Caça Rafale
Caça Rafale

Entrevista do General Denis Mercier chefe da Armée de l’Air ao site Defense News publicada no dia 06 de Junho revelou mais detalhes de como a Força Aérea francesa está lidando com os cortes e alterações descritas no recente Livro Branco de Defesa para manter a capacidade operacional.

Há nove meses no cargo, o general disse que a prioridade é manter a capacidade da Força Aérea em reagir a situações como a Líbia e o Mali, mesmo com o orçamento apertado. Ele explicou que haveriam dois momentos distintos em operações como essas. Um primeiro momento na entrada, que exigiriam um “atividade de alto nível” e outro posterior que seria a capacidade de manter a operação.

Pensando nisso, a Força Aérea criou um esquema onde, a partir de 2016, terá um primeiro escalão de pilotos, altamente treinados em um alto estado de prontidão. Como também teria um segundo nível de pilotos com menos formação, com maior número de horas vôo feitos em treinadores, que seriam utilizados para sustentar as operações nessa “segunda fase” menos exigente. Esse esquema seria tanto para pilotos de caças como para outras aeronaves. Conforme disse Mercier: “É uma questão de dinheiro. Não podemos treinar todos esses caras para as mais altas missões”.

Um ponto interessante da entrevista é quando o General fala em número de horas/ano para o treinamento de pilotos de Rafale. Para os pilotos serem altamente treinado ele considera que o mínimo sejam 180 horas por ano e que o nível de 150 horas atual não seria suficiente. Já o segundo escalão teria cerca de 40 horas no Rafale e cerca de 140 horas em um treinador mais barato.

Quando questionado sobre o tipo de aeronave para treinamento, o General afirmou que estão pensando em várias soluções, mas o tipo que teria em mente seria algo como Pilatus PC-21. A ideia é iniciar uma licitação para ter os aviões até o final de 2016.

Pilatus PC-21
Pilatus PC-21

Quanto aos Mirage 2000Ds eles serão atualizados para manter a frota em operação até 2025. No próximo ano haverá a retirada de serviço de alguns Mirage 2000 e Mirage F-1s. O Rafale continua a ser prioridade, mas as entregas seriam desaceleradas, tendo em vista as exportações. Eles seriam produzido além de 2020, porque substituirão os Mirages 2000D. A intenção é manter uma dinâmica permanente na modernização da frota.

Outras prioridades seriam os carguerios e aviões tanque Airbus para substituir os C-135 com mais de 50 anos de idade e o transporte estratégico. A meta é ter o primeiro em serviço em 2017, mas isso ainda estaria em discussão. O Livro Branco de Defesa definiu 12 aeronaves ao invés do 14 originalmente planejadas, mas isso seria um reflexo do corte no número de caças. A configuração do avião tanque teria uma porta de carga para garantir o uso como transporte.

Sobre o Conflito do Mali o General tirou como aprendizado a importância da organização do comando e da capacidade de reação rápida em horas que só é permitida com a integração de dados. Ele citou a melhoria da rede com o uso do Link 16 que esta permitindo divulgar dados aéreos e terrestres do Mali para a França, graças a uma comunicação por satélite integrada a frota de caças.

A entrevista também deixa claro um certo desconforto entre o atual chefe da Armée de l’Air e a redução do número de aviões tanques e cargueiros imposta pelo Livro Branco de Defesa. O ritmo de entregas e o número total ainda estariam em discussão. Até o momento, não haveria decisões.

A400M
A400M

Para que a frota de transporte aéreo não fosse afetada até a entrega dos A400M, seria mantidos os C-160 mais tempo do que o planejado e os C-130 passariam por uma atualização para mantê-los além de 2025.

Com relação a UAVs, a curto prazo, a força estaria aguardando a decisão do ministro na aquisição de 12 unidades, onde o favorito do general seria o Reaper, mas isto ainda estaria em discussão, inclusive com os israelenses. A meta é ter as primeiras plataformas em serviço antes de 2017. Um UAV desenvolvido na Europa, devido aos atrasos, estaria sendo considerado mais para longo prazo.

