
A nova aeronave de transporte KC-390 que a Embraer Defesa e Segurança está desenvolvendo tem o apoio da Força Aérea Brasileira, que já encomendou um primeiro lote. (Foto: Embraer)
A Embraer é uma marca sinônimo de aviação comercial e executiva, mas poderá também tornar-se uma das maiores empresas do mundo em defesa? A empresa aeroespacial brasileira está se reposicionando para atingir esse objetivo, e o catalisador para a mudança é uma série de contratos de bilhões de dólares em defesa que estão chegando ao Brasil.
Existe o Sisfron, um sistema integrado de monitoramento de fronteira avaliado em US$ 6 bilhões que o Exército Brasileiro planeja colocar em operação para proteger as fronteiras terrestres do país. O Brasil tem fronteiras com 10 países diferentes, totalizando quase 17.000 km (10.560 milhas). Há também o SisGAAz, também conhecido como “Amazônia Azul”, um projeto de US$ 2 bilhões liderado pela Marinha para proteger a zona econômica exclusiva do Brasil. O Brasil deriva muito de sua riqueza econômica de suas plataformas de petróleo e de gás na costa marítima. O governo também quer proteger a sua pesca e garantir que ele tenha a capacidade de monitoramento para evitar quaisquer incursões. Outro importante programa envolve um satélite geoestacionário que terá uma carga útil para comunicação militar.
Além disso, existem contratos de defesa e de segurança decorrentes da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, que serão realizados no Brasil em 2014 e 2016, respectivamente.
Os contratos exigem que as empresas tenham experiência em radares baseados no solo, sensores, vigilância aérea, comunicação via satélite, observação da Terra, e comunicações de rádio.
A Embraer criou sua separada unidade de negócios de defesa e segurança, a marca Embraer Defesa e Seguranca. Luiz Carlos Aguiar, que anteriormente era diretor financeiro da Embraer, é agora CEO da Embraer Defesa e Segurança.
“Estamos tentando emular no Brasil o que as empresas de defesa europeias e norte americanos fizeram no passado”, diz Aguiar, referindo-se a empresas como a Boeing, que tem as atividades empresariais de defesa e de aviação comercial que são gerenciadas separadamente, cada um com seu próprio CEO .
Mesmo com o que a Embraer já consiga com suas aeronaves de ataque leve Super Tucano e aviões de alerta aéreo antecipado (AEW) EMB-145, o setor de aviação comercial e executivo ainda é responsável por 80% da receita do grupo Embraer. No entanto, uma parcela da receita de 20% no primeiro semestre deste ano é uma conquista para a Embraer Defesa e Segurança, porque o trabalho no ano passado de defesa da Embraer foi de apenas 15%. Aguiar prevê que a Embraer Defesa e Segurança possa representar 25% em 2020. No ano passado, a unidade teve uma receita de 859 milhões dólares, este ano, a previsão é de ultrapassar “um pouco mais de $ 1 bilhão”, diz ele. Em 2006, os negócios da Embraer em defesa resultaram numa receita de apenas US$ 400 milhões, acrescenta.
A Embraer Defesa e Segurança é a 74ª maior empresa de defesa do mundo, diz Aguiar, e a consolidando no setor de defesa na Europa e América do Norte significa que a Embraer Defesa e Segurança vai subir no ranking. Aguiar prevê que em 2020 a receita da Embraer Defesa e Segurança vai ter mais do que dobro em comparação com 2012.
A Embraer Defesa e Segurança impulsionou suas receitas, em parte através de aquisições. Recentemente, adquiriu a Orbisat, fabricante de equipamentos de radares baseados em terra, e a Atech, especialista em C4I (comando, controle, comunicações, computadores e inteligência). A Embraer Defesa e Segurança também estabeleceu a Visiona, uma joint venture com a empresa de telecomunicações estatal brasileira Telebrás. A Visiona vai liderar o impulso em satélites e tecnologia espacial. E a Embraer Defesa e Segurança formou uma joint venture com a Elbit Systems de Israel para desenvolver UAVs, especificamente os de controle de fronteira.
Um motivo chave por trás das aquisições, diz Aguiar, é de reunir os conhecimentos e capacidades que a Embraer Defesa e Segurança precisa para competir em novos contratos. Ele diz que a Embraer está interessada em comprar mais empresas de defesa, particularmente aquelas com experiência em monitoramento e vigilância. A preferência, no entanto, é para empresas locais ao invés de aquisições estrangeiras.
