O britânico Gloster Meteor chegou nos instantes finais da Segunda Guerra Mundial. Os céus da Europa já não eram mais tão violentos. Era uma aeronave inovadora em uma época em que o combate aéreo estava mudando.

O Gloster Meteor foi o primeiro avião a jato a servir nos esquadrões da RAF. Entrando em serviço ainda durante a Segunda Guerra Mundial, o Meteor foi o único avião a jato dos Aliados no conflito. Os alemães, que estavam à frente de seus concorrentes na tecnologia, especialmente no campo de foguetes, colocaram em serviço muito antes jatos como Messerschmitt Me-262 e o Heinkel He162 Salamander. No entanto, a guerra aérea foi protagonizada por aviões impulsionados por hélice.

Apesar da vantagem tecnológica da Alemanha, enquanto o Me-262 e o Salamander não tiveram futuro, o Meteor foi o primeiro caça a jato operacional do mundo.

O Meteor foi projetado por George Carter, que começou a trabalhar no projeto em 1940. Os motores a jato disponíveis para o projeto de Carter eram relativamente fracos, portanto ele projetou o avião com dois motores, um em cada asa, para gerar o empuxo necessário.

No início, o Meteor foi construído usando o turbojato W2B projetados por Frank Whittle. O motor provou-se muito fraco. O Meteor simplesmente não conseguia decolar. O W2B foi substituído pelo motor Halford H1, que tirou o Meteor do chão no primeiro vôo. Outros motores foram testados na tentativa de criar um avião com potência e velocidade necessária.

O motor de produção recaiu sobre o Rolls Royce W2B/23 Welland, capaz de gerar 700 kg de empuxo seco.

O armamento padrão do Meteor era um conjunto de quatro canhões Hispano de 20 mm, sendo dois de cada lado montados a frente do cockpit.

O Meteor Mk I, a versão que lutou na SGM, tinha uma velocidade máxima de 660 km/h. Na metade da década de 1950, o apogeu da tecnologia do Meteor, o Mk 8 alcançava a velocidade de 965 km/h.

A primeira unidade da RAF a ser equipada com Meteors foi o 616 Squadron, que recebeu o primeiro de seus caças a jato em 12 de julho de 1944.

O batismo de fogo do Meteor na SGM não foi contra aviões, foi contra outros motores a jato. Após os desembarques do dia D, Hitler havia ordenado ataques contra a Grã-Bretanha por bombas V-1. Sua aparição repentina causou terror e destruição no sul da Inglaterra. O 616 Squadron foi encarregado de se contrapor a essas bombas com asas.

As primeiras ações dos Meteors revelaram problemas com suas armas, mas isso não impediu que os pilotos combatessem as V-1. No dia 4 de agosto de 1944, um piloto usou seu Meteor para derrubar uma V-1 em voo, depois que suas armas não funcionaram corretamente.

No final de agosto, o problema com as armas havia sido resolvido. No espaço de um mês eles destruíram 13 bombas voadoras.

Os Aliados acreditavam que o Meteor estava pronto para a ação contra os jatos da Alemanha. Com os primeiros problemas resolvidos, eles começaram a ser enviados para a França.

No final, não houve o tão esperado encontro de jatos. O único embate aéreo contra outro avião que o Meteor viu foi uma inconclusiva luta contra um grupo de Focke-Wulf Fw190.

Após a guerra, os Meteors tornaram-se o pilar da RAF. As especificidades da aeronave mudaram ao longo do tempo, com o Meteor F.Mk III dotados de motores Derwent mais poderosos. No entanto, o projeto básico permanecia o mesmo.

Ao longo da década seguinte, o Meteor passou por vários modelos com características diferentes. Os motores continuaram melhorando à medida que a tecnologia da reação aumentava. O Meteor F.Mk 8 recebeu uma fuselagem maior em comprimento, que continha um tanque de combustível extra para o vôo de longo alcance. O mesmo modelo foi equipado com um assento ejetor, que ainda não era uma característica padrão em aviões militares.

Durante a primeira metade da década de 1950, o Meteor Mk 8 foi o principal interceptor diurno da RAF. No total, 1.090 entraram em serviço enquanto a Grã-Bretanha procurou equipar-se com um numero suficiente capaz de fazer frente contra a ameaça de um possível ataque de bombardeiros soviéticos.

