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A-29 Super Tucano – AAF / Foto: Slobodan Lekic, em caráter ilustrativo

A aviação de ataque do Afeganistão começará a empregar as aeronaves de ataque leve e contrainsurgência A-29 Super Tucano provavelmente na próxima semana, cerca de um mês antes do previsto, em missões de bombardeio contra posições dos extremistas do Taleban e da Al-Qaeda, abrigados sob a cadeia de montanhas que ocupa a maior parte do país.

Os quatro primeiros A-29 chegaram à capital, Cabul, no último dia 15 de janeiro, e foram recebidos pelo ministro da Defesa do país, Mohamed Masoon, e incorporados à Força Aérea Afegã (AAF), que está sendo formada com recursos financiados pelos americanos.

Na AAF, as aeronaves foram registradas sob os números YA-1406, YA-1407, YA-1408 e YA-1409.

A presença dos Super Tucano na guerra que já dura 13 anos, e que estaria agregando ao conflito os radicais do Estado Islâmico, é o resultado de uma complexa manobra diplomática. O governo dos EUA comprou o lote de 20 unidades – da Embraer Defesa e Segurança e de sua parceira local, a Sierra Nevada -, há três anos. O Pentágono é o contratante e está pagando US$ 428 milhões pelo pacote que abrange peças de reposição, treinamento técnico e componentes. Até novembro, a aviação afegã terá mais um esquadrão, somando oito Super Tucanos. No primeiro semestre de 2017, outros quatro vão entrar em ação. A frota será completada ao longo de 2018. O plano não termina aí.

O Pentágono quer negociar uma segunda encomenda de 20 a 30 aviões, elevando o compromisso ao patamar de US$ 850 milhões – a preço de hoje e sem alterações na configuração. Os aviões entregues em janeiro vão à luta com avançados sistemas de armas da classe JDAMS, para cumprir missões de bombardeio de precisão, segundo o coronel Mike Lawhorn, porta voz do programa Apoio Decisivo, de cooperação entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte e o Afeganistão.

A-29 Super Tucano - AAF (Foto - Slobodan Lekic)
A-29 Super Tucano – AAF / Foto: Slobodan Lekic, em caráter ilustrativo

Cada kit conta com um dispositivo de direção laser e mais os sensores para lançamento das novas SDB (Small Diameter Bombs), bombas inteligentes, guiadas, mais leves sem perda do poder de destruição, com alcance na faixa de 50 km e sobretudo com maior precisão em relação ao alvo definido.O contrato comercial segue as regras da política industrial de Defesa dos EUA e prevê a associação do grupo brasileiro com uma empresa americana. Fixa também que a produção final das aeronaves deve ser feita em território americano.

Para atender a essa exigência, a Embraer mantém uma fábrica em Jacksonville, a maior cidade da Flórida, com 800 mil habitantes. Um pequeno time de brasileiros trabalha no local. A capacidade e o número total de funcionários são informações mantidas sob sigilo de segurança. A estrutura básica das aeronaves, como fuselagem e asas, é fabricada no Brasil, nas linhas da Embraer Defesa em Botucatu e Gavião Peixoto – a cadeia de fornecedores do programa envolve 135 companhias nacionais. As grandes partes são enviadas para a Flórida, onde é executada a integração final.

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A-29 Super Tucano – AAF / Foto: Slobodan Lekic, em caráter ilustrativo

Concluído o processo, cada um dos A-29 é testado e depois transferido à Sierra Nevada, responsável pela entrega à Força Aérea dos EUA. Os turboélices são admitidos no centro da USAF em Moody, no estado da Geórgia. “A entrega dos primeiros quatro A-29 demonstra a nossa capacidade de cumprir os termos do contrato”, destaca Jackson Schneider, presidente da Embraer Defesa. Para o executivo, “temos o melhor produto do mercado para apoio tático leve, condição demonstrada pelo fato de ter sido selecionado por 13 países clientes”.

