A decisão de deixar Neil Armstrong dar os primeiros passos na Lua foi controversa, especialmente com seu colega Buzz Aldrin.

Era 1969. O presidente Kennedy havia prometido colocar um Homem na Lua e trazê-lo de volta em segurança antes do final da década. Era o último ano para o compromisso de Kennedy. A NASA não tinha certeza de que isso poderia ser feito dentro do prazo determinado. Haveria, talvez, apenas três oportunidades antes do vencimento do prazo.

No dia 6 de janeiro, o chefe do escritório de astronautas da NASA, Deke Slayton, chamou a tripulação da Apollo 11 – Neil Armstrong, Edwin “Buzz” Aldrin e Michael Collins – para seu escritório em Houston, Texas, e disse-lhes que a missão para qual eles estavam escalados para julho, “poderia envolver um pouso lunar”. Algumas semanas antes, a Apollo 8 havia feito a primeira viagem tripulada ao redor da lua, e as tarefas dos futuros voos Apollos 9 e 10 foram estabelecidas. A Apollo 9 testaria o módulo lunar na órbita da Terra e a Apollo 10 seria um ensaio completo na Lua – tudo, exceto o próprio pouso.

A tripulação da Apollo 11 foi apresentada à imprensa no dia 9 de janeiro e imediatamente os repórteres reunidos fizeram a grande pergunta: “Quais de vocês será o primeiro Homem a pisar na superfície lunar?”

Nos primeiros meses de 1969 Aldrin acreditava que ele seria o primeiro. Ele disse que nunca havia pensado muito e que naturalmente presumiria que seria ele o escolhido. Ele talvez estivesse certo em acreditar nisso: o administrador associado da NASA para o vôo espacial tripulado, George E Mueller, disse a várias pessoas, incluindo alguns membros da imprensa, que seria de Buzz a primeira pegada.

Mas logo tudo começou a apontar para Armstrong. Aldrin não gostou nem um pouco. Armstrong era um civil. Seria um insulto ao Serviço (militar). Ele mesmo era tecnicamente ainda um membro da Força Aérea, embora não estivesse na ativa por dez anos, exceto para manter suas horas de voo. Aldrin foi falar com Armstrong.

Aldrin escreveu mais tarde em seu livro de memórias (embora ele alegue que tal registro foi feito por seu co-autor): que ao confrontar Armstrong, o mesmo lhe disse “então com uma frieza que eu não sabia que ele possuía que a decisão era bastante histórica e ele não iria descartar a possibilidade de ser o primeiro”. Armstrong mais tarde disse “que não se lembrava da conversa”.

Aldrin conversou com colegas; para alguns, foi visto como um lobby nos bastidores. Gene Cernan (o último Humano a caminhar na lua) disse: “Ele veio um dia ao meu escritório no Centro de Vôos Espaciais tripulados com um semblante furioso, carregado de tabelas, gráficos e estatísticos, argumentando o que ele considerava óbvio – que ele, o piloto do módulo lunar, e não Neil Armstrong deveria ser o primeiro a descer a escada da Apollo 11. Como eu dividia um escritório com Neil Armstrong, que estava treinando fora naquele dia, achei os argumentos de Aldrin ofensivos e ridículos”.

Armstrong logo depois que ele coletou uma amostra de poeira lunar e pedras. Esta imagem foi tratada digitalmente para eliminar os borrões do filme original. Note a nitidez do rosto de Armstrong.

Não foi assim que Aldrin viu. Escrevendo cerca de 40 anos depois em seu livro Magnificent Desolation, ele disse que durante o treinamento no início de 1969 ele reconheceu que a grande responsabilidade recairia sobre seus ombros. Em todas as missões anteriores da Gemini e Apollo, as caminhadas espaciais foram realizadas pelo oficial subalterno enquanto o comandante permanecia dentro da cápsula espacial. Em fevereiro de 1969, esse também era seu plano, sustentava Aldrin. Ele disse que não estava solicitando o apoio dos astronautas mais velhos. Ele estava simplesmente se comportando como um competitivo piloto da Força Aérea. “Na verdade, eu realmente não queria ser a primeira pessoa a pisar na lua. Eu sabia que a mídia nunca deixaria essa pessoa em paz”.

No dia 14 de abril, a especulação chegou ao fim. Em uma coletiva de imprensa, a NASA anunciou que os “planos exigiam que Armstrong fosse o primeiro Homem a sair da nave depois do pouso na lua; alguns minutos depois, o Coronel Aldrin o seguirá”. Aldrin mais tarde disse acreditar que a disposição do módulo lunar ditava que Armstrong saísse primeiro porque estava à direita e a porta girava para Aldrin. Mas esse não foi o caso. Tecnicamente poderia ter sido Aldrin – eles só tinham que trocar de lado antes de colocarem suas mochilas.

