A NASA sempre trabalhou com a possibilidade do módulo lunar cair na Lua, o que gerou um dos episódios menos conhecidos da Guerra Fria, com a Agência Espacial e uma secreta Agência de Espionagem travando uma batalha nos bastidores.

A missão Apolo 11 foi um sucesso, mas a NASA sempre trabalhou com a possibilidade de um fracasso, com o módulo lunar caindo na superfície da Lua e, o que era pior, sem deixar dados de telemetria suficientes para os técnicos descobrirem o que houve e onde e o local da queda.

A possibilidade da missão Apollo 11 se transformar numa tragédia sempre foi real. Na imagem, cena do filme Apollo 18

Trabalhando com a possibilidade de uma tragédia, era preciso ter os meios para descobrir o que havia acontecido. Documentos tornados públicos mostram que a NASA e a Força Aérea dos EUA em 1967 elaboraram um plano, onde uma nave Apollo levaria até a órbita da Lua uma câmera de alta potência, derivada de um satélite de reconhecimento ultra-secreto, para visualizar o local do acidente, numa espécie de investigação secreta da cena de acidente. Acontece que setores da National Reconnaissance Office (NRO), uma organização altamente secreta, se opuseram, pois aquilo acabaria por revelar aos soviéticos a existência de tal equipamento.

A ideia da NASA consistia de um modulo contendo as câmeras e os filmes a frente do módulo de comando da espaçonave. Após o mapeamento, os astronautas recuperariam os filmes e descartariam o módulo. Obviamente que o módulo seria jogado contra o solo lunar, pois havia a possibilidade de que se ficasse flutuando na órbita lunar, era bem capaz dos soviéticos enviarem uma missão para recolher o equipamento.

As disputas nos bastidores foram intensas. No final, a NASA desistiu do equipamento. A Lockheed, em parceria com a Kodak, chegaram a construir um módulo, que com o final do programa foram entregues a NRO, que o teria destruído.

A seguir o discurso de Nixxon caso a missão Apollo 11 resultasse em tragédia:

“O destino ordenou que os homens que foram à lua para explorar em paz ficarão na lua para descansar em paz.

Esses bravos homens, Neil Armstrong e Edwin Aldrin, sabem que não há esperança para sua recuperação. Mas eles também sabem que há esperança para a humanidade em seu sacrifício.

Esses dois homens estão dedicando suas vidas ao objetivo mais nobre da humanidade: a busca da verdade e da compreensão.

Eles serão lamentados por suas famílias e amigos; eles serão lamentados pela sua nação; eles serão lamentados pelas pessoas do mundo; eles serão lamentados por uma Mãe Terra que ousou enviar dois de seus filhos para o desconhecido.

Em sua exploração, eles incitaram as pessoas do mundo a se sentirem como uma só; em seu sacrifício, eles ligam mais firmemente a irmandade do homem.

Nos dias antigos, os homens olhavam para as estrelas e viam seus heróis nas constelações.

Nos tempos modernos, fazemos o mesmo, mas nossos heróis são homens épicos de carne e osso.

Outros seguirão e certamente encontrarão o caminho de casa. A busca do homem não será negada. Mas esses homens foram os primeiros e eles permanecerão os principais em nossos corações.

Para todo ser humano que olhar para a lua nas noites por vir saberá que há um canto de outro mundo que é para sempre da humanidade”.

Richard Nixon

Felizmente o módulo não caiu, muito embora Neil pousasse com apenas 30 segundos de combustível, mas isto já uma outra história.


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2 COMENTÁRIOS

  1. Não dá para imaginar os níveis de coragem, sangue frio e determinação que estes caras estabeleceram em si mesmos para empreenderem esta aventura, saindo de seu planeta para ir passear em outro mundo, estando totalmente dependentes de uma tecnologia ainda arcaica, sem margens para erros.
    Acho que em se tratando das ações mais arriscadas já levadas a cabo, nada supera esta.

  2. E segundo um dos responsáveis da NASA pelas missões robóticas a Marte, com a tecnologia atual a % de sucesso de uma missão tripulada a Marte é de 50% que se não me engano era a mesma da Apollo.

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