SUPER TUCANO 6

*O artigo a seguir faz parte de um punhado de material que o nobre Editor deixou sem publicar. Em respeito a sua memória, publicamos. 


Com final da guerra fria, surgiram novas ameaças que anteriormente estavam latentes e que nem sempre podiam ser resolvidas de maneira satisfatória com a utilização de vetores de alto desempenho. Também nesse mesmo período, os caças foram se tornando mais complexos, implicando na necessidade de aeronaves de treinamento altamente eficazes versáteis. Com o intuito de suprir essa demanda, nasceu o Super Tucano.

Nos início da década de 90, com a implantação dos projetos de Proteção e Vigilância da Amazônia, SIPAM / SIVAM, pelo governo brasileiro, foi identificada a necessidade de uma aeronave de ataque, de apoio à segurança interna contra-insurgência (COIN), que seria empregada na interceptação aeronaves ilícitas na região Amazônica e no patrulhamento de fronteiras.

Aquele era um período de mudanças dramáticas para o ambiente da aviação militar. Uma evolução extraordinária nos sistemas eletrônicos embarcados, nos sensores e nos armamentos influenciou fortemente o segmento, e racionalizou a utilização de uma grande variedade de plataformas de aeronaves de caça, patrulha e reconhecimento tático.

Coube à Força Aérea Brasileira (FAB) elaborar os requisitos operacionais da nova aeronave,que também deveria ser usada na instrução dos futuros pilotos de caça, em substituição ao jato de treinamento AT-26 Xavante. A união destes requisitos deu origem ao programa AL-X (Aeronave Leve de Ataque), o Super Tucano.

A plataforma do Super Tucano foi projetada, nas versões monoplace e biplace, com tecnologia de última geração e ferramentas auxiliadas por computador, que proporcionam à aeronave uma vida útil em potencial de 18.000 horas para missões típicas de treinamento, ou 12.000 horas em ambientes operacionais, dependendo das cargas de missão e da utilização.

Sua plataforma foi projetada para resistir a cargas de +7G/-3.5G. A estrutura da aeronave é protegida contra a corrosão e o canopi, de abertura única, possui um para-brisa capaz de resistir ao impacto de pássaros de 1,8 kg a 555 km/h. O ambiente da carlinga da aeronave foi aumentado para acomodar, com maior conforto, pilotos de ambos os sexos, e instrumentação originalmente projetada de acordo com os padrões eletrônicos.

O Super Tucano incorpora características, como, por exemplo, um sistema de controle ambiental projetado para maximizar o conforto da tripulação e um Sistema Embarcado de Geração de Oxigênio (OBOGS). Para uma eventualidade, a aeronave está equipada com assentos ejetáveis Martin-Baker MK-10LCX, que incorporam um dispositivo de ejeção sequencial de três modos.

Um motor turboélice Pratt & Whitney PT6A-68/3 de 1,600 SHP que incorpora FADEC (Full Authority Digital Engine Control / Controle Digital de Motor com Autoridade Total) e EICAS (Engine Indication and Crew Alerting System / Sistema de Indicação de Motor e Alerta da Tripulação) impulsiona a aeronave.

O contrato de desenvolvimento da aeronave foi firmado com a Embraer em agosto de 1991. O primeiro voo do Super Tucano aconteceu em 2 de junho de 1999, com o protótipo monoposto YA-29 – matrícula FAB 5700, seguido do voo do protótipo biposto YAT-29 – matrícula FAB 5900, ocorrido em 22 de outubro de 1999.

O Super Tucano apresenta uma Interface Homem-Máquina de última geração, que se destina a minimizar a carga de trabalho do piloto, mediante a otimização de todas as tarefas (rastreamento, interceptação, vigilância, apoio, etc).