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A-29 Super Tucano – AAF / Foto: Slobodan Lekic, em caráter ilustrativo

Os primeiros oito pilotos afegãos qualificados em Moody levaram os turboélice para Cabul voando em dupla com alguns dos instrutores americanos do 81º Esquadrão de Caça e vão entrar em combate nos próximos dias, de acordo com o ministro da Defesa, Mohamed Masoom. Até 2018, ao menos 30 aviadores e 150 mecânicos terão passado pelos cursos nos EUA. O ministro declarou que a primeira turma será envolvida nos próximos dias em ações de ataque nas províncias de Nangarhar, no leste, e Helmand, no sul. É uma tarefa complicada. Os rebeldes constroem refúgios subterrâneos sob grossas camadas de rocha de até 10 metros nas encostas das montanhas escarpadas e com picos muito altos, na cota de 5 mil metros. O acesso é difícil. A tarefa dos Super Tucanos será a lançar as cargas explosivas nos pontos de acesso a essas cavernas blindadas, quase sempre localizadas em terreno acidentado.Na opinião de um ex-líder de grupo aéreo da aviação da Colômbia, – força que emprega largamente o A-29 em ações semelhantes sobre a guerrilha das Farc – “a aeronave aumenta a eficiência das bombas inteligentes, reduzindo o índice de erro ao patamar de poucos metros”.

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A-29 Super Tucano – AAF / Foto: Slobodan Lekic, em caráter ilustrativo

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FONTE: O Estado de S. Paulo

EDIÇÃO: Cavok

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18 COMENTÁRIOS

  1. A prova de fogo está chegando!…

    Tomara que tenha pelo ao menos um vídeo quando acontecer.

  2. Auspiciosas notícias, e espero que em breve nos cheguem boas novas sobre o sucesso além mar do vetor.

    PS. – a série "A DE ATAQUE", vulgo saga Blackbird, já teve seu merecido final? E sobre a encarteirada, já saiu a prometida matéria??

    Sds

    • Ainda não… Mas a série “A DE ATAQUE” não é só sobre o Blackbird, na verdade ela cobre toda uma variedade de aeronaves icônicas.
      A série será continuada em seu momento oportuno. Não antes!
      😉

      Sobre a tal “carteirada”, não é nada demais gente, foi apenas um oficial de alta patente da FAB, o comandante do esquadrão, que deu “piti” quando nós anunciamos que apenas 14 exemplares do AMX seriam modernizados. As pessoas tentam esconder a verdade… fazer o que…. O moço quase teve um AVC, coitado, mas o Cavok atendeu a solicitação do milico e tirou o artigo do ar. Também há que se entender a postura do site.

      • Tu tá esperando a CIA sair da sua cola, né LaMarca? KKKKKKKK
        Can't wait!
        😉

      • Acho ridícula essa atitude. Esse pessoal acha que jogar a sujeira para debaixo do tapete é proteger a instituição. Por consequência, noticiar a verdade é prejudicá-la.

        Quando 14 unidades ou menos forem modernizadas, o que é que esse rapaz aí vai falar?

        Na verdade, eles protegem seus próprios interesses, enquanto vamos fingindo estar tudo certo, o whisky, os tapinhas nas costas, as medalhas, as homenagens, as diárias e demais benesses continuam.

        Se o programa é cancelado, a mamata acaba e vão ter que trabalhar.

      • Alta patente é bondade da sua parte. Tenente-Coronel não apita nada e quieto já está errado.

        O site agiu com fidalguia, se sou eu, formalizo uma reclamação com o comandante da III Fae.

        Lidar com imprensa é competência do Centro de Comunicação Social.

      • Lamarca….
        Olha só a tua postura em relação ao ocorrido , queria ser igual a você.

  3. Certo, LaMarca, é que estive ausente por um tempo e imaginei que tais matérias talvez já tivessem sido produzidas.

  4. Agora veremos! É competente ou não. O histórico sinaliza que sim. Creio que será sua consagração e esse ícone da indústria aeronáutica brasileira não decepcionará.

  5. Boa madrugada a todos!
    O ST já mostrou suas qualidades guerreiras nas mãos da FAC contra as FARC. Porém o TO agora é bem diferente, trata-se de insurgentes com experiência em guerra AA. Os ST enfrentarão AAA de 23mm, mísseis lançado do ombro de diversos tipos, RPG's (já houve relatos de emprego contra aeronaves de asas rotativas em vôo estacionário e aeronaves em procedimentos de aproximação).
    Espero que os pilotos afegãos sejam peritos e tenham o tempo necessário para adaptação com a nova dotação. Do contrário, penso que teremos relatos de muitos abates.
    Seja como for, o ST já é consagrado como excelente aeronave de COIN. Tenho como certo que haverá mais encomendas pelo Pentágono.

    CM

  6. Se há um campo onde o ST pode realmente fazer história é no Afeganistão. Que não decepcione, que os pilotos não decepcionem, e que sejam temidos pelos talibãs.

  7. Isso pode ser um tiro pela culatra para a Embraer. Colocar estes aviões em situação de combate nas mãos de pilotos afegãos com o tempo de treinamento reduzido poder ser catastrófico…

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