Lt. Col. Dan Nash (NASTY) a esquerda e Col. Tim Duffy (DUFF). Foto Jesse Costa/WBUR

Naquela manhã, dois pilotos de caça estavam em alerta na Base da Guarda Nacional de Otis, em Cape Cod., quando chegou a notícia de um possível sequestro, o tenente-coronel Dan Nash e o coronel Tim Duffy decolaram quebrando a barreira do som em direção a Manhattan. No mesmo minuto em que saíram, o primeiro avião atingiu as torres.

No 18º aniversário do ataque ao World Trade Center, republicamos uma matéria do site wbur que foi ao ar em 29 de dezembro de 2011. Uma história de homens cujas vidas foram tocadas naquele dia e mudaram o curso da história mundial.

Por volta das 8h30, mais ou menos, o telefone da sala de alerta tocou. O sargento Mark Rose estava atrás da mesa, atendeu o telefone e disse: “Coronel, esta ligação é pra você”.

DUFFY: Perguntei: “Quem é?” Porque eu não achava que alguém soubesse que eu estava em alerta, exceto minha esposa, então imaginei que ela precisasse de algo. E ele disse: Aqui é a Otis Tower! – e algo sobre um sequestro.

Naquele momento, eu tinha um rádio no bolso, peguei o mesmo e disse: “Alpha Kilo 1 e 2, vistam-se”. Foi então que Nasty e eu começarmos a correr.

NASTY: Então, quando estávamos passando pela porta depois de nos vestir, a sirene tocou. Fomos imediatamente  para nossas aeronaves, entramos nos jatos e aguardamos.

“Eu disse: ‘Diga-me que isso é uma nuvem!’ Ele respondeu: ‘Não, isso é fumaça’. Lt. Col. Dan Nash”

DUFF: Na verdade, Nasty seria o número 1, eu seria o número 2, para a missão. Eu ia ser o ala e, quando estávamos nos arrumando, acabei perguntando a Nasty: “Você já “fez um sequestro” antes?” Ele disse que não, e eu disse “que já havia feito”. Anos antes, interceptei um jato sequestrado da Lufthansa. Então, naquele momento, Nasty me passou a liderança. Ele disse: “OK, você assume a liderança, eu serei o número 2.”

NASTY: Duff taxiou como o número 1. Enquanto estávamos taxiando, recebemos autorização para voo direto a cidade de Nova York.

DUFF: Nós estamos indo para NYC. Estamos acelerando para (Mach) 1.3, 1.4, estávamos fazendo uma milha a cada três, quatro segundos! Nasty chegou a me chamar em determinado momento e perguntou: “Duff, você está supersônico?” E eu disse: “Sim, estou.” Nós não deveríamos fazer isso, mas desta vez eu achei que estávamos altos o suficiente, não íamos quebrar nenhuma janela ou causar danos em terra, então mantivemos a aceleração tentando chegar lá o mais rápido possível.

NASTY: Lembro-me logo após a decolagem, era possível ver muita fumaça porque era muito clara (a fumaça das torres queimando).

DUFF: Acho que até disse para Nasty,: “Diga-me que isso é uma nuvem!’ Ele respondeu: “Não, isso é fumaça”..

O caça F-15A Eagle ‘Spirit of Cape Cod’ (77-0102), da Guarda Aérea Nacional de Massachusetts). (Foto: U.S. Air National Guard)

NASTY: E estávamos a cerca de 110 quilômetros quando disseram que uma segunda aeronave atingiu o World Trade Center.

DUFF: Sim, não sabíamos que o primeiro avião havia atingido. Ficamos chocados quando disseram que uma segunda aeronave havia atingido o World Trade Center.

NASTY: Então, minha pergunta foi: “O que aconteceu com o American (Airlines Airlines) 11?” Fiquei pensando nisso. Não tínhamos CNN no cockpit, então qualquer pessoa que assistisse ao noticiário tinha uma ideia melhor do que estava acontecendo do que nós.

