Logo depois que o Almirantado brasileiro conseguiu derrubar a “lei da asa fixa”, que não permitia à Marinha operar aeronaves de asa fixa, o comando da MB foi atrás de uma aeronave.

De início se pensou no Super Etendard, mas o valor que os franceses pediram foi considerado alto demais. Com o apoio dos EUA, em 1997 a MB comprou – por US$ 70 milhões – do Kuwait 23 jatos McDonnell Douglas A-4KU Skyhawk (sendo que três eram TA-4KU, mas nem todos foram colocados em uso, alguns foram destinados a servir de fonte de peças). Essas células foram fabricadas em 1977, o que os tornava aeronaves “novas” e possuíam ainda muitas horas de voo. Uma análise in loco atestou que as células estavam em ótimas condições. Algumas dessas aeronaves haviam entrado em combate na Guerra do Golfo.

A configuração do A-4KU foi baseada no A-4M Skyhawk II que estava sendo entregue ao Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. O equipamento necessário para o uso de armas nucleares, bem como certos aviônicos foram excluídos. As provisões para o lançamento dos mísseis Shrike e Walleye também foram eliminadas.

No Brasil, o A-4KU recebeu a designação AF-1 “Falcão” para o modelo monoplace e AF-1A para o biplace. Os aviões chegaram ao país em 1998.

Os primeiros pilotos designados para o momento histórico – a retomada da aviação de asa fixa pela Marinha – foram enviados para os EUA, onde foram treinados e qualificados por aviadores da Marinha dos EUA.

O dia 18 de janeiro de 2001 é um marco na história da Marinha, pois foi o dia que a aviação de asa fixa renasceu na Marinha do Brasil, quando o primeiro AF-1 pousou no convoo do porta-aviões A-11 Minas Gerais. Neste mesmo dia aconteceu o primeiro lançamento por catapulta de um A-4 pela Marinha e pessoal brasileiro.

No final de 2001, o Alto Comando da Marinha adquiriu da França o porta-aviões Foch, com a finalidade de substituir o A-11. Designado A-12 São Paulo, o novo navio e porta-aviões da MB foi declarado operacional em 2003.

Durante este ínterim de 2003 a 2009, a MB e os Falcões parecem ter operado em equilíbrio. Cada vez mais os marinheiros e técnicos brasileiros necessitavam menos auxílio externo nas operações com o jato. Infelizmente o A-12 revelou-se uma tremenda e cara dor de cabeça, prejudicando a operacionalidade da pequena frota de Skyhawks. Em 2004 aconteceu uma tragédia. Uma explosão numa das catapultas resultou na morte de um tripulante. O navio passou mais tempo docado do que em operações.

Ao mesmo tempo que o A-12 cada vez mais dava trabalho, os aviões começaram a sentir o peso da idade. Embora as células fossem novas, na moderna guerra aérea a sua aviônica deixava a desejar. A verdade nua e crua é que os jatos só tinham capacidade para lançar bombas burras e lutar na arena ar-ar dentro do alcance visual com mísseis AIM-9 Sidewinders. Nass interceptações, dependiam totalmente da vetoração do radar do navio.

Em 2009/2010 a MB começou a tratar da modernização de 12 células. Um contrato de modernização foi assinado com a Embraer. A modernização seria do tipo que foi feito no F-5M. Esperava-se que o programa fosse concluído em 2015.

Infelizmente tudo o que se conseguiu com o A-12+AF-1 parece ter sido em vão. O porta-aviões foi desativado e a tão sonhada modernização anda a passos de tartaruga. Apenas um punhado de Skyhawks, algo em torno de seis, serão elevados ao padrão AF-1M.

A história do pequeno jato projetado pela Douglas parece estar se encerrando. No mundo atual, dos milhares de jatos produzidos, existem apenas 3 operadores: a Força Aérea argentina, que se acredita possua algo entre 4 a 6 aeronaves em condições de voo; A Marinha do Brasil, que vai ter seis células, mas que na atualidade opera com duas aeronaves. Por fim, o maior operador de Skyhawk é uma empresa privada, a Draken International, que fornece oposição aérea realística para os militares dos EUA. A Marinha do Brasil possui o único esquadrão naval de A-4 no mundo. Mas não fique desanimado. Quando o programa AF-1M for concluído, a MB irá operar os seis mais modernos A-4 Skyhawks do Mundo! E por quê não, da história?


– Giordani –

17 COMENTÁRIOS

  1. Com os parcos recursos da Marinha hoje, a necessidade de escoltas e corvetas entre outras coisas, o mais correto a se fazer seria abandonar esse projeto de modernização, que não é ruim, porém infelizmente a atenção que recebe é insuficiente, assim como os AMX-M da FAB. Todas as aeronaves e peças poderiam ser doadas ou vendidas para a Força Aérea Argentina ou até mesmo a Draken. A Embraer poderia até se oferecer para moderniza-los mediante pagamento externo e não do BNDES. A MB poderia então adquirir um lote de 6 a 12 unidades do A-29 por exemplo, e manter seus pilotos proficientes na arte do voar pelo menos, ou inserir os aviadores nas Alas da FAB mesmo. Quem sabe no futuro, poderia vir a adquirir os Gripen, na versão E/F e opera-los a partir da Terra mesmo. Um NA não será a realidade de nossa Marinha tão cedo.

    • A MB, por lei, não pode operar aeronaves de asa fixa a partir de base fixa.

      • Obrigado Giordani, não me recordava disso. Mas é uma coisa inútil e sem sentido também.

      • Isso é um decreto que pode ser cancelado por qualquer presidente, o prosseguimento da modernização sem NAe mostra que estão liberados a voar asas fixas.

      • Mas juridicamente isso acontece a um bom tempo, qual seria a alegação?

  2. Sobre o A4, gosto muito dessa aeronave, gosto da versatilidade é um projeto sem pontas soltas, uma jóia da Douglas.

  3. A4 curta historia e longo custo…ja q ddcidiram pelo geipen,facam o sea gripen e porta avioes

  4. O Brasil como de costume é uma piada pronta, e a cereja do bolo na tragédia da aviação embarcada de asas fixas foi a aquisição do ex-HMS Ocean.

  5. Perguntar não ofende, portanto cadê o "Brasil-PuTênfia" e as suas duas frotas "pá protegê u pressáu duzamericanú malvadú, duzilgleis colonialista e duzsiúnista ladrãum di Terra"

    • Me lembro de ler sobre o END da MB na trilogia, muitas risadas na época, galera se ilude fácil.

  6. Concordo , vendam estas celulas que ainda valem algum $$ e usem esse $$ em coisas mais urgentes

  7. Infelizmente, algumas dessas células irão para monumentos e para o Musal, e a maioria ficarão ao relento até virarem pó, como acontece com os Mirage. No Brasil existe muita burocracia dentro das FAs para vender o material excedente, para mim, um desperdício do dinheiro publico.

  8. A-4 tem que ser abandonado que o HMS Ocean não aceita aviões pouso normal. Tem que pensar em equipar os Atlantico com heiicopteros de ataque.

  9. Pessoal porquê o espanto e a tristeza… Afinal aqui é Brasil, Brasil…… Futebol, samba, carnaval, capoeira, mulatas, pais do jeitinho, da hora certa ( com meia hora de atraso), esqueceram… Se tudo der certo compramos os helicópteros para o Oceam em 2028 e completamos o sub nuclear em 2050. Agora temos de ficar espertos com a Colômbia, pois eles estão subindo de patamar bem rápido.

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