikosrsky. Oitenta aparelhos formaram o primeiro esquadrão de bombardeio pesado do mundo, com incríveis 400 missões e apenas dois aparelhos abatidos.

ILYA MOUROMETZ V (1915). Foi o primeiro quadrimotor do mundo, denominado Le Grand; o avião realizou a sua primeira ação de guerra no dia 15 de fevereiro de 1915, bombardeando um local na Prússia Oriental. Foram construídos 80 aparelhos e efetuaram mais de 400 missões, perdendo-se apenas dois aparelhos. Eram armados com metralhadoras e 500 kg de bombas.
ILYA MOUROMETZ V (1915). Foi o primeiro quadrimotor do mundo, denominado Le Grand; o avião realizou a sua primeira ação de guerra no dia 15 de fevereiro de 1915, bombardeando um local na Prússia Oriental. Foram construídos 80 aparelhos e efetuaram mais de 400 missões, perdendo-se apenas dois aparelhos. Eram armados com metralhadoras e 500 kg de bombas.

ITÁLIA

A nação que foi a primeira a utilizar o avião em combate, em 1911. Quando, 1915, ela entrou na guerra, contava com apenas 89 aparelhos.

ANSALDO S.V.A5 (1917). Foi o melhor avião de reconhecimento e bombardeio leve da guerra. Foram produzidos 1.248 exemplares. Em fevereiro de 1919 um SVA5 foi de Roma a Tóquio (18.105 km) em 109 horas de voo.
ANSALDO S.V.A5 (1917). Foi o melhor avião de reconhecimento e bombardeio leve da guerra. Foram produzidos 1.248 exemplares. Em fevereiro de 1919 um SVA5 foi de Roma a Tóquio (18.105 km) em 109 horas de voo.

ESTADOS UNIDOS

Em abril de 1917, quando entraram na guerra, os EUA possuíam 109 aviões, 1 dirigivel, 83 pilotos e nenhuma industria aeronáutica.

CURTISS JN-3 JERRY (1915). Construído em série de mais de 6.500 aparelhos e universalmente utilizado pelas escolas de pilotagem aérea, também na Europa. Foi usado em ações de guerra para fins de reconhecimento.
CURTISS JN-3 JERRY (1915). Construído em série de mais de 6.500 aparelhos e universalmente utilizado pelas escolas de pilotagem aérea, também na Europa. Foi usado em ações de guerra para fins de reconhecimento.

ALEMANHA

Quando eclodiu a guerra, a Alemanha dispunha da mais poderosa aviação militar da época e das nações beligerantes; cerca de 300 aviões e 6 dirigiveis. Os alemães produziram 4.000 aviões em 1915, 8.000 em 1916, 19.700 em 1917 e perfazendo um total, até o final da guerra, de 48.000 aeronaves produzidas! A invenção do dispositivo de sincronização da metralhadora com o girar da hélice (por Fokker) contribuiu, junto com a perícia dos pilotos, para dar aos alemães o domínio dos céus até a metade de 1916.

ALBATROS D (1916-18). Desenvolvido a partir de um modelo de corrida, o D I era destinado a fazer frente aos D.H.2, B.E.2 e aos Nieuport. Depois do D I veio o D II com uma nova disposição de asas e melhor visibilidade ao piloto. O D III, que adotou algumas soluções do Nieuport, apareceu em 1917 e foi o melhor dos Albatros. Até o aparecimento do Sopwith e do Camel, ele dominou os céus. O Barão Vermelho (Von Richtofen) conseguiu muitas vitorias com este caça. O modelo D V era inferior ao D III.
ALBATROS D (1916-18). Desenvolvido a partir de um modelo de corrida, o D I era destinado a fazer frente aos D.H.2, B.E.2 e aos Nieuport. Depois do D I veio o D II com uma nova disposição de asas e melhor visibilidade ao piloto. O D III, que adotou algumas soluções do Nieuport, apareceu em 1917 e foi o melhor dos Albatros. Até o aparecimento do Sopwith e do Camel, ele dominou os céus. O Barão Vermelho (Von Richtofen) conseguiu muitas vitorias com este caça. O modelo D V era inferior ao D III.
FOKKER Dr. I (1917). Unico avião de caça triplano (Dr. significa dreidecker, ou seja, triplano em alemão). Sua maior fraqueza era a sua estrutura alar, que limitou a sua produção a apenas 300 aparelhos. A fama do Dr. I advém de seu lendário comandante, o Barão Vermelho.
FOKKER Dr. I (1917). Unico avião de caça triplano (Dr. significa dreidecker, ou seja, triplano em alemão). Sua maior fraqueza era a sua estrutura alar, que limitou a sua produção a apenas 300 aparelhos. A fama do Dr. I advém de seu lendário comandante, o Barão Vermelho.
FOKKER D VII (1918). O melhor avião de caça da Alemanha. Venceu o concurso do Ministério da Guerra em janeiro de 1918 e entrou em combate em abril. A época do armistício, 48 esquadrilhas operavam o caça. A primeira unidade a entrar em combate foi sob o comando do Barão Vermelho. Com a morte de Richtofen, assume no seu lugar, H. Goering.
FOKKER D VII (1918). O melhor avião de caça da Alemanha. Venceu o concurso do Ministério da Guerra em janeiro de 1918 e entrou em combate em abril. A época do armistício, 48 esquadrilhas operavam o caça. A primeira unidade a entrar em combate foi sob o comando do Barão Vermelho. Com a morte de Richtofen, assume no seu lugar, H. Goering.

 

FONTE de pesquisas: Os Aviões – Enzo Angelucci

IMAGENS: Coleção particular do Editor e internet.

 

 

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12 COMENTÁRIOS

  1. Muito legal parabéns.
    O avanço da tecnologia durante as duas grandes guerras foram realmente incríveis.

  2. Excelente, Tchê!
    São artigos assim que fazem do Cavok um espaço único, onde além de atualidades, são abordados temas importantes e de cunho histórico.

  3. a necessidade urgente em superar tecnologicamente o adversario é o maior combustivel pro desenvolvimento tecnologico, infelizmente

  4. Excelente artigo!

    Parabéns ao Cavok!

    Curiosa a foto do Ilya Mourometz, com os dois caras em cima da fuselagem (!!!). Não se poderia ver isso hoje em uma aeronave militar na mesma situação…

    Era realmente uma época incrível para a aviação, onde a máquina era a extensão do piloto… Já hoje…

  5. O Ilya bateu um recorde. Realizou um voo com 16 pessoas. Imaginem o que poderia ter acontecido se o czar não houvesse caído! Havia o projeto de um bombardeiro muito maior e todo metálico! Quem sabe hoje a aviação não estivesse mais avançada?

  6. Só uma observação.
    Considero a fonte da pesquisa, Os Aviões Enzo Angelucci uma das mais incríveis obras sobre aviação lançadas até hoje. Ganhei de presente este livro quando ainda criança. Pra quem gosta da história da aviação, é quase que obrigatório. Uma pena não ter saído atualizações.

    Ótimo post.

  7. Verdadeiras obras primas. Os projetistas, além de engenheiros, eram artistas.

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