O Yak-38MP foi o primeiro avião de asas fixas da União Soviética projetado especialmente para operar em navios (desde os biplanos KDR-1 que eram catapultados de cruzadores), descendendo do avião de pesquisa VTOL Yak-36 “Freehand” demonstrado em 1967.

As primeiras unidades tinham dois motores turbojatos lado a lado no fundo da fuselagem em forma de girino, com os jatos expelidos por saídas móveis laterais. O 38MP é o resultado de testes prolongados, nos quais, segundo consta, foram realizados vôos com protótipos diferentes. Ele segue a mesma fórmula, mas com a adição de dois jatos elevadores em posição quase vertical adiante das asas, entre as duas tomadas de ar principais. Isto permitia que o motor elevador e de cruzeiro fosse menor, porém impede a decolagem STOL ou o uso de um convés do tipo “sky-jump”; e também restringe muito a massa de cargas externas que poderia ser transportada.

DN-SN-86-00831

Os jatos elevadores do OKB Koliesov tinham um empuxo da ordem de 2.000 kg a 4.000 kg cada um. Havia uma tampa que cobria a caixa do motor elevador quando o avião estava em vôo de cruzeiro. Os jatos elevadores não podiam ser direcionados para auxiliar os procedimentos de aceleração ou desaceleração, os quais envolvem respectivamente uma atitude de nariz baixo e o uso de grandes flaps nas asas.

O Yak-38MP impressionou os observadores com suas duras missões VTOL nos grandes navios de múltiplo emprego Kiev e Minsk, sugerindo fortemente uma orientação eletrônica por parte do navio. O MP poderia ser colocado como o interceptador para a marinha soviética, e acreditava-se (durante a Guerra Fria) que seu emprego básico era a destruição de aviões da OTAN sob a orientação de seu navio-base.

03

e6b1646d96087f58d5fb2d63fa06c6c9Nos quatro suportes sob as pequenas asas dobráveis podiam ser instalados casulos de canhões e vários tipos de AAM além de ser equipado com mísseis ar-superfície de curto alcance, foguetes ou bombas, que podiam ser utilizados contra navios e alvos em terra, sugerindo que a eliminação de aviões tais como o P-3, S-3 e Nimrod possam ser secundárias.

Yak-38 #2Yak-38A maioria dos exemplares vistos a partir de 1980 possuía áreas dielétricas adicionais; certamente para um abrangente equipamento de navegação e de EW, porém apenas um pequeno radar para orientação e nenhum sensor como o FLIR ou receptador de laser. O míssil “AA-2-2 Atoll advanced” podia ser operado, bem como o míssil “AA-8 Aphid”, muito mais sofisticado.

05

O complemento máximo típico para cada um dos quatro navios da classe Kiev eram quinze Forger. Incluíam três aviões de treinamento de duplo comando Forger-B, versão um tanto toscamente adaptada, que tinha a fuselagem dianteira e traseira muito mais longa e não possuía um radar de orientação e sem suportes externos.

O Yak-38 foi visto, geralmente, como um avião provisório, enquanto não se desenvolvia nada melhor. Tinha limitações graves óbvias mas ao provar seu valor em centenas de vôos de ataques simulados e missões de interceptação sobre o mar, preparou o caminho para um sucessor muito mais desenvolvido, uma aeronave capaz de realizar decolagens STOL a partir dos conveses angulados dos quatro grandes navios. Este deveria ser o Yak-141, mas que jamais entrou em operação.

06a
Ao contrário dos britânicos, os soviéticos optaram por um sistema de elevação que era melhor no sentido de dar ao aparelho mais velocidade. O F-35 usa o mesmo princípio.

06

O Forger era um avião terrível. Em condições quentes seu raio de combate caia ao ponto de torná-lo quase inútil e era terrivelmente a vida média do motor de apenas 22 horas. Era difícil de voar e detestado pelos pilotos.

Seu emprego foi limitado. Das 100 unidades produzidas, vinte foram perdidas em acidentes. Com a queda da URSS quaisquer planos para uma próxima geração e desenvolvimento da aviação naval soviética parou por completo. Após um acidente em junho de 1991, o Yak-38 Forger foi retirado de serviço, para o alívio dos seus pilotos.

