Na coluna passada, mostrei um pouco do Esquadrão Gordo, a unidade da Força Aérea que realiza os voos antárticos, prometendo voltar ao assunto contando um pouco mais sobre o treinamento pelo qual os tripulantes passam até estarem aptos para a missão. Pois bem, vou adiar a promessa para daqui a quinze dias. É que resolvi mudar um pouco o tema apenas para a coluna de hoje, ok? Mas podem ficar tranquilos, pois até o final desse artigo, o que mais vocês verão será aviação militar, FAB e bastidores de operações reais.
Se você não esteve em Marte nos últimos dias, deve ter visto algo a respeito do que se passou em Santa Maria-RS. Pois bem, as circunstâncias me fizeram lembrar de diversas outras situações, muitas delas vividas como testemunha ocular, quando algo extraordinário – eufemismo para catástrofes, geralmente provocadas por fenômenos naturais – deflagrou uma reação imediata da Força Aérea Brasileira.
Para começar, aqui vai uma pergunta retórica: vocês sabiam que a FAB mantém equipamento e pessoal em alerta 24 horas em TODOS os seus esquadrões?
São os alertas alpha – durante o horário normal de expediente – e bravo – fora dele. A regra é válida tanto para a aviação de caça, cuja a responsabilidade em caso de acionamento é, obviamente, a defesa do espaço aéreo, como para os esquadrões de asas rotativas e transporte, mais direcionados para as missões de busca e resgate (SAR, na sigla em inglês), e humanitárias.
Voltando a 2009, quando estava trabalhando no projeto editorial do Esquadrão Gordo, meu primeiro dia de atividades foi acompanhar os preparativos da operação de buscas do voo AF447 da Air France, que acabara de desaparecer. Poucas horas após o avião ter sido considerado sumido, ainda na madrugada, um C-130 já se dirigia a Natal-RN, para iniciar aquela que ficou conhecida como a maior operação do gênero no Atlântico Sul. O clima dentro do esquadrão era tenso, e, a medida que as informações eram atualizadas, mais aviões iam sendo preparados para seguir para o Nordeste, onde estava sendo montado o centro da operação.
Mas, acima de todo o lado operacional, o que mais me chamou a atenção foi a ausência total da imprensa, que aquela altura, já estava disputando espaço logo ali ao lado, no Aeroporto Internacional do Galeão, tentando descobrir algo através da empresa aérea. Muito justo e lógico, mas incompleto. Ninguém parecia fazer a menor ideia de que ali perto, estavam profissionais que, provavelmente, – e, de fato, foi o que acabou ocorrendo na madrugada seguinte – seriam os primeiros a encontrar eventuais sobreviventes e/ou restos do avião acidentado. Para visualizar o quadro inteiro, faltava o lado operacional da busca, do momento presente, da solução ao problema imediato – o destino do Airbus –, e a longo prazo – o que ocorreu com ele.
Em 2010, durante as primeiras horas da operação em apoio as vítimas do terremoto no Haiti, mais uma vez pude acompanhar tudo de perto – missões com até 40 horas ininterruptas, logística de guerra, etc –, mas, dessa vez, o deserto da Base do Galeão que ocorrera meses antes por parte da imprensa durante a cobertura do acidente com o A330 da Air France havia dado lugar a um exército de jornalistas buscando registrar tudo que se passava. Como se diz: evoluir com os erros.
– Vai para o Haiti ou Chile hoje? – perguntei de brincadeira a um piloto do Gordo, recebendo como resposta – hoje vou para o Chile; do Haiti voltei ontem. E era verdade. Caso não se lembrem, pouco depois do terremoto em Porto Príncipe, ocorreu outro no litoral chileno. E lá foi a FAB engajar-se em mais uma operação de ajuda humanitária.
Como vocês devem ter percebido, ao longo desse anos meu trabalho me permitiu ver situações em que era preciso pronta resposta por parte da FAB, e, em todas, ela foi dada. Presenciei desde a decolagem de caças para interceptação de aeronaves não identificadas, até a mobilização maciça de recursos com o objetivo de salvar vidas, como a pouco em Santa Maria, quando um C-105 Amazonas chegou a transferir de uma só vez sete pacientes em UTI. Ou nas inúmeras ocorrências de busca e resgate envolvendo pequenas aeronaves e embarcações. Elas acontecem com maior frequência do que se imagina ou noticia.
Enfim, o que me impulsionou para escrever essa coluna e dar uma breve pausa no Asas Antárticas não foi a falta de assunto, mas justamente o contrário: seu desconhecimento por boa parte das pessoas.
Na verdade, a operacionalidade da FAB não se esgota aqui. Se vocês quiserem conhecer mais sobre isso, os meios são abundantes. E já que toquei no assunto, dia 15 o Asas Antárticas volta mais operacional que nunca com o treinamento dos tripulantes do 1°/1° GT para as missões no gelo. Até lá.
Conheça os bastidores do Asas Antárticas através de sua fanpage.
Oswaldo Claro Jr. é carioca nascido em Botafogo, mas torcedor do Flamengo, fotógrafo especializado em aviação militar, já tendo publicado trabalhos em livros como os dois esquadrões de Hercules da FAB – 1°/1° GT e 1° GTT – , unidades de helicópteros, caças, além de acompanhar profissionalmente desde 2007 a Esquadrilha da Fumaça, uma de suas grandes paixões. Sua fotografia, fortemente influenciada pelo linguagem cinematográfica, busca privilegiar o movimento, convidando o público a mergulhar na ação. Para conhecer mais sobre seu trabalho, visite sua página no Facebook.







































aah legal…
( so to postando o comentario pq ninguem fez isso, e é altamente constrangedor : nossa FAB está tão desmoralizada que nenhum forista se da ao trabalho de comentar sobre ela…)
Muito bom, FAB !! ah eeeeee !!!! clap clap clap !!
Eu vi uma reportagem sobre a Ajuda da Força Aera em Santa Maria, um medico dizia pasmo pelo tamanho da aeronave C-105 Amazonas, que era de grande ajuda pelo motivo que até 7 pacientes em estado grave poderiam ser transferidos de uma só vez para Porto Alegre, os Black Hawk também fizeram bonito, ambos em uma ajuda indispensável, muita agilidade…Fico muito orgulhoso em ver nossa Fab dando o melhor que tem para salvar vidas!
Parabéns Oswaldo Claro Jr, ótima coluna.