A Orbisat e a Atech estão baseadas no Brasil. Uma estratégia para cortejar os líderes do governo brasileiro envolve destacar que a Embraer Defesa e Segurança está oferecendo um produto desenvolvido localmente e assegurando que o Brasil tenha a tecnologia e a capacidade para se auto proteger, sem depender de empresas estrangeiras. Os executivos da Embraer Defesa e Segurança também dizem que como a tecnologia evoluiu no país, a Embraer Defesa e Segurança possui a propriedade intelectual e, como consequência, é livre para comercializar os sistemas em outros países.
A estratégia é apropriada porque os contratos multibilionários de defesa do Brasil chamaram a atenção de outras empresas brasileiras, que estão impulsionando sua própria experiência e capacidade em parceria com fabricantes de defesa estrangeiras.
A Andrade Gutierrez, um diversificado conglomerado brasileiro, que começou na área de construção, e é hoje uma das maiores empresas do país, estabeleceu a Andrade Gutierrez Defesa e Segurança, uma joint venture com a Thales. A entidade francesa possui 40%, enquanto que a parte brasileira possui 60%. Orlando Neto, que anteriormente dirigiu o negócio de defesa da Embraer, é líder da Andrade Gutierrez Defesa e Seguranca.
No passado, podia se dizer que o governo brasileiro automaticamente celebraria contratos com a Embraer, mas isso já não é o caso, já que a Embraer já não uma empresa estatal. O governo possui apenas 0,3% da empresa, embora tenha direito de veto sobre as atividades através de ações “ouro”.
Um ponto chave no desenvolvimento do negócio de defesa é que a Embraer pode se beneficiar da generosidade do governo e evitar as crises na aviação comercial e executiva. Isso também significa que alguns dos custos da Embraer de Pesquisa e Desenvolvimento são cobertos pelo governo.
Fonte: Leithen Francis / Aviationweek – Tradução: Cavok








































Veja, no papel tudo parece perfeito, agora a prática e que resultados virão só o tempo dirá , em tese capacidade a Embraer possui.
Se a Embraer tem a intenção real de adquirir outras empresas, que corra rápido , antes que outras empresas estrangeiras acabem de adquirir o que sobrou, eu disse sobrou .
Quanto ao governo dar uma ajuda nas pesquisas, não é favor algum, afinal até os bancos deste país recebem uma ajudinha, vide lucros.
Abs.
O que não podemos, ou melhor, o (des)Governo não deveria permitir é desnacionalização e perda de expertise de empresas que tinham potencial para continuar crescendo com know-how próprio nacional, e agora se tornaram filiais de multinacionais israelenses, franceses, americanas, etc.
A Embraer é uma empresa estratégica e tem de ser protegida, apesar do Mauricio R não concordar.
Os EUA , a França, Reino Unido, Russia, fazem isso. Índia e China estão se esforçando para atingir esse status. E nós vendendo empresas nacionais de conteúdo tecnológico-militar a preço de banana.
[]'s
Saldão total! A Odebrecht, não citada na reportagem, devia sair comprando logo tudo — inclusive a Embraer, antes de a Boeing se adiantar… Falando nisso, eu não vejo a divisão que monta e integra os sistemas nos eficientes Super Tucano como uma "Embraer Defesa e Segurança" (EDS). É pouco. Talvez seja apenas um guichê de vendas. Não tem UMA iniciativa de ponta conhecida para o vasto mercado internacional (o daqui está morto). Nunca teve nem um rabisco, em guardanapo de papel que fosse, de uma aeronave de caça (ou Lift) para exibir à imprensa e dizer que daria conta — se um governo qualquer, dessa galáxia, soltasse uma boa grana. Está parada no tempo, vivendo do passado macarrônico das licenças MB-326/AMX… Vez ou outra aparece um engenheiro com alguma criatividade e "inventa" um EMB-145RS/AGS do nada (o AEW&C já tinha paralelos com um Erieye em cima). A Embraer devia erguer estátuas em homenagem aos militares da FAB (eram tenentes) Wagner Farias da Rocha e Rinaldo Nery da Hora, que tiveram a ideia e são os criadores incontestes do conceito do ALX = Super Tucano. Essa EDS só serve para definir, internamente, quem está produzindo e lucrando o que. E dito pela própria empresa, representar os limitados 20%. Nada mais.