A aeronave possui um sistema de aviônica baseado em uma arquitetura de barramento MIL-STD-1533, e incorpora também os seguintes sistemas:

  • Conceito Full Hands on Throttle and Stick [Mãos na Manete e Manche] (HOTAS);
  • INS a Laser com Sistema de Navegação GPS;
  • V/UHF tático com provisões para data-link;
  • Rádio-Comunicação e Navegação Integradas;
  • Câmera/Gravador de Vídeo;
  • Sistema de iluminação interna e externa compatível com NVG [Óculos de Visão Noturna] Gen III [terceira geração];
  • Piloto Automático militar de dois eixos, com capacidade de planejamento de missão incorporada;
  • Infra-Vermelho de Visão à Frente [Forward-Looking Infrared] (FLIR);
  • Cabine com instrumentação totalmente eletrônica, que resulta em baixa carga de trabalho para proporcionar melhor percepção situacional;
  • Capacete com mira [HMD – Helmet Mounted Display] (opcional);
  • Modos de Ataque Computadorizados (CCIP, CCRP, CCIL, etc.);
  • HUD (Head Up Display) [Apresentação Visível com a Cabeça Erguida] com UFCP (Up Front Control Panel) [Painel de Controle à Frente];
  • Duas (ou três, opcional) telas multi-Função em cores, (CMFD) [Color Multi-Function Displays], por posto de pilotagem;

SUPER TUCANO 25

O Super Tucano possui cinco pontos fixos (dois em cada asa e um sob a fuselagem) que permitem carregar até 1.500 kg de uma extensa gama de armamentos (convencionais e inteligentes), inteiramente integrada ao seu sistema de aviônicos, para acompanhar as contínuas mudanças que ocorrem nos potenciais ambientes de operação da aeronave.

A aeronave está equipada com duas metralhadoras de 12,7 mm, cada uma com duzentos tiros, instaladas internamente nas asas. Adicionalmente, o Super Tucano pode ser configurado com armamento subalar adicional, como por exemplo, dois casulos para canhões de 20 mm ou metralhadoras de 12,7 mm, aumentando, de maneira significativa, o seu poder de fogo para as missões que requeiram saturação ar-terra.

As estações externas permitem o carregamento e o disparo de mísseis de curto alcance da classe AIM-9.

Todas as estações podem ser carregadas com bombas Mk 81 ou Mk 82 (convencionais ou equipadas com conjuntos de guias), ou lançadores de foguetes SBAT-70/19 ou LAU-68.

A sobrevivência da tripulação é assegurada por meio de blindagem e provisões de tecnologia de ponta como MAWS (Missile Approach Warning System / Sistema de Alerta de Aproximação de Míssil) e RWR (Radar Warning Receiver / Receptor de Alerta de Radar], além de dispensadores de chaff e flares.


*Ao que parece, o LaMarca não teve tempo de terminar o artigo. Optei por não mexer no texto. (Giordani)

 

Anúncios

8 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns a FAB, Embraer e a todos envolvidos nesse projeto, pela visão de mercado, um projeto considerado o melhor em sua categoria!!!

    Essa ultima foto ficou 10…

  2. Eu tenho grande curiosidade sobre a integração de Misseis Ar Ar neste aparelho , recentemente vimos a FAB metralhando um avião de narco traficantes e mesmo assim o danado conseguiu pousar e os pilotos fugiram ou seja não seria melhor ter um Missil ali ?
    Para os demais operadores desta aeronave que podem ocasionalmente ter que lidar com um Heli russo armado pelo caminho em algum conflito penso que as metralhadoras podem não ser a solução ideal …

    Se alguem puder dissertar um pouco mais sobre isso… No mais um belo texto do LaMarca

    • O piloto nao derrubou aquele aviao porque nao quis, ou nao tinha autorizacao, pois um abate desse nivel é igual bater em cachorro morto…
      Quanto ao missel ar-ar, vale a pena o amigo reler o excelente texto do LaMarca, ele cita o AIM-9.
      Abs

  3. Ter no currículo passar nos critérios técnicos da USAF não é para qualquer um. É um projeto bem acertado e eficiente. Esse brasileiro 'vale o quanto pesa'.

  4. Sou vidrado nessa máquina, extremamente eficiente. E sem dúvidas uma exelente matéria estava sendo redigida pelo nosso eterno Mestre LaMarca

  5. Engraçado, tenho a impressão que o Super Tucano voa na fab desde sempre, e pra minha surpresa o primeiro protótipo voou somente em 1999.

  6. Faz um tempo que eu sigo a página e sempre acompanhava os textos do LaMarca, vai deixar saudades!

Comments are closed.