A França vence a barreira do som.

Finda a Segunda Guerra Mundial, a França era um país arrasado e falido. De todas as potencias que participaram do conflito, era a mais atrasada tecnologicamente.

Na segunda metade dos anos 1940, a Força Aérea francesa tentou diminuir o gap tecnológico ante a Força Aérea dos EUA e da RAF (Royal Air Force) através de um amplo programa de pesquisas de aviões a jato, especialmente em caças. Naquela época, a França operava apenas alguns jatos britânicos e um monte de aeronaves a pistão que datavam da Segunda Guerra Mundial. O programa de investigação levou a criação dos primeiros jatos franceses de transição (saindo do pistão para o jato), mas também gerou vários e interessantes protótipos, alguns bastante surpreendentes com o SW-6020 SW Swordfish, um misto de motor à reação e propulsão de foguete.

Em 1946 o Exército do Ar (Armée de l’Air) emitiu uma especificação para um caça a jato para substituir aviões a hélice como o Bell P-63 Kingcobra, o North American P-51D Mustang e o Supermarine Spitfire . De fato, com o início da Era do jato, estas máquinas rapidamente se tornaram obsoletas, especialmente para a França, que foi então submetida a sucessivas rebeliões anti-coloniais cada vez mais fortes, muitas vezes patrocinadas por Moscou.

O programa tinha uma peculiaridade, os contratos deveriam ser dados principalmente para construtores nacionais como a Société Nationale de Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest (Sudoeste), mas também a Dassault.

A Sud-Ouest propôs o SO-6020, com uma particularidade de não ter qualquer tanque de combustível nas asas, deixando-o como uma iguaria única naquele momento. Além disso, a aeronave não tinha a então em moda entrada de ar frontal, como a maioria de seus contemporâneos, mas duas pequenas aberturas sob o ventre. Totalmente de metal, o SO-6020 era monoplace e apresentava um dos primeiros assentos ejetáveis fabricados na França. O motor à jato era um Rolls Royce Nene & Mk-100, que gerava 2.270 kg de empuxo seco. Obviamente que o motor era construído sob licença pela Hispano Suiza. O primeiro voo do SO-6020 ocorreu em 12 novembro de 1948.

O Ministério da Aeronáutica pediu Sud-Ouest para fornecer dois protótipos da aeronave. O avião foi batizado oficialmente de Espadon (Swordfish). O segundo protótipo tinha uma propulsão mista, com um motor Nene um motor de foguete com uma potência de 1.500 kg de empuxo. O motor foguete também tinha uma peculiaridade, não era alimentado por querosene, mas por uma mistura de ácido nítrico e um líquido derivado do flúor. Este foi designado SO-6020-03 e, em seguida, sucessivamente, SO-6021.

Ao mesmo tempo, a Sud-Ouest propôs uma versão de combate sob a forma do SO-6025. Este tinha dois canhões Hispano de 30 mm, quatro metralhadoras Browning de 12,7 mm e capacidade de carga de cerca de 500 kg de bombas.

Um mock up foi construído e a Sud-Ouest acreditava que produziria cerca de 350 caças, no entanto a Força Aérea francesa optou por adquirir o Ouragan da Dassault.

Espadon modificado para testes de motores

Mas isso não significou definitivamente o fim da carreira Espadarte. Apenas o SO-6025 foi encerrado, já os outros três continuaram os voo no Centro de testes de voo, quando no dia 15 de Dezembro de 1953, o SO 6020 tornou-se, nas mãos de André Turcat, o primeiro avião não apenas francês, mas também europeu a atravessar a barreira do som. Turcat, futuro piloto de testes do Concorde, tornou-se um dos pilotos mais rápidos da história.

Depois disso, o peixe-espada voou por mais cinco anos, participando de vários testes de armas, motores, assentos ejetáveis, trem de pouso ou sistemas embarcados.

É interessante notar que o SO-6020 foi concebido após apenas um ano de programa.

Dassault Ouragan, preferido pela Força Aérea francesa. Pouco usado pelos franceses, entrou para o hall da fama nas mãos dos israelenses.

Uma curiosidade é que em 1946 o autor de quadrinhos belga, Edgar P. Jacobs, publicou uma história sobre agentes secretos britânicos que roubam um Espadon. Acontece que o Espadon de Jacobs era muito, mas muito parecido com o Espadon que a Société Nationale de Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest ainda iria criar…


NOTA DO EDITOR: Turcat quebrou a barreira do som num mergulho raso.

 

1 COMENTÁRIO