Mais tarde, o diretor de vôo Chris Kraft explicou o pensamento da NASA. Ele disse que eles sabiam muito bem que o primeiro cara na lua ia ser um Charles Lindbergh moderno. Armstrong estava calmo, quieto e tinha absoluta confiança. Ele sabia que ele era do tipo Lindbergh. Ele não tinha Ego. Por outro lado, Aldrin queria desesperadamente a honra e não ficou quieto em deixá-lo ser conhecido. Kraft acrescentou que ninguém criticou Aldrin, mas que eles não queriam que ele fosse o embaixador da humanidade. “O design da escotilha não entrou nisso. Isso foi uma racionalização do projeto”.

Durante o primeiro semestre de 1969, houve momentos em que as coisas não correram, como diria a NASA, de forma otimizada. Quando a Apollo 10 decolou em maio para o voo de ensaio, Armstrong e Aldrin estavam passando até 14 horas por dia no simulador de desembarque em Cabo Kennedy, voltando para casa, para suas famílias em Houston, nos fins de semana. Aqueles ao redor deles estavam preocupados que eles estavam se treinando a exaustão e alguns se perguntaram quanto tempo eles poderiam continuar. Janet Armstrong disse que o marido freqüentemente voltava para casa com um semblante derrotado. Em junho, estava claro que o moral deles estava baixo. Cada um se perguntou se havia tempo suficiente para aprender tudo.

O novo administrador da NASA, Thomas Paine, também estava preocupado. Ele disse ao diretor do programa Apollo, Sam Phillips, que estava preocupado com a tripulação. Pouco depois, Phillips convocou uma reunião de revisão de prontidão de voo para perguntar se estavam forçando demais a equipe. “Estou totalmente preparado para atrasar se algo não estiver pronto“, disse ele. Charles Berry, diretor de pesquisa médica e operações em Houston, disse estar preocupado com a tripulação e gostaria de receber um atraso na missão. Deke Slayton, que determinou as tarefas da tripulação, relatou que Armstrong dissera-lhe que sim, que o cronograma era apertado e sim, eles estavam exaustos, mas o ritmo diminuiria no início de julho e eles descansariam então. A reunião decidiu que a Apollo 11 poderia avançar com o pouso e isso foi anunciado ao público no dia seguinte. Janet Armstrong viu o humor do marido melhorar.

No dia 20 de julho eles estavam na órbita lunar. Armstrong e Aldrin entraram no módulo lunar, apelidado de Eagle, para começar a aterrissagem. Nenhum deles esteve no simulador por cerca de duas semanas. Após a parte inicial da descida, eles realizaram a chamada manobra de pitchover, permitindo-lhes pela primeira vez ver a lua abaixo. Eles não reconheceram nada. Eles estavam indo para um grande campo de rochas, voando numa trajetória que nunca tinham voado no simulador. De volta ao Controle da Missão, o responsável pela comunicação com a missão, Charlie Duke, disse que era algo que eles nunca tinham visto: “Você sabe, ele [Armstrong] apenas sobrevoa a superfície a cerca de 120 km, e de repente não é nada do que você treinou por meses e meses. E diminui a velocidade e assumiu o controle do Eagle. O diretor de vôo Gene Kranz disse, nós nunca vimos alguém pilotando desta maneira em treinamento“.

Foi o momento de Armstrong. O maior teste para um piloto na história. Ele mereceu a primeira pegada.


Com informações do The Guardian

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1 COMENTÁRIO

  1. Armstrong ganhou a frente por vários motivos, pelo acidente com Guzz Grissom no simulador da Apolo l. No entanto, o que mesmo o levou a ser o comandante da missão Apollo XI foi sua ação para controlar a rolagem da nave Gemini VIIl, com David Scott. O cara teve sangue frio pra controlar a rolagem descontrolada acionando os motores de reentrada. Era introvertido, um NERD, nos termos atuais. Quando o comp u tador de bordo da Eagle ficou louco e o jogou Quilometros fora da area de pouso programada ele assumiu o controle e controlou a situação a poucos segundos do combustivel acabar. Um herói. Não existem fotos de Neil Armstrong na Lua, pois Buzz Aldrin se recusou a tirá-las. Ele está no reflexo do capecete de Aldrin na primeira foto deste artigo. Sempre foi o primeiro e mais capaz a realizar a missão. Buzz só foi nessa missão por ter se adaptado melhor as caminhadas no espaço, onde outros falharam, ele se deu bem, estudando os eros dos demais. Mike Colins era piloto de testes da Marinha. Acho que ninguém sabe mas no mesmo momemnto que a Eagle estava pousada no mar da tranquilidade, há 800km de distância a sonda soviética Luna 15 se espatifava na superfície lunar. Os russos querem ser os primeiros a coletarem rochas e amostras do solo lunar e o retornar a terra. Falharam, no meu ponto de vista em automatizar demais os voos espaciais, e o que as missões americanas provaram foi que era necessário intervenção humana nos controles e improvisações. Os dois programas tomaram direções opostas. Isso fez dos americanos os vencedores dessa corrida pra lua.