Aeronave North American B-25J Mitchell “Panchito”. (Foto: Fernando Valduga / Cavok Brasil)

Ao longo de seu programa de onze meses, os alunos da Escola Naval de Piloto de Testes dos EUA (USNTPS) têm a oportunidade incomparável de pilotar uma grande variedade de aeronaves – dos mais recentes caças ao mais antigo avião no inventário da Marinha dos EUA. Porém, para muitos estudantes, uma de suas experiências de voo mais memoráveis é a oportunidade de pilotar o “Panchito”, um bombardeiro médio B-25J Mitchell da época da Segunda Guerra Mundial, cortesia do Museu de Aviação de Delaware.

Por 16 anos, Larry Kelley, proprietário de Panchito e diretor executivo do museu, visita Estação Aérea de Patuxent River duas vezes por ano para permitir que os estudantes do USNTPS revezem-se no voo da aeronave em várias configurações. Kelley disse que “Panchito” permite que os alunos se envolvam com características de manuseio que são dramaticamente diferentes de outros tipos de aeronaves.

“Não há controles reforçados e nenhum computador”, disse Kelley. “Isso é tudo o que é chamado de voo com ‘braço forte’. Por mais fortes que seus braços sejam, precisa usar toda força que você tem.”

O tenente-coronel Rory “Pikey” Feely, diretor executivo da USNTPS, explicou que “Panchito” faz parte do programa de Avaliação Qualitativa (QE) da USNTPS, através do qual a USNTPS contrata vários operadores de aeronaves como forma de ampliar a experiência de teste de aviadores e engenheiros de teste de voo.

“As aeronaves no programa de QE são escolhidas por sua capacidade de reforçar os principais objetivos de aprendizado ensinados no currículo”, disse Feely. “O programa QE também apoia os instrutores da equipe, porque uma mentalidade de engenharia da aviação precisa de estímulo contínuo ao longo da carreira. Por isso, o USNTPS incentiva a participação da equipe no maior número possível de voos QE.”

O benefício de passar várias horas no convés de voo apertado do bombardeiro, contando com “medidores de vapor” analógicos, em vez dos mais recentes cockpits fly-by-wire, totalmente digitais, é que os alunos têm uma oportunidade única de testar sua adaptabilidade.

“Os aviadores que chegam aqui não passam a carreira inteira pilotando um tipo específico de avião”, disse Kelley, um dos três pilotos aprovados para pilotar “Panchito” como parte do programa QE. “Eles estão saindo daqui para entrar em um ambiente de teste. Para um piloto de teste, a adaptabilidade se torna muito importante.”

No “Panchito”, que os alunos apelidaram de “PB&J”, os estudantes não apenas praticam decolagens, pousos, voos de cruzeiro e curvas; eles também podem tentar outras manobras no programa de teste, como estols, dutch rolls e espirais, entre outras.

“É muito difícil alguém fazer algo que apenas ouviu descrever e nunca viu”, explicou Kelley. “Então, nesse primeiro pouso, somos parceiros de dança nos controles. Você precisa de um parceiro que vai assumir a liderança. Quando eu estava aprendendo a dançar swing, era assim. Você recebe um parceiro de dança que é profissional, que conhece a dança, e eles assumem a liderança, e então – bam – de repente, você pode acertar o passo.”

Como bônus, o voo é uma experiência memorável para pilotos e engenheiros. Kelley sempre lembra aos alunos que eles estão entrando no lugar de muitos jovens tripulantes do B-25 que rotineiramente deixaram um envelope no beliche para enviar para casa, caso não voltassem de uma missão.

O Museu da Aviação de Delaware administra um programa de treinamento de piloto em comando e segundo em comando no B-25 há cinco anos. O curso inclui ground school, bem como instruções de solo e de voo na aeronave. Dezenas de pilotos passaram pelo curso, mas Kelley disse que os pilotos de teste estão em uma classe separados.

“O que separa esse nível de profissionalismo de, digamos, um piloto de aviação geral amador é que, da próxima vez que pilotar o avião, eles poderão replicar sua experiência”, disse Kelley. “E isso é parte do objetivo desta escola – levar esses pilotos ao nível em que possam levar esse resumo e traduzi-lo em um voo e obter os dados de que os engenheiros precisam”.

“Estou admirado com o que esses homens e mulheres fazem”, disse ele.

Embora Kelley esteja voando há pouco mais de 50 anos – 22 deles no “Panchito” – dominar o B-25 foi uma luta para ele. Por outro lado, o melhor piloto natural do B-25 que ele já viu foi uma aluna da USNTPS que manipulou o avião como um veterano de guerra desde o momento em que ela afivelou o cinto no assento esquerdo.

“Ela era tão pequena que tivemos que colocar almofadas atrás dela para poder alcançar os pedais do leme”, lembrou Kelley. “No momento em que tiramos os calços, era como se ela tivesse crescido no avião.”

“O indicativo dela era ‘Duke’, porque eles disseram que ela andava como John Wayne”, acrescentou Kelley. “Mas eu nunca notei isso.”

Após sua graduação na USNTPS, “Duke” – a tenente-coronel dos Fuzileiros Navais dos EUA Nicole Aunapu Mann – passou a atuar como piloto de testes no F/A-18 do VX-23 antes de ser selecionada como um dos oito membros do Grupo de Astronautas 21, em 2013. Atualmente, Mann está treinando para estar no primeiro voo tripulado do Boeing CST-100 Starliner para a Estação Espacial Internacional no próximo ano.

“Os pilotos que chegaram a esse nível em sua carreira, não é por acaso que são selecionados para esta escola”, disse Kelley. “A adaptabilidade deles é mais rápida. As coisas dão errado nos programas de teste, então você precisa ter certeza de que tem o melhor dos melhores.”


Fonte: Tester

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