A falta de investimento afetou a dissuasão nuclear da OTAN. Os Tornados com capacidade nuclear da Alemanha são tão antigos e obsoletos que serão retirados de serviço a partir de 2025. Sem um substituto, a Alemanha estará fora da missão de dissuasão nuclear.

O estado da aliança dos parceiros que compõem a OTAN não está bom. Quando era candidato, Donald Trump deixou claro que desejava ver os outros membros da Aliança contribuindo mais para a defesa comum. Como presidente, Trump exige que os países da OTAN cumpram sua meta auto-imposta de gastar 2% de seu produto interno bruto com defesa.

Em fevereiro, o parlamento alemão publicou um relatório devastador sobre a falta de prontidão das forças militares do país. No final de 2017, nenhum submarino e nenhum dos 14 grandes aviões de transporte da Luftwaffe estavam disponíveis para emprego imediato em caso de necessidade. Grande parte dos equipamentos das forças armadas alemãs, incluindo jatos de combate, tanques e navios, está desatualizada e, em alguns casos, não está totalmente operacional devido à falta de peças sobressalentes.

Como resultado, o treinamento de pilotos de caça teve que ser reduzido devido ao número de aeronaves indisponíveis.

O novo chefe da Luftwaffe, Tenente-General Ingo Gerhartz, confirmou o relatório. Ele admitiu publicamente que a Luftwaffe está “num momento difícil”.

A falta de investimentos nas capacidades militares críticas afetou a dissuasão nuclear da OTAN. A frota de aeronaves Tornado com capacidade nuclear da Alemanha é tão antiga e obsoleta que terá que ser retirada a partir de 2025. Sem uma substituição oportuna, a Alemanha estará fora da missão de dissuasão nuclear.

Qualquer nova aeronave proposta para preencher o papel desempenhado pelos Tornados da Luftwaffe deve atender a um conjunto extremamente rigoroso de normas operacionais e de segurança. Como esta seria uma aeronave alemã que usa uma arma nuclear dos EUA, existem dois conjuntos de normas em jogo. Especialistas familiarizados com a certificação de uma nova aeronave como capaz nuclearmente dizem que o processo geralmente leva em média de seis a oito anos e custa centenas de milhões de dólares.

A resposta óbvia é a Luftwaffe adquirir um número de F-35A para substituir o Tornado na missão nuclear. A Força Aérea dos EUA e a equipe do F-35, liderada pela Lockheed, estão atualmente nos estágios iniciais do processo de certificação nuclear. A Itália e a Holanda estão adquirindo o F-35 e certamente usarão algumas como plataformas dedicadas de ataque nuclear.

A Airbus e o consórcio Eurofighter propuseram a venda de aviões Typhoon adicionais da Alemanha para substituir os Tornados. O governo alemão pediu a Washington que aceitasse um Typhoon com capacidade nuclear e certificado como substituto do Tornado. A Luftwaffe atualmente opera cerca de 130 Typhoons para a defesa aérea.

Existem dois problemas com esta solução. Primeiro, dado o que seria necessário para projetar, desenvolver e testar um Typhoon com capacidade nuclear, e muito menos os seis a oito anos necessários para a certificação, é tarde demais para ir com essa opção e cumprir a data de 2025 para a aposentadoria Tornado.

Segundo, mesmo que pudesse ser certificado para transportar a B-61, o Typhoon não será capaz de realizar a missão dentro de um ambiente de defesa aérea de alta densidade que já está cobrindo grande parte da Europa. O ataque com uma bomba de queda-livre requer a habilidade de voar sobre um alvo fortemente defendido e no primeiro dia de uma guerra. Sem ser stealth, é um alvo fácil.

Praticamente todos os líderes da força aérea da OTAN concordam que os caças de quarta geração, incluindo o Typhoon, não são capazes de sobreviver sem uma campanha extensa e prolongada para se opor a ameaça da defesa aérea. Apenas uma plataforma de quinta geração como o F-35 pode vencer as defesas aéreas atuais, muito menos aquelas que surgirão nas próximas décadas.

O desejo alemão sobre a aceitabilidade de um Typhoon com certificação nuclear a Washington é realmente motivado pela política industrial. Alemanha e França esperam iniciar o desenvolvimento de um caça de quinta geração (um projeto que levará pelo menos 15 anos). Mas se Berlim adquirir mesmo um número limitado de F-35, isso poderia minar os esforços para um novo jato europeu. De fato, o chefe da Airbus recentemente deu uma entrevista na qual declarou que “assim que a Alemanha se tornar uma nação membro do F-35, a cooperação em todas as questões de aeronaves de combate com a França irá morrer“.

O governo alemão não poderia ter escolhido um momento pior para bancar a política industrial com sua solene obrigação de participar da missão de dissuasão nuclear da Aliança. O presidente Trump já acredita que a maioria dos aliados da OTAN, incluindo a Alemanha, não está pagando sua parte pela defesa comum. Uma tentativa da Alemanha de incluir uma variante do Eurofighter na missão de dissuasão nuclear é outro sinal de que Berlim não está falando sério sobre cumprir suas obrigações com a Aliança.


FONTE: Defense News

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83 COMENTÁRIOS

  1. Besteira!!
    Só existe duas possibilidades de uso de bomba atômica novamente algum dia nesse planeta:
    1) Alguma organização terrorista muito lunática roubar alguma e tentar usar contra algum desafeto.
    2) Estados usarem contra alguma ameaça alienígena
    Tática, estratégica, chamem como for, Impossível

    • 3) Israel retaliar um grave ataque que ameace a população como um todo. Se os iranianos deveriam agradecer por fracassar sucessivamente.

  2. Otan belo exemplo do que é socialismo…muita gente dividindo a mesma responsabilidade leva a negligencia da maioria.

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