Caça F-15C Eagle da USAF.

Um F-15C Eagle, da Base Aérea de Kadena, no Japão, caiu no ano passado devido a um erro do piloto que fez com que o jato ficasse fora de controle durante uma simulação de combate aéreo com um F-22, de acordo com um Relatório de Investigação de Acidentes divulgado na quarta-feira (24/04).

O piloto, que não teve seu nome divulgado, sobreviveu ao acidente, mas sofreu ferimentos graves, disseram autoridades.

Investigadores descobriram que uma “aplicação indevida do manche para frente com o leme totalmente à direita” resultou em “uma desaceleração negativa de força G em voo controlado”, de acordo com o relatório.

O Coronel Harmon S. Lewis Jr., presidente do Conselho de Investigação de Acidentes, também determinou que “a desorientação espacial, a falta de treinamento para procedimentos de emergência para desaceleração negativa de força G em voo controlado e tempo limitado para analisar a situação e se recuperar foram fatores que contribuiram substancialmente para o acidente.”

O F-15C, designado com o 44º Esquadrão de Caça, da 18ª Ala de Caça, estava treinando com um F-22 Raptor do 525º Esquadrão de Caça da Base Aérea de Elmendorf, Alasca, na manhã de 11 de junho de 2018. Os dois aviões estavam sobre o Pacífico para uma surtida de rotina para praticar combate simulado com mísseis ar-ar, de acordo com a investigação.

O piloto no avião do acidente estava manobrando defensivamente em relação ao F-22 a uma altitude de cerca de 5.400 metros e voando a cerca de 180 nós, ou 333 km/h, de acordo com o relatório. Em seguida, o piloto iniciou uma subida vertical, levando o F-15 a uma altura do nariz de 65 graus, “20 graus para direita, com 39 graus de ângulo de ataque”, voando a 1,2 Gs.

O avião atingiu um pico de 6.300 pés, voando a 105 nós ou 194 km/h, o relatório afirmou.

A força G refere-se à força de aceleração associada à gravidade, que produz peso no corpo.

Um F-22 Raptor lança flares durante um dog fight contra dois F-15 Eagles da USAF em exercicio na Costa de Penang, Malásia. (Foto: U.S. Air Force / Tech. Sgt. Jason Robertson)

Mas o piloto não sentiu que o avião estava voando como desejado, e tentou quebrar o ângulo de ataque – ou o ângulo entre a linha de referência de uma asa ou o próprio avião para o vento frontal – e colocar mais velocidade na aeronave em uma perceptível curva à direita, afirma o relatório.

O piloto forçou o manche para frente com o leme direito para a direita, na tentativa de impulsionar o jato na direção escolhida. Em vez disso, o nariz “inclinou para baixo e para a direita a 65 graus, 110 graus para direita, -26 graus de ângulo de ataque e forças G decrescendo de 1,2 para -0,3 Gs”, segundo o relatório.

Ao inserir forças G negativas, ou uma aceleração negativa muito rápida que a taxa de queda livre natural, a aeronave “experimentou uma desaceleração negativa de força G em voo controlado com uma entrada para a esquerda fez a transição para um parafuso com G negativo”, disse.

A causa direta do acidente foi a aplicação inadequada inicial do piloto do manche frontal com o leme totalmente para direito, que resultou no voo incontrolável “devido ao acoplamento das forças aerodinâmicas de guinada e rolagem”, afirma o relatório.

O piloto não conseguiu recuperar a aeronave.

Por causa das forças que prenderam o piloto no lado direito da aeronave, uma primeira tentativa de ejeção não foi bem-sucedida, disseram as autoridades. Uma segunda tentativa foi bem sucedida, mas o avião perdeu altitude, forçando o piloto a ejetar a 1.100 pés.

O F-15C, número de cauda 84-0008, caiu no Oceano Pacífico aproximadamente 70 milhas ao sul de Kadena com uma perda avaliada em US$ 42 milhões.

Após o acidente, o 18º Grupo de Operações de Kadena ajustou os padrões de treinamento “para permitir um aumento no tempo de decisão para os pilotos que enfrentam situações semelhantes”, disse a base em um comunicado que coincide com o relatório.

“Além disso, os requisitos de treinamento e avaliação foram aumentados no manuseio avançado de aeronaves”, disseram autoridades.


Fonte: Military.com

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9 COMENTÁRIOS

  1. Nós vemos os caras pilotando parece fácil mas olha só como um "errinho" relativamente simples a milhares de pés de altitude gerou…o cara poderia ter morrido.

    Leme pra direita com g negativo…velocidade mais baixa…a sustentação "foi pro saco" e o piloto quase foi também.

    • Isso é falha GRAVÍSSIMA no treinamento, um piloto de caça não saber recuperar um avião de um parafuso é uma PIADA!

      • Foi descrito um parafuso com g negativo. Eu imagino aí ele girando meio que sobre a própria "barriga", se for isso é bem pior que um parafuso "normal". O giro até atrapalhou a ejecao, imagina a confusão

        • Como descrito na matéria, alem do parafuso negativo, falta de treinamento…

  2. Será que os Sukhois são suscetíveis a estas limitações de manobras?
    Nos air shows, os Su-27/30/35 chegam a parar no ar, entram em queda livre, fazem acrobacias absurdas e as aeronaves recuperam energia de forma [aparentemente] muito fácil.

  3. Não vou especular mas o Fly By Wire não era para corrigir isso? Posso estar falando besteira.

    • F-15C/D não tem FBW. Na verdade, o único a ter por enquanto é o F-15SA.

      • Por isso fiquei na duvida…Mas um vetor da capacidade e importância tática da EAGLE não ser equipado com FBW é uma pena ou uma economia porca como dizem os mecânicos.Uma tecnologia relativamente antiga.

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