A reputação da Cessna na indústria não é voltada para aeronaves militares. O fabricante de longa data é muito mais famoso por suas pequenas aeronaves civis e de transporte. No entanto, nos céus do sudeste da Ásia, uma das criações da Cessna provou que a empresa poderia fabricar uma máquina de combate capaz de voar com os melhores.

O Cessna A-37 Dragonfly é um avião de ataque leve de dois lugares usado inicialmente na Guerra do Vietnã.

Na primeira metade da década de 1950, a companhia Cessna foi para a produção militar, projetando um treinador a jato para a USAF, o T-37. Desta máquina (1.268 modelos em três versões básicas foram construídos entre 1955 e 1977), surgiu um avião de ataque eficiente em 1963, o A-37, que também foi exportado com sucesso.

O protótipo voou pela primeira vez no dia 22 de outubro de 1963 e os primeiros 39 A-37A foram produzidos por conversão direta de outros T-37B. A versão definitiva foi a A-37B, que apareceu pela primeira vez em setembro de 1967, dos quais 577 foram construídos, com a maioria deles indo para a USAF.

Uma das poucas aeronaves projetadas desde o início para suporte tático, o A-37 chegou ao Vietnã no final da década de 1960 e foi usado principalmente para apoiar operações de helicópteros. Capaz de transportar uma vasta gama de armas provou ser altamente adaptável às diversas necessidades operacionais. O A-37B mostrou ser bastante eficaz nos ataques de baixo nível com bombas de napalm. Apesar disso, um número limitado de aviões, sob as cores da USAF quanto da VNAF, entraram em ação.

Durante o final da década de 1950, o Conselho de Testes da Aviação do Exército e a Agência de Desenvolvimento de Combate à Aviação (Aviation Combat Developments Agency – ACDA) começaram a explorar conjuntamente a viabilidade de usar aeronaves de asa fixa operadas pelo Exército nos papéis de ajuste de artilharia, reconhecimento tático e ataque terrestre. A necessidade operacional ditava que qualquer aeronave desse tipo fosse fácil de manter em condições de campo e capaz de operar a partir de pequenas pistas não preparadas abertas na linha de frente, e esses pré-requisitos indicaram que qualquer jato adquirido para uso do Exército teria que ser simples e relativamente pequeno, mas ao mesmo tempo de construção robusta e capaz de oferecer um desempenho significativamente melhor do que o das várias máquinas com motor a pistão, em serviço no Exército.

O Cessna Model 318 havia sido adotado pela USAF como T-37 depois de ganhar uma competição patrocinada pela USAF em 1953 para um novo treinador de jato primário. O primeiro dos dois protótipos XT-37 fez seu voo inaugural no início de 1954, e os onze primeiros T-37A entraram no serviço da USAF em 1955. As três aeronaves avaliadas pelo Exército eram todas do modelo A do quarto lote de produção.

O T-37 era caracterizado por asas baixas e não enflechadas, assentos lado a lado e fuselagem dianteira ampla. O modelo foi equipado com assentos ejetáveis para ambos os tripulantes com controles da cabine idênticos aos encontrados na aeronave de linha da USAF.

Velocidade e poder da “libélula

A Cessna começou a trabalhar e os resultados foram impressionantes. Os novos motores, dois turbojatos de eixo único General Electric J85, forneceram muito mais potência, gerando 1.292 kg de empuxo cada. Isso deu ao recém-lançado A-37 uma grande velocidade adicional e capacidade de carga útil. A velocidade adicional – um máximo de mais de 804 km/h – seria fundamental para fornecer apoio aéreo aproximado para as tropas terrestres. A adição de novos tanques de combustível, habilmente integrados às asas mais longas e mais fortes da aeronave, fez com que o A-37 tivesse um raio de combate operacional de cerca de 850 km. Uma incrível distância para as condições em que operou.

Armas

Todas essas mudanças foram ofuscadas pelas mudanças nas armas. O T-37 permitia uma carga útil mínima de armas, como convém a uma aeronave de treinamento. Em contraste, o A-37 tornou-se algo que teria parecido ridículo anteriormente: um Cessna armado até os dentes. A principal arma defensiva foi uma minigun GAU-2B/A, disparando munição padrão da OTAN 7.62. O GAU-2B/A era uma arma de culatra rotativa acionada eletricamente, com tinha uma taxa variável de fogo entre 2.000 e 6.000 tiros por minuto. Com um alcance máximo de mais de 900 m, esta arma montada no nariz era um adversário assustador para as tropas inimigas em solo.

O GAU também não era o único truque no arsenal do A-37. Oito pontos-duro subalares reforçados permitiram ao Dragonfly o acesso a uma variedade de armas, que incluíam miniguns adicionais, canhões DEFA de 30 mm e foguetes FFAR Mk 40 carregados em um lançador LAU-32/A, LAU-59 ou LAU-68. Além disso, o A-37 poderia carregar até 2000 kg em bombas, mísseis AIM-9 Sidewinder para combate aéreo e, talvez a arma mais terrivelmente icônica da guerra do Vietnã, o napalm.

A avaliação do Exército do T-37 descobriu que a aeronave era ideal para o uso que o Exército desejava. No entanto, a crescente oposição da USAF à posse pelo Exército e à operação de aeronaves a jato de asas fixas forçou o Exército a abandonar a planejada aquisição do T-37.

Por fim, uma curiosidade: ao contrário de quase todos os outros aviões de combate na história dos EUA, o A-37B foi colocado em combate sem os habituais e demorados testes. Em 1966, 25 aviões foram transportados para o Vietnã e colocados para lutar na linha de frente. O A-37 estabeleceu rapidamente a reputação de ser um dos aviões de combate mais eficazes da guerra.


Operadores:

  • Bangladesh (T-37)
  • Chile (T-37)
  • Colômbia (T-37)
  • República Dominicana
  • Equador
  • El Salvador
  • Alemanha (T-37)
  • Guatemala
  • Honduras
  • Coréia do Sul (T-37)
  • Coreia do Sul
  • Peru
  • Paquistão (T-37)
  • Tailândia (T-37)
  • Tailândia
  • Turquia (T-37)
  • Uruguai

FONTE: Military Machine; Pilot Friend;

 

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7 COMENTÁRIOS

  1. Ótimo artigo. Boa descrição do armamento. Contudo, pode incluir o Brasil como operador do T-37.

  2. A FAB operou 65 aeronaves na instrução avançada. Foi substituído pelo Tucano. Após a baixa, foram vendidos a Coréia do Sul.

  3. O exército norte-americano perdeu uma querela política para sua costela, a USAF? Isso deve ter doído em muitos egos!

  4. Olá pessoal, estive hoje na Baco (portões abertos) e fiquei curioso em relação a aeronave que esta espetada na entrada da base, se alguém souber o modelo e histórico destas aeronaves eu agradeceria.

      • Muito obrigado Fernando, meu filho me perguntou e eu fiquei em dúvida se era mesmo o Gloster Meteor vou dar uma olhada neste livro pois aqui em casa todos adoram aviação, abraços.

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