Aeronaves da FAB, como os UH-60L Black Hawk , poderão participar da nova missão de paz do Brasil, sob comando da ONU. Na imagem, um Black Hawk durante uma missão de ajuda humanitária na Bolívia (Foto: Força Aérea Brasileira)

Após os 13 anos de participação no Haiti, o próximo destino dos boinas azuis brasileiros deverá ser no continente africano. Desta vez, o risco será muito maior, com grande possibilidade de ações de combate. Há oito destinos possíveis no continente, todos cenários de violentas lutas civis.

O comando do Exército considera o envio de 700 a 800 homens, tamanho de um batalhão de infantaria, ainda ano segundo semestre de 2018. A República Centro-Africana seria o destino mais provável, onde a ONU tem por objetivo proteger a população e ajudar o governo do presidente Faustin Touadéra a restabelecer condições de segurança interna, comprometida pelas milícias muçulmanas Séleka

Outras opções seriam o envio de tropas para o Sudão do Sul ou Mali, mas de acordo com análises do Ministério da Defesa, Secretaria Geral da ONU e Conselho de Segurança, ambas tiveram baixa aceitação, “por questões de logística e risco alto”.

Basicamente, o modelo da unidade brasileira será o mesmo adotado no Haiti, com a presença de três diferentes tipos de blindados sobre rodas e veículos de transporte geral. A novidade se dará pela participação de equipes das Forças Especiais e elementos de Operações Psicológicas.

Os C-105 Amazonas estão cotados, assim como os A-29 Super Tucano e os UH-60L Black Hawk para participarem do contingente brasileiro na próxima missão de paz na África. (Foto: Fernando Valduga / Cavok)

A grande novidade, porém, será a participação da Força Aérea Brasileira operando com aeronaves próprias em zonas de conflito armado. Algo que não acontecia desde o envio do 1º Grupo de Aviação de Caça e da 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação, ambas enviadas para o teatro de operações italiano durante a Segunda Guerra Mundial.

Há dois meses, durante uma visita discreta, uma comissão do Sistema de Capacidades em Operações de Paz, agência da ONU para a avaliação de tropas interessadas em integrar grupos de estabilização, esteve nas bases da FAB de Manaus e Porto Velho. O chefe do time, coronel Humayun Chohan Zia, do Paquistão, considerou “bastante possível o emprego de meios aéreos do Brasil na África”.

Cinco aeronaves foram examinadas e selecionadas pelos avaliadores: dois Embraer A-29 Super Tucano, de ataque leve, dois helicópteros Sikorsky UH-60L Black Hawk, além de um CASA C-105 Amazonas. De acordo com o Cel. Zia, o equipamento poderá ser mobilizado para servir a mais de um grupo pacificador.

Para o militar, a hipótese clássica é a da retirada de civis que estejam sob ameaça rebelde em um vilarejo. Dependendo da situação, será preciso contar com a cobertura aérea, fazendo a interdição de fogo, antes do pouso dos helicópteros de resgate.

Os Super tucano seriam o braço armado da FAB na África, provendo apoio aéreo para as possíveis operações de resgate de civis nas áreas de conflito.

De acordo com a embaixadora Maria Luisa Escorel de Moraes, Diretora do Departamento de Organismos internacionais do Itamaraty, destaca que esse envolvimento “reflete os princípios fundamentais da Constituição Federal, como a defesa da paz e a solução pacífica de controvérsias”. A diplomata lembra que o país apoia operações desde 1947, quando uma missão foi despachada para os Balcãs, depois disso o Brasil participou de cerca de 50 missões no mundo, destacando-se as participações em Suez, no Congo Belga e agora, no Haiti.


Fonte: O Estado de São Paulo, via Revista Exame

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8 COMENTÁRIOS

  1. É difícil aceitar essas operações, vislumbrando os aumentos anuais nos cortes orçamentários de nossas Forças Armadas. O Governo Brasileiro sempre quis mostrar ao mundo sua capacidade de gerenciar missões internacionais e levar a paz a lugares distantes, mas esquece dos seus próprios problemas internos e suas carências em treinamento. Mas por outro lado, será um ganho de conhecimento para a FAB, se forem enviados os dois A-29, os dois Black Hawk e o Amazonas, será um pequena força de ação, porém bem interessante.

    Vamos aguardar ..

  2. Em termos de manter a operacionalidade da força, excelente.
    O problema é o anti-lobby no Congresso e governo em relação as FA's.

  3. Dependendo do modo pelo qual as aeronaves sejam disponibilizadas para a ONU, há a possibilidade do pagamento integral das revisões dos meios aéreos durante o período em que estejam na missão. Chile, Argentina e Uruguai estiveram presentes na MINUSTAH , no Haiti, e fizeram excelente trabalho. Ou seja, há a possibilidade da FAB ter as revisões dos meios disponibilizados pagos e , na verdade, será uma economia para os cofres"minguados" atuais.

  4. Se a ONU não se comprometer a bancar 100% dos custos não compensa.
    .
    Mas supondo que o Brasil aceite, sera que a FAB usaria bombas guiadas no ST para minimizar efeitos colaterais em combates urbanos?

  5. Uma piada um país em crise mandar tropas ao exterior, ainda mais um número absurdo de pessoas.
    A ONU não cobre o total das despesas, uma operação destas nunca seria uma economia.
    Segundo o Chile as Nações Unidas cobrem as despesas de operação e os gastos com combustível, enquanto a manutenção fica por conta dos próprios chilenos.
    O Uruguai manda um efetivo mínimo, no Haiti o Uruguai perdeu um CASA-212 FAU-531/ONU-146 em um choque com uma montanha no causando a morte de 11 Uruguaios e Jordanianos em 2009, o avião não foi reposto pela ONU.
    . http://2.bp.blogspot.com/_dTibRPk7UfE/StPWTi-6BSI
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    . http://www.aereo.jor.br/wp-content/uploads/2009/10/fau53...

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