Após a Segunda Guerra Mundial, a Argentina foi o porto seguro de engenheiros alemães e italianos que trabalharam para o III Reich.

Um desses engenheiros foi Cesare Pallavicino, da empresa de aviação italiana Caproni. Pallavicino foi empregado no Instituto Aerotécnico (IAe) para projetar um caça de escolta bimotor. Este projeto se tornaria o IAe 30 Ñancú.

Inicialmente, Pallavicino apresentou três propostas; duas para um caça a jato e um a pistão. O projeto a pistão acabou escolhido para ser desenvolvido como IAe 30. Além dos engenheiros argentinos, Pallavicino também conseguiu trazer vários engenheiros da Caproni para trabalhar no projeto. O governo argentino encomendou três IAe 30 e a construção do primeiro protótipo começou em julho de 1947.

Propulsado por dois motores Rolls-Royce Merlin 134/135 que produziam 2,035 hp (1,517 kW) cada, o Ñancú se assemelhava ao de Havilland Hornet, mas era um design original, todo em metal. As hélices eram quatro lâminas, com 3,66 m de diâmetro. A aeronave tinha uma envergadura de 15 metros e um comprimento de 11,52 m. O peso vazio da aeronave era de 5.585 kg e tinha um peso bruto de 8.755 kg. A velocidade máxima foi de 740 km/h e a velocidade de cruzeiro de 500 km/h. O alcance de translado foi de 2.700 km.

O armamento proposto consistiu de quatro canhões Hispano-Suiza de 20 mm montados na parte inferior da fuselagem, sob as asas. Além disso, uma bomba de 250 kg poderia ser transportada sob o ventre e cinco foguetes de 3,25 pol. (83 mm) poderiam ser instalados sob cada asa. No entanto, o protótipo nunca foi armado.

A equipe IAe 30 estava sob muita pressão para completar rapidamente a aeronave. O avião, em sua maioria completa, estava pronto para testes de solo em junho de 1948. Apesar dos testes de túnel de vento não terem sido concluídos, o IAe 30 voou pela primeira vez no dia 18 de julho de 1948. Os testes iniciais de voo revelaram uma aeronave com um bom desempenho e boa manobrilidade. Durante um voo em agosto de 1948, o Ñancú atingiu a velocidade média de 650 km/h com apenas 60% de potência. Com base no desempenho inicial da aeronave, a Força Aérea Argentina encomendou 210 unidades.

Os testes de voo continuaram e o avião alcançou 900 km/h em um mergulho. Pequenas modificações foram necessárias, mas demorou muito para que as mudanças fossem implementadas. Parte da demora foi por pura falta de comunicação entre os pilotos de teste e a equipe de projeto. Um piloto que voou o Ñancú relatou resultados muito favoráveis ao professor Matthies, mais conhecido como Kurt Tank, um famoso projetista alemão de aeronaves que trabalhou para a Focke-Wulf durante a Segunda Guerra Mundial, projetando o excelente Fw 190, dentre outros. Após a guerra, ele imigrou para a Argentina e assumiu o pseudônimo de Pedro Matthies.

No início de 1949, o protótipo ficou seriamente danificado quando o piloto de teste Carlos Fermín Bergaglio realizou um pouso mal sucedido. Embora a aeronave tenha sido reparada, o interesse no avião caiu por terra, pois a Era do jato chegou e a Fuerza Aérea Argentina focou em aviões a jato, comprando 100 jatos Gloster Meteor, que foram entregues em setembro de 1948.

O IAe 30 foi cancelado no final de abril de 1949. A Fabrica Militar de Aviones (FMA) abandonou o projeto. O protótipo danificado e os dois protótipos inacabados foram desmantelados, terminando a história de um dos últimos caças a pistão a serem desenvolvidos.


FONTE: Old Machine Press

4 COMENTÁRIOS

  1. O que chama atenção a princípio deste projeto é o tamanho dos hélices 3,66 metros.

  2. Los hermanos dando um tiro no próprio pé… Bem algo da América Latina, sejamos francos…

    • Pois é..

      Idem para muitos programas que tivemos/temos no Brasil.

      Mas é mais fácil para vocês culparem outros países pelos nossos próprios problemas.

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