DUFF: Foi assim praticamente o dia inteiro. As pessoas no solo sabiam muito mais do que nós. Nosso mundo inteiro era basicamente a cidade de Nova York e estávamos “com as mãos cheias”, estávamos muito ocupados.

O controle aéreo entrou na fonia e nos informaram uma nova missão, para prosseguir diretamente para Manhattan e montar uma patrulha aérea de combate. Nasty e eu, adotamos posição de combate sobre a cidade. Estávamos apenas tentando garantir que podíamos identificar e escoltar para pouso ou simplesmente fazer o que fosse necessário para impedir que isso aconteça novamente (World Trade Center).

NASTY: Tínhamos muitas coisas para fazer e estamos ocupados com isso e realmente não precisávamos saber exatamente o que estava acontecendo no Pentágono ou o que quer que seja. Só precisávamos nos preocupar com outra ameaça, se houvesse.

DUFF: Nunca houve ordem ou algo assim. Eles (controle) apenas disseram: “Você pode ter que abater uma aeronave civil sequestrada, entendeu?” Antes mesmo de conseguir responder, perguntaram (controle): “Você tem algum problema com isso?”

Eu estava pensando: “Bem, se eu tiver um problema com isso, provavelmente sou a pessoa errada para estar sentado nesse lugar, sabe? Muito dinheiro dos contribuintes seria desperdiçado – 20 anos de treinamento e eu não posso fazer o que é preciso quando chegar a hora”. Então eu pensei que a pergunta havia sido muito pouco profissional da parte deles.

DUFF: Quando a primeira torre caiu, eu estava escoltando um jato da Delta para o JFK (aeroporto). Eu vi um movimento pelo canto do olho, me virei e olhei e a parte baixa de Manhattan: Era como se uma grande nuvem dourada estivesse sobre ela, você sabe, estava completamente tomada. Mas eu pude ver uma parte de uma das torres, acionei o rádio e disse: “Ei, acho que uma das torres caiu”. Eles responderam de volta: “Sim, confirmamos, a torre sul acabou de entrar em colapso”.

Eu disse que estava bem e meio que voltei ao trabalho. Eu acho que é isso que Nasty e eu estávamos tentando fazer o dia todo. Você tem que continuar focado, não pode se emocionar. Era como se você apertasse um botão e você meio que entra nesse modo de combate, onde você pensa: “OK, as pessoas estão morrendo agora”. É tudo foco, sem emoção, da melhor maneira possível.

O voo 175 da United Airlines choca-se com a Torre Sul do World Trade Center entre os andares 77 e 85. O impacto é transmitido ao vivo pela TV.

NASTY: Na queda da segunda torre, nós dois estávamos em formação relativamente próxima um do outro e, eu acho, logo acima quando a segunda torre desabou.

DUFF: Então nós voamos por cima e estávamos olhando para ela (torre). Eu estava olhando e lembro-me de pensar: Vou fazer uma chamada de rádio dizendo -“Ei, não me parece nada bom porque ela está inclinada, torcida ou algo assim”. E, olhando a torre, o telhado, tudo começou a ficar menor. De repente, vi a fumaça saindo do fundo, ela estava caindo em frente aos meus olhos.

“Não importava se tivéssemos chegado lá 15 ou 20 minutos antes, não faria diferença… Não teríamos sido autorizados a atirar. Só percebemos que estávamos sob ataque após o segundo avião acertar a torre”. Col. Tim Duffy

Você fica pensando – 10, 15 segundos, ou o que quer que seja – para ficar horrorizado e, em seguida, só tira isso da cabeça. Não que você não lide com isso em algum momento, mas agora não é o momento.

NASTY: Posso dizer que minha maior emoção foi raiva e frustração, que não estávamos em uma posição melhor para evitá-la.

Se você pensar bem, ninguém nos daria ordem para abater o “American 11”, mesmo se tivéssemos decolado no momento certo.

DUFF: “Não importava se tivéssemos chegado lá 15 ou 20 minutos antes, não faria diferença… Não teríamos sido autorizados a atirar. Só percebemos que estávamos sob ataque após o segundo avião acertar a torre”.