O Meteor foi exportado para países amigáveis como a Bélgica, a Dinamarca e os Países Baixos. A Avions Fairey, na Bélgica, produziu seus próprios Meteors sob licença do fabricante britânico.

Uma nova guerra

Os britânicos não usaram o Meteor na Coreia, mas os australianos sim, como o modelo Meteor F.8 da Real Força Aérea Australiana. O Meteor mostrou-se inferior ao MiG-15 soviético em combate ar-ar.

Do meio para o fim da década de 1950, o projeto do Meteor mostrava a sua idade. À medida que o caça a jato se tornara predominantes, o Meteor foi completamente superado por aviões mais modernos e de asas enflechadas. Em 1955, a RAF substituiu o Meteor com seu caça de linha de frente.

Embora tenha se mostrado inferior no combate ar-ar contra o MiG-15, os pilotos australianos conseguiram algumas vitórias nessa arena.
Inferiorizados ao perigoso MiG-15, a RAAF colocou o Meteor F.Mk8 em missões de ataque ao solo.

Algumas forças aéreas encontraram uso para o Meteor como um avião de ataque ao solo, equipando-o com foguetes ar-terra e pequenas bombas, mas por esta época ter o Meteor como caça de linha de frente era obsoleto. A RAF manteve uma parte de seus Meteors, convertendo alguns deles em rebocadores de alvo e banco de provas. O ultimo Gloster Meteor deixou de voar com a RAF em 1977.


FONTE: War History

 

22 COMENTÁRIOS

  1. O Meteor tem vários pontos interessantes: foi a primeira aeronave a voar c/ motores turboélice, mesmo c/ uma asa reta e 'grossa' alcançou quase 1000 Km/h em 1946, teve versão caça noturno equipado c/ radar e a Martin-Baker ainda possui 2 voando p/ testes de assento ejetor.

      • É bom lembrar que os axiais alemães eram considerados bem menos confiáveis que os centrífugos, na época, tendo isso trazido vários problemas as unidades de Me262… O custo de buscar uma solução mais avançada? Talvez, né…
        Ah, sim… o propulsor do "pouco eficiente" MiG-15 também era centrífugo.

        • Os motores do Me-262 só podiam funcionar por poucas horas antes de passar por revisão. Quanto ao Mig-15, vale lembrar seu motor foi uma cópia do RR Nene ( derivada do Derwent que impulsionava o Meteor ) que foi absurdamente fornecido oficialmente a URSS.

        • Sim sem dúvidas. Até porque produzir um compressor Axial é muito mais complicado que o centrífugo. Mas tenho certeza que se os alemães tivessem continuados a produzir esses compressores, eles seriam superiores a o ocidente. Até porque eles possuíam experiência com o Axial, já estavam colocando eles em operação. Embora eles tiveram bastante problemas com motores a jato em geral.

        • O Mig-15 usava uma versão obtida por engenharia reversa do motor RR Nene. E como esses motores foram parar na URSS? Por um gesto de "boa vontade" do então primeiro – ministro trabalhista Clement Attlee. Não é à toa que Churchill se referia a ele com desdém: "De um taxi vazio em frente ao parlamento salta Clement Attlee" dizia o velho Leão…

  2. Vou procurar ler mais sobre ele, visualmente da impressão de ser muito pouco manobrável. Outra vez vi um doc. sobre o Me262, um piloto ingles que voou o caça alemão semanas depois do fim da guerra, disse que o modelo alemão estava anos luz a frente do Gloster….

  3. Na verdade, o presente relato está incorreto. A Alemanha teve o primeiro caça a jato operacional da história: ME 262. Houveram outros posteriormente. O ME 262 causou terror nas formações de bombardeiros americanos (os ingleses só bombardeavam a noite), pois passavam destruindo-os enquanto os caças de escolta não conseguiam intercepta-los. Com o tempo, surgiram táticas como derruba-los enquanto devolvam ou pousavam.

  4. Meu local preferido na cidade é a "Praça do Avião", onde tem o Meteor espetado, como disse um colega acima.
    Essa história sobre ele na WWII eu li no livro que tenho chamado "Caças a Jato" lá dos anos 90.
    Engraçado ele combatendo contra um MIG15, visto que os motores sobre as asas sempre foi um ponto fraco do Meteor.

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