Adaptação Cavok do original do Defense News

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27 COMENTÁRIOS

  1. Vamos então comprar 12desses Mirage 2000 modernizados deles.

    Tampão até 2025…

    Resolvido.

  2. Na boa, depois do fim da URSS, a Europa não precisa mais ter muitas armas não.

    É capaz deles terem que vir na América do Sul aprender a ter Forças Armadas pobres.

  3. Levando-se em conta as considerações do monsieur Mercier, vamos aproveitar para malhar (mais) o zumbi F-Xinfrim2, matematicamente, na base da lógica: se o Super Tucano está para o LAS assim como o Super Hornet estaria para o F-X2, como estará o Super Tucano para o Armée de L’Air? Assim como o Rafale estaria para a FAB? Ou o Pilatus PC-21 estaria para o Armée de L’Air assim como o F-5E suíço estaria para a FAB?

    Ou, mais difícil: Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?

  4. Wagner_FSB,

    Não creio que seria adequado… Os M2000D são uma versão específica, dedicada a ataque. Dependendo da modernização, não serviriam ao GDA…

    Creio que, na pior das hipóteses, virá mais M2000C ( se é que ainda existe alguma coisa utilizável nos estoques franceses )…

  5. e o -5?

    Ou -5 ou gripen, eu prefiro o gripen junto de umas suecas!!!! 🙂

  6. GIORDANI,

    Verdade… Seja como for, os árabes não pretendem se desfazer dos seus tão cedo. E ia sair caro demais modernizar qualquer outro exemplar pro -9…

  7. Galileu,

    O Gripen seria interessante. Os suecos tem lá alguma coisa em estoque e com pouco uso… Seria tampão para próxima década e até alem….

    Mas aí entra-se em outro problema… Poderia simplesmente acabar com a motivação para renovar a frota por algo melhor pelos próximos 17/18 anos, pelo menos…

    No meu entender, se vier tampão, será mais M2000C. Seria a decisão lógica para aproveitar o treinamento e itens já a disposição para manutenção e operação. No mais, vai ser F-5M pra equipar o GDA… Qualquer outra coisa poderia ser anti-econômico ou acabar com qualquer chance de aquisição no futuro próximo…

  8. Estrategia francesa: Pilotos de primeira e de segunda … heheheheh

    []'s

  9. Nick, aqui no Brasil é só piloto de quarta…. pois voam toda semana, as quartas -feiras… rsrsrs (brincadeira, nem sei se voam mesmo huahahu)

  10. O que o Brasil poderia fazer é oferecer os ST numa versão com armas francesas (pod canhão) lança foguetes… e quem sabe um pod designador no ventre e 2 AASM em cada asa… para missões como aconteceu agora na Africa seria muito interessante!… na verdade se o Brasil/EMBRAER trabalharem com afinco o ST, com versões especializadas talvez, este pode ser o avião do século XXI… dizem que detectores de mísseis de ombro (ar-ar) tem certa dificuldade de engajar um turbo-helice rápito como o ST, em distâncias relativamente curtas… logo, se for equipado com flares, isso pode tornar o ST uma formidável arma em cenários moderados… penso eu…
    "Mandem 36 Rafales e lhe mandamos 84 STs + 12 KC-190! fechado?!" pagamos a diferença! rsrsrs

  11. Uma troca bem interessante para os dois lados.
    Também penso que a EMBRAER deve correr atrás de melhorias para o ST. Os últimos conflitos armados não precisavam de um F-35 ou um PAK FA bastaram caças de quarta geração para o primeiro momento e depois qualquer outro poderia terminar o trabalho, e esse qualquer outro bem poderia ser o barato e eficiente ST.

  12. Caro Chicão,

    Aqui temos pilotos de mesa. 🙂

    Seria interessante saber qual a estratégia da FAB. Acredito que o corte de horas de vôo por aqui deve ser horizontal. Ou seja, se é menos 20% é menos 20% para todo mundo.

    Mas seria bom alguém da Força esclarecer isso.

    []'s

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