Então eu acho que a frustração vem dessa maneira, que era um tipo de situação sem chance de vitória. E, sabe, aqui estamos com aviões muito capazes, somos treinados e não há nada que possamos fazer sobre isso. Eu acho que esse tipo de frustração foi muito difícil de lidar. Você está passando por isso, porque não há nada que você possa fazer.

Não é uma história feliz. Mas é uma história importante e você deseja que as pessoas entendam o que fizemos e por que o fizemos. Porque sempre que começamos a contar, recebo perguntas o tempo todo, as pessoas têm todo tipo de perguntas sobre o que fizemos e por que fizemos. E quando você começa a explicar a eles quaisquer limitações que tínhamos – se estava voando, ou o conhecimento da situação, ou o que quer que seja, ou até mesmo a legalidade -, então eles dizem: “OK, isso faz sentido”. Sem isso, as pessoas não entendem.

NASTY: não quero que haja informações erradas por aí e quero que o público saiba que estamos fazendo tudo o que podemos e que estamos mais preparados agora. E estamos aqui para protegê-los.

O caça F-15A Eagle (77-0102) ‘Spirit of Cape Cod’, foi retirado da ativa da U.S. Air Force (Força Aérea dos EUA) em 2006, está preservado no Pacific Coast Air Museum no Aeroporto Charles M. Schulz-Sonoma,  na California, reportou o jornal Press Democrat.

O Eagle foi um dos dois que foram acionados da Base da Guarda Aérea Nacional de Otis, em Cape Cod, no dia 11 de setembro de 2001, após os terroristas terem sequestrado as aeronaves comerciais sobre Nova York. As duas aeronaves estavam atribuídas ao 101° Esquadrão de Caça, da 102ª Ala de Caça da Guarda Aérea Nacional de Massachusetts.


 

FONTE: wbur, edição CAVOK.

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10 COMENTÁRIOS

  1. Vou morrer tendo a certeza que o United Airlines 93 NÃO caiu porque os passageiros reagiram, foi derrubado por um caça, nada, absolutamente nada leva a crer que a tripulação tentou dominar os terroristas e isso levou a queda…

  2. Mas algo que não dá pra engolir é a história de que um 757 atingiu o Pentágono e simplesmente foi desintegrado.
    Isto é impossível. Nem as partes de titânio acharam. Partes da fuselagem, motores, trem de pouso, poltronas, corpos, nada, nem pó. Impossível. E o tamanho do buraco resultante do impacto é muito pequeno. https://youtu.be/_wjOdhT3Yjg

    • O 757 do Pentágono foi muito difícil de engolir, tanto pelo dano quanto pelo angulo em que o avião atingiu o prédio…Se dissessem que foi um míssil ou um um ataque de morteiros talvez ficasse mais crível. Esse segredo e os arquivos da comissão Warren, talvez nunca veremos a luz da verdade.

      • Porém de assumissem que foi um míssil de cruzeiro, como aparenta ser nas imagens, e segundo relatos de moradores da região que disseram ter visto um tal artefato, e não um jato, pequeno ou grande, passando sobre suas casas a baixa altitude no momento do ataque, ficariam três questões: o que ocorreu com o 757 e seus passageiros, que desapareceram sem deixar vestígios, como terroristas poderiam ter conseguido um míssil de cruzeiro e um vetor capaz de lançá-lo, e dentro do território dos EUA, se nem em áreas que dominaram ao longo dos tempos no OM jamais conseguiram isto, e qual o objetivo de esconder a verdade?

        • Tudo é possivel no mundo das conspirações….. O 757 pode ter sido dirigido para área remota e abatido e seus destroços recuperados e desaparecidos…. O míssil pode ter sido disparado pelo próprio usarmy. Imagine no pentágono o tanto de esqueletos(arquivos) dentro dos armários que os oficiais ficam loucos para destruir, oportunidade apareceu? vamos aproveitar. Ajunta tudo em uma ala especifica e explode tudo.(se não fosse um tema tão espinhoso ja teríamos um livro do Frederick Forsyth). rsrsrsrsrsr Tudo no mundo da fantasia claro….