Depois de voar 900 quilômetros, um MiG-23B Flogger B, sem piloto, caiu na Bélgica.

Quando o Coronel Skurigin decolou da base aérea soviética de Kolobzreg, na Polônia, às margens do mar Báltico, não podia imaginar que estaria fazendo história. O MiG-23 decolou para mais um voo de treino. Acontece que após a decolagem, Skurigin percebeu que a potência do motor começou a cair. A pós-combustão desligou e o avião começou a perder altitude. Ele estava a cerca de 150 m de altitude e tudo indicava que ele iria cair. Sem desligar o motor, Skurigin comandou a ejeção, abandonando o caça a própria sorte. O Coronel pousou em segurança.

No entanto, o MiG-23 estabilizou com a proa apontada para o Oeste. O piloto automático manteve a última direção do avião. O Flogger B não estava armado com mísseis, mas o canhão de 23 mm estava municiado.

O agora “MiG-23 fantasma” deixou o espaço aéreo da antiga Alemanha Oriental e violou o espaço aéreo da Alemanha Ocidental. Apanhado pelos radares da OTAN, o alarme foi dado e dois F-15C da USAF em alerta QRA (Quick Reaction Alert – alerta de reação rápida) decolaram para interceptar o intruso proveniente do Leste.

Os dois Eagles eram pilotados pelos Capitães J.D. “JD” Martin e Bill “Turf” Murphywere. Eles decolaram da base aérea de Soesterberg, na Holanda.

Quando os dois F-15 chegaram mais perto do intruso, descobriram que se tratava de um MiG-23 sem piloto. A identificação visual mostrou que o avião soviético não portava mísseis. Isso representava outro desafio para os pilotos e o controle terrestre, já que a aeronave agora não era uma ameaça imediata. O comando da OTAN deu ordens para os pilotos derrubarem o MiG sobre o Mar do Norte. Os F-15 então passaram a escoltaram o Flogger até atingir a marca de 11.900 m de altitude, então a aeronave começou a descer, em direção ao sul, possivelmente devido ao baixo combustível.

Enquanto o avião descia, o controle de solo calculou que ele cairia em algum lugar perto de Lille, na fronteira da Bélgica com a França. A Força Aérea francesa entrou em alerta e armou dois Mirage 2000 para interceptar e derrubar o MiG se ele entrasse no espaço aéreo francês. Cálculos mais exatos mostraram que ele cairia em um campo vazio dentro da Bélgica. A ordem para derrubar foi cancelada.

O avião voou sobre algumas das áreas mais densamente povoadas da Europa Ocidental e desceu a poucos quilômetros de áreas urbanas ao longo da fronteira.

Infelizmente o MiG-23 caiu numa fazenda a 80 km de Bruxelas, matando um belga de 18 anos. O MiG foi totalmente destruído pelas chamas, sobrando uma parte da cauda e da deriva contendo a estrela vermelha.


IMAGEM de capa: fotomontagem reproduzindo o evento – Créditos: Giordani

 

 

11 COMENTÁRIOS

  1. Me lembro do acontecido , isto demostrou como funcionava ou ainda funciona a burocracia da OTAN , tiveram uma eternidade para abater aquele caça mas preferiram contar com a sorte e curtir o tesão do momento , o mig sobrevoou mais de 200 km sobre florestas desabitadas ,resumo da opera: Um pobre coitado foi vitima da incopetencia dos imbecis que acompanhavam aquela situaçao , o belga de 18 anos tinha sonhos, mas foi vitima de uma lambança monumental ,somente superada pela falha da PM paulista que deixou uma pobre coitada 7 dias na mao de um maluco e no final ,depois de dias de angustia , deixaram que ela fosse morta covardemente ! Que Deus nao se esqueça dele !

  2. Caramba imagina a surpresa dos pilotos dos F 15 quando chegaram prontos pra dar bronca no piloto russo e não viram ninguém, kkkkk, piloto fantasma, pena a vida do rapaz que só tinha 18 anos que foi ceifada mas daria um belo livro ou um bom filme com alguma dramatização que sempre é feita pelo cinema.
    Meus parabéns Giordani pela ótima história estas é daquelas que se contam nas rodas de amigos como um mentira bem arquitetada, contos da guerra fria.

  3. Existiu um motivo para não abaterem o MiG-23, e inclusive a Bélgica protestou oficialmente contra URSS na demora por informações referentes ao MiG-23 em si. Temia-se que ele pudesse estar carregando armamento ou componentes químicos ou nucleares, o que ocasionou a decisão de esperar que ele sobrevoasse o Mar do Norte para então ser derrubado. A URSS pediu desculpas e pagou indenizações.