A Airbus revela, em carta, ter detectado problemas nos novos aviões A330 Neo comprados pela TAP. Foto: Guilherme Martinez.

Pequenas gotas de óleo libertadas durante a partida dos motores e o sistema de ar condicionado são a origem dos cheiros estranhos que têm sido relatados nos novos A330 Neo comprados pela TAP, reconhece a Airbus, em carta enviada à companhia aérea, datada de 7 de junho.

Mas para o mal-estar reportado pelos tripulantes – tonturas, vômitos, enjoos, desorientação, cansaço extremo e até sensação de desmaio – a fabricante europeia continua sem resposta.

“Foram reportados dois efeitos diferentes: cheiros pouco comuns e sintomas de desconforto, não havendo uma correlação entre os dois fatores”, referiu-se o comunicado.

“Durante a fase de testes de voo, identificamos que o arranque do motor poderia gerar odores na cabine”, explica a Airbus, acrescentando que, numa utilização contínua superior a 100 segundos, “algumas gotas de óleo poderiam ser liberadas no compressor de alta pressão”, o que provocaria “cheiro a óleo durante a fase de táxi, decolagem e subida”.

A empresa diz que já adotou duas medidas para diminuir o incômodo, tanto em solo como durante a decolagem do avião. E acrescenta, na carta enviada à TAP, que estes dados seriam compartilhados com a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) no final de junho.

A TAP foi a empresa de lançamento do novo A330 Neo. Foto: Jose Payet.

“Durante as primeiras fases de serviço, o sistema de ar condicionado foi identificado como outra fonte de odores”, diz a Airbus. Este fenômeno está relacionado com a temperatura de saída do ar proveniente do compressor de alta pressão que reage com o revestimento (uma espécie de tinta primária anti-corrosão). E explica que também esta situação já foi resolvida com tratamentos anticalor e maior circulação de ar no sistema.

“Apesar destas duas origens terem sido solucionadas, os relatórios indicam que os odores ainda estão presentes”, a Airbus assumiu que “não podemos descartar outras potenciais causas para o problema”.

Em nota, a Airbus disse: “No que diz respeito aos cheiros, foi formada uma “força tarefa”, com a colaboração dos nossos fornecedores. As investigações técnicas estão em curso para explorar uma lista de potenciais causas do problema”. E acrescenta que “serão adotadas soluções para que amenizem ou solucionem o problema de forma permanente”.

Já os enjoos reportados por tripulantes – o sindicato dos tripulantes de bordo (SNPVAC) ameaçou avançar com uma greve caso não haja medidas efetivas para resolver o problema – continuam um mistério. “A Airbus está trabalhando junto ao operador, TAP, que registou estes eventos”.

Os pilotos também estão preocupados. Numa carta escrita, o sindicato dos pilotos diz que “está acompanhando com grande apreensão” o fenômeno de odores e vapores nos novos aviões.

A companhia aérea, à semelhança do que fez a Airbus, garante que os fenômenos verificados nestes aparelhos não têm efeitos nocivos para a saúde, não se tratando de gases tóxicos que possam afetar passageiros, tripulantes ou pilotos. A segurança dos voos não está em causa.

Em junho, o sindicato de pilotos tinha indicado à TAP que “não pretende criar alarme em torno desta situação que possa comprometer a operação”.


FONTE: Jornal de Notícias, edição CAVOK

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