E esse harpia? Não há mais noticias sobre ele…
Não concordo com ajuda federal para empresas particulares, ajuda fiscal e etc até vai, mas pagar para ter projetos eu sou contra, os EUA por exemplo o lucro da empresa que gastou bi no desenvolvimento, será pago nas aquisições feitas pelo governo.
Aqui acontece o contrário o governo dá a grana para desenvolverem pois irão comprar tão pouco que não pagaria os custos da empresa caso essa arcasse com os custos sozinha, mas a exceções no caso do KC390 a embraer pagaria o custo do desenvolvimento só na venda confirmada do KC390, mas ela não gastou muito não e se é que gastou….
Quanto ao governo ajudar financeiramente as pequenas/médias empresas nacionais do ramo de defesa a fim de não serem vendidas eu também sou contra, o governo tem que ajudar comprando e não mantendo, muitas dessas empresas são mal geridas tem produtos vagabundos e o governo fica dando mesada, parece piada isso, é um clico vicioso e sem resultado algum.
Caro Galileu…
Mas aí é que está…
Se não houver investimento público, corre-se o risto de não haver projeto. Projetos militares são um caso a parte, pois são extremamente caros. Logo, o investimento pode ser tão grande que uma empresa dificilmente conseguiria bancar tudo sem prejudicar alguns de seus setores ou até mesmo comprometer-se por inteiro. Um ponto, abordado por você, é a escala de produção, que muitas vezes pode não compensar o investimento. E se o país necessita obrigatoriamente do equipamento, então não há escolha que não seja apelar para o investimento público para bancar o custo do projeto e das unidades. E quase sempre, os custos de um equipamento extrapolam os custos originais, seja por uma estimatica errada ou por atrasos ( o passar do tempo torna os componentes mais caros, seja por conta da inflação, algum soluço financeiro mundial, ou até encarecimento da matéria prima ). Se uma empresa for arcar com tudo isso sozinha, pode simplesmente não compensar desenvolver. Logo, não ha escolha que não seja um investimento público para cobrir os vácuos…
RR,
é por isso que sou contra a END, justamente por ela ir contra óbvio, o brasil não tem condições de manter boas e duradouras compras e quer que num passe de mágica as empresas nacionais tenham de tudo do bom e melhor, é uma piada isso…
Veja alguns exemplos, a frança não quer perder seu conhecimento na aviação de caça e por isso paga altos subsídios a dassault, pois "3" rafales por semestre não paga as contas.
Você prefere o GF dando nosso dinheiro pra "cumpanherada" nacionalizar 15% do produto ou você prefere compra de prateleira com comprometimento de investimento do vendedor??
O brasil é o tipo de país que não dá conta de ter uma estatal nem pra fornecer o básico: munição e fuzil, quem dirá caças e helis….
As empresas de Defesa nos EUA se desenvolveram muito e ganharam escala durante a Segunda Guerra Mundial, quando a população americana comprava bônus de guerra para financiar os esforços de guerra e as campanhas nos teatros europeu e do pacífico. Com a guerra fria, esse investimento passou a vir do Congresso americano e suas liberações bilionárias, devido à ameaça comunista.
Depois que ganharam musculatura, é lógico que as empresas passaram a caminhar com pernas próprias, embora os EUA tenha um nível de aquisição que compense e muito os investimentos.
Nossas empresas de Defesa são recentes, vêm de uma origem diferente das empresas americanas, nunca receberam um grande volume de compras, e precisam desse tipo de suporte governamental (investimento em projeto).
Por outro lado, não se pode vender as empresas a preço de banana para estrangeiros, para depois assinar contratos bilionários. É de uma estupidez (ou má intenção) gritante.
Empresas como a Boeing, Sukhoi, em seus países não abrem mão de serem os fornecedores das forças armadas, aqui no Brasil temos a aberração que é a Embraer, que fez questão de entregar o KC-390, para empresas americanas, amanhã se tivermos qualquer problema com os EUA ou qualquer país que faça parte da OTAN, esses KC-390 vão ficar sem produção. Que inveja dos USA, da Russia, e agora da China e Índia que não abrem mão de ter os seus equipamentos de defesa serem todo fabricado em seu território.
[...] Fonte: Leithen Francis / Aviationweek – Tradução: Cavok [...]
Se a Embraer investir em defesa esperando que o Brasil compre muito deles, não sei não. Quero acreditar que vão levar defesa mais a sério neste país, mas não temos muitos exemplos bons no momento.