f-5e-1No dia 16 de setembro, o Escuadro 401 realizará o ultimo voo de seus caças F-5E, marcando o fim de 30 anos de operação com a FAM (Fuerza Aérea Mexicana).

f-5e_patchO Escuadro 401 realizará um voo em formação sobre a cidade do México. Do total da dotação de 12 aviões de combate, que voaram por três décadas, os últimos três representarão a Era supersônica do Tiger, numa trajetória de 34 anos marcada por acidentes fatais, suspensão dos seus voos em desfiles como uma medida de segurança e até o envolvimento de um dos seus comandantes com o crime organizado.

O F-5E/F chegou ao México em 1982 e se enraizou entre os mexicanos como o mais poderoso e representativo do poder militar aéreo do país. Comprados diretamente da Northrop Aircraft (hoje Northrop Grumman), cada jato custou US$ 10 milhões. O 12 jatos foram atribuídos ao Esquadrão de Defesa 401 e a eles coube executar missões de vigilância estratégica, interceptação de aeronaves e proteção de instalações estratégicas.

Em 2015, o comando central da FAM ordenou pequenos reparos para manter em operação cinco jatos F-5E. Durante os reparos, o financiamento acabou. Hoje existem apenas quatro dessas aeronaves que operam a defesa estratégica do país.

Originalmente, o governo do México, apoiada pelo boom do petróleo, tinha negociado em 1981 a compra de um lote de 24 aviões Kfir de Israel. No entanto, como o motor do Kfir é de fabricação americana, o Pentágono bloqueou a compra, mas em troca ofereceu uma frota de 12 aeronaves F-5E/F via FMS. O lote foi composto por 10 F-5E e dois F-5F.

f-5e-3Os jatos causaram enorme impacto na sociedade mexicana e na FAM, que até aquele momento, tinha no T-33 seu jato mais avançado. Mas o Tiger não começou bem. Em 1983, um dos aviões caiu durante uma prática de voo com munição real. Em 1995, durante o desfile militar, um trágico acidente: um F-5F colidiu no ar contra um T-33 e este contra outros dois T-33. Morreram seis membros da FAM. Por vários anos os F-5E não participaram das paradas militares.

Ao longo dos anos, o custo de manutenção e operação do F-5E/F foram impactando o orçamento do Escuadro 401. No início do governo de Felipe Calderón (2006-2012), seu secretário de Defesa, General Guillermo Galvan, se reuniu com um grupo de legisladores federais e advertiu que o atraso militar do México já se refletia nas magras condições do Exército e da Força Aérea. A situação era tão grave que Galvan disse que a capacidade militar iria desaparecer em cinco anos se não fizessem alguma coisa. Em 2007, de acordo com os números apresentados pelo Estado-Maior da Defesa Nacional (ADT), a FAM tinha 73 aeronaves de combate:

  • 10 F-5E/F
  • 35 Pilatus PC-7
  • 2 Pilatus PC-9
  • 6 UH-60L (Black Hawks)
  • 20 MD 530 (helicópteros Mc Donell Douglas)

O secretário de Defesa acrescentou que os F-5 foram adquiridos no contexto da Guerra Fria e em meio a um cenário em que os potenciais conflitos com países da América Central não se descartavam, mas que estes cenários tinham mudado. E também alertou que, dada a crise do envelhecimento e desgaste de mais da metade das aeronaves da FAM, esquadrões de transporte aéreo e de caça iriam em breve desaparecer.

f-5e-0Os seis anos do início da guerra contra o narcotráfico pela presidência de Felipe Calderón influenciaram no desgaste acelerado de muitos dispositivos da FAM, incluindo o F-5.

Em janeiro de 2011, o público teve acesso aos custos de manutenção e operação do F-5 e outras aeronaves. O jornal La Jornada informou que nove aviões de combate F-5 adquiridos, em 1982, triplicaram suas horas de voo nos últimos 10 anos e, portanto, as despesas de manutenção.

Dado o contexto, Galván apresentou um projeto para a compra de um esquadrão de 12 jatos F-16 Block 30 para substituir o F-5. A iniciativa não teve apoio do Congresso, com a justificativa que não havia fundos.

De acordo com o Programa Nacional do Setor de Defesa 2013-2018, a FAM deve adquirir 172 equipamentos, incluindo helicópteros, aviões e aeronaves não tripuladas, para construir uma frota aérea militar nova e eficiente. Em 2025-2030, devem ser adquiridos 24 aviões de combate para defesa e vigilância do território nacional.

t-6-texan-iiDepois da cerimônia de despedida, o Texan T-6C será o “caça tampão” da FAM e, segundo o governo mexicano, momentaneamente até o governo reorganizar suas finanças e olhar para as opções no mercado internacional para substituir o F-5 no 401 com outra aeronave semelhante.


FONTE: Estado Mayor

Anúncios

16 COMENTÁRIOS

  1. A despeito da instável América Central, aonde os países por vezes se bateram, até com a desculpa do futebol, o México nunca teve uma aviação de combate de primeira linha. E convenhamos, estar ao lado dos EUA ou você TEM uma aviação de verdade ou brinca de aviação, usando seus jatos para desfile militar…

    A FAM é uma guarda aérea e nada mais. O F-5 foi o ultimo supersônico por aquelas bandas. E antes que alguém diga que esses Tigers podem servir ao Uruguai ou outro, lembrem, são F-5E, velhos e analógicos. Só servem para alvo.

  2. Força Aérea Mexicana vs Força Aérea Boliviana dá uma boa briga de bar né? Pq nos ares mesmo fica difícil.

    • Incrivelmente, na América Central, excetuando-se Cuba, El Salvador e Honduras sempre tiveram forças aéreas "fortes". Honduras comprou muito material descartado de Israel. Surpreende o fato dos Kfirs não terem parado lá, talvez por interferência do Tio Sam…

  3. Solução pro mexico? virar um estado dos EUA kkkkkkkkkkkk

    o trump iria a loucura

    • Achava que estavam com a economia em ordem…mas vou pesquisar. Por que motivo(s) você diz isso?
      Abraços

      • Digo isso em relaçao a FA… Sao quadros economicos diferentes, mas o sucateamento esta sendo igualmente progressivo.

  4. O modus operanti mexicano era o sonho de governo do PT para a Ilha de Vera Cruz!

  5. A AL só n é invadida por ninguem pq… pq n interessa mesmo. Defesa pra q né verdade?

Comments are closed.