09
Se o modelo 38MP era considerado perigosíssimo por seus pilotos, o modelo 38U, de treinamento, era mais ainda!
011
O Yak-141 (a direita) foi o desenvolvimento natural do Yak-38. Muito mais capaz, precedia o F-35B em 20 anos. Dificuldades técnicas e o fim da URSS acabaram com o projeto.
012
Comparativo entre os dois grandes aviões VTOL da história. O Harrier carregava menos, mas fazia mais.

O Yak-38 deu a experiência marinha soviética com jatos de alta performance no mar, e foi um trampolim útil para os de asa fixa caças navais agora entrando em serviço com a Marinha russa.


07A


013

Origem – OKB de Aleksandr S. Yakovlev.

Tipo – Caça/avião de ataque VTOL baseado em navio.

Motores – Um turbojato Tumansky R-28 V-300 de empuxo vetorado, com empuxo total de decolagem de 7.500 kg; dois jatos Rybinsk RD-38 elevadores à frente da asa, cada qual com o empuxo de 3.500 kg.

Dimensões – Envergadura: 7,32m; comprimento: (A) 15,24m, (B) 17,68m; superfície das asas: 15,28 m².

Pesos – Vazio: (A) 7.250 kg, (B) 8.000 kg; com carga máxima: (Yak-38MP e Yak-38U) 10.750 kg.

Desempenho – Velocidade máxima: (a grande altitude sem os suportes externos) 1.170 km/h (Mach 1,1), (ao nível do mar, sem os suportes externos) 1.125 km/h (Mach 0,9); taxa inicial de subida: 4,5 m/min; teto de serviço: 12.200 m; raio de combate (missão de ataque, com as manobras de combate): 370 km; raio de travessia (com quatro tanques) 2.900 km.

Armamento – Totalmente transportado em quatro suportes sob as asas, com carga total de 1.380 kg, sendo Um canhão GSH-23L de 23 milímetros montado em um pod. Foguetes de até 240 mm. Dois mísseis anti-navio ou ar-superfície Kh-23 (AS-7 Kerry). O Kh-23 exigia um pod de orientação em um dos pilones. AAM R-60 ou R-60M (AA-8) eram usados em cabides externos. Duas bombas FAB-500 ou quatro FAB-250 de uso geral.

Histórico – Primeiro voo (protótipo): 1971; entrega para serviço: 1975.

yak-38 #4

yak-38 #5


Um avião que não admitia erros…


FONTE: Aviões de Guerra #39

NOTA DO EDITOR: A literatura por vezes tratou o Forger como sendo o Yak-36, mas isso é compreensível, uma vez que dados confiáveis (mas não exatos) só vieram a tona após a queda do Império Soviético.

NOTA DO EDITOR²: O Editor é fã declarado deste aparelho, bem como do Harrier. É até irônico, mas a simplicidade bruta e funcional, típica dos soviéticos, desta vez pertenceu ao Harrier, conquanto o Forger era mais complicado e perigoso de operar. É inegável, a solução britânica para o VTOL é a melhor (e confiável) até hoje já desenvolvida.


34 COMENTÁRIOS

  1. há uma inovação sim no Yak, apesar do sistema ser diverso deixou claro que, em vôo vertical, precisa do ar frio acima do avião para que os motores não absorvam ar quente recém saído da exaustão, o que faz perder rendimento e em baixa altitude é mortal, um defeito (plenamente aceitável) do Harrier e não solucionado pelo concorrente do F35, projetado pela Boeing e me esqueci o nome, que apesar de ser menos complexo não solucionava tal efeito (que possui um nome, esqueci também)….vi imagens do protótipo da Boeing em testes e o estampido característico deste problema decepcionou a todos……lembrando que na época do Yak38 não havia motor potente o bastante para tal, portanto usaram os dois motores menores na vertical, mas o motivo é o mesmo, puxar o ar frio acima do avião.

  2. apenas lembrando também que a Dassault fez um avião parecido, está no museu em Paris.

  3. Chegando meio atrasado a discussão. A matéria manteve um erro de julgamento que havia na época da publicação da serie Aviões de Guerra, mais tarde se descobriu que o Yak-38 era capaz de pousos STOL. Enquanto o motor principal mudava o angulo de seu bocais, os motores auxiliares iam reduzindo a sua potencia. Todo o processo era automatizado restando ao piloto apenas "assistir" o processo.

  4. outra maravilha soviética que metia medo nos pilotos, quando ao que dz ser deles o 1ª avião VTOL eu acho que o Harrier protótipo foi antes. Esse Yak era um bom alvo para ser derrubado se não caísse antes. 22h de vida do motor comunista sim.

Comments are closed.