O filme Apollo 18 afirma revelar imagens de astronautas em uma missão secreta dois anos depois da Apollo 17 – a última expedição real à lua. De real nisso, só a verdade que a NASA se preparou para os voos Apollo 18, 19 e 20.

Há uma razão pela qual nunca voltamos à lua“, brinca o pôster do filme de ficção científica de horror “Apollo 18“. O filme afirma revelar imagens de astronautas em uma missão secreta dois anos depois da Apollo 17 – a última expedição à lua – ter voado em 1972.

Na verdade, a NASA se preparou para o voo das Apollos 18, 19 e 20, inclusive construindo as naves, os módulos e os foguetes. Mas essas missões foram canceladas por falta de verbas e o mais triste, a falta de interesse do público. Mesmo a proposta de um voo lunar por ano não foi suficiente para demover o Congresso dos EUA a liberar os fundos necessários (mas poucos anos depois aprovou a construção do Ônibus Espacial, consumindo tanto quanto uma nave Apollo – NT)

O mundo inteiro estava colado a Apollo 11“, disse David R. Williams, cientista do Centro de Vôo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. “Mas quando chegaram as missões 16 e 17 anos, o público em geral simplesmente não estava mais tão interessado“.

Mesmo antes da Apollo 11 o governo já havia eliminado as ambições mais altas do programa. Os planejadores tinham imaginado que um dos resultado do programa Apollo levaria a uma base lunar, por exemplo, e uma missão tripulada a Marte.

Poderia ter havido um programa muito mais prolongado com hardware muito mais interessante e missões complexas“, disse David S. F. Portree, gerente do Centro de Informação Planetária do US Geological Survey em Flagstaff, Arizona.

Na época que foi produzido, cada Saturno V custava US$ 9.4 bilhões. Atualizados para os valores atuais, este foguete que serve de ornamento custou US$ 99 bilhões!

Estabelecendo uma colônia lunar 

O programa Apollo inicialmente foi estabelecido com 10 alunissagens. A NASA até selecionou locais de aterrissagem para os  voos 18, 19 e 20.

As missões Apollo teriam examinado mais profundamente o ambiente lunar, retornando mais amostras de rochas para a Terra e realizando novos experimentos. Instrumentos teriam estudado a radiação da superfície da lua e os níveis de poeira em detalhes, a fim de estabelecer as bases para um eventual laboratório.

O principal ponto de um bom número desses experimentos foi determinar qual seria o ambiente lunar de longo prazo se você quisesse colocar uma base lá“, disse Williams. “A idéia foi que depois da Apollo eles construiriam um habitat semi permanente lá e teriam uma tripulação de astronautas para ficar algumas semanas [de cada vez]“. 

Em vez disso, o programa Apollo foi encerrado no início dos anos 70 e o foco passou para o Skylab. Esta estação espacial permaneceu na órbita baixa da Terra de 1973 a 1979 e foi assistida e equipada por astronautas nos módulos da Apollo. A última missão oficial da Apollo, o encontro com uma nave Soyuz no Espaço, foi um esforço conjunto com a União Soviética em 1975.

Essas missões faziam parte do Programa Apollo Applications (Apollo Applications Program – AAP), o sucessor da Apollo. “O Apollo Applications Program foi concebido para projetar o que a NASA estaria fazendo nos anos que se seguiriam a Lua“, disse Portree.

Alguns cientistas da NASA tinham grandes planos para entrar no estabelecimento da AAP em 1968. Mas o orçamento do programa alocado pelo Congresso restringiu severamente o que poderia ter sido, disse Portree.

Para Marte? 

Outra missão que nunca decolou, mas que estava nos planos, foi um voo tripulado até Marte usando o hardware da Apollo. Previsto para meados dos anos 70, a tripulação de quatro homens da missão conduziria observações telescópicas e realizaria experimentos em si mesmos para aprender sobre os efeitos na saúde da ausência prolongada de peso. Os astronautas retornariam à Terra cerca de um ano depois.

Outros objetivos propostos incluíam sobrevoos de dois planetas, tanto de Vênus quanto de Marte, bem como o lançamento de sondas para coletar amostras com retorno à Terra.

Com estas propostas, “houve a ideia de criar uma ponte – um pouco como a Gemini foi para a Apollo – para missões de pouso muito mais complexas em Marte nos anos 80“, disse Portree.

Os eventos não conspiravam para realizar expedições tão desafiadoras naquele tempo ou desde então. De acordo com Portree, o Congresso sentiu que a NASA precisava ser punida após o trágico incêndio da Apollo 1, que matou três astronautas em janeiro de 1967, e isso levou a cortes no orçamento para futuros empreendimentos. Os crescentes custos da guerra no Vietnã também não ajudaram o orçamento da NASA, e a nova administração de Nixon, eleita em 1968, queria criar sua própria política espacial distinta dos anos da Apollo.

Não fosse por esses fatores, acho que os sucessos mais ambiciosos da Apollo teriam acontecido“, disse Portree.

Legado tecnológico

A continuação do programa Apollo poderia ter produzido mais do que um legado de excursões planetárias. O programa Apollo gerou muitos dos chamados spinoffs – tecnologias comercializadas desenvolvidas pela NASA.

Exemplos famosos incluem desde espuma de colchões a alimentos liofilizados de longa duração, aspiradores de pó do tipo de mão, novos tecidos e materiais. Grande salto na tecnologia de computadores, produzindo processadores mais rápidos, menor consumo de energia e tamanhos menores de componentes, só para citar alguns. Até o seu confortável tênis é um subproduto da Era espacial.

Se Apolo tivesse continuado, “talvez o boom do computador tivesse acontecido mais cedo“, especulou Portree. “Talvez tivéssemos aprendido coisas novas sobre problemas médicos que as pessoas têm na Terra, porque estávamos tentando resolvê-los para os astronautas com destino a Marte.

Obviamente, onde a continuação do programa Apollo poderia ter levado e os avanços tecnológicos que poderiam ter provocado, continuam sendo ficção científica.

Embora seja improvável que uma hipotética Apollo 30 tenha colocado a humanidade em Marte, essa história alternativa parece menos exagerada do que a Apollo 18 encontrar alienígenas na Lua.


Com informações de Scientific American

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7 COMENTÁRIOS

  1. É dificil imaginar o homem numa base permanente, pequena ou grande, se não houver uma contrapartida financeira, tem que ter algo para lucrar, uma coisa é ir outra é ficar…

  2. Uma curiosidade: o Skylab foi um aproveitamento do 3º estágio do Saturno V que era chamado de S-IVB, retiraram os tanques e dentro construiram o laboratório.

  3. O grande erro da Nasa foi ter " colocado todos os ovos " no ônibus espacial, toda a verba disponível foi canalizada para esse programa, e que afinal se mostrou bem limitado, muito perigoso ( 2 ônibus terminaram em desastres ), e na prática bem pouco desafiador.
    Naves em órbita da Terra ? Ora, as Mercury, Geminis e Apollos tinham feito isso muitas vezes !
    Minha opinião:
    Com a $$$ desperdiçada nos shuttles, daria para lançar um outro 3º estágio de Saturn V para acoplar no Skylab, e leva-lo para uma órbita mais alta e segura ( ele ficou na órbita baixa e acabou caindo ), a Nasa teria praticamente uma estação espacial em órbita só sua, daria para usar as naves Apollo para tripular o laboratório de forma permanente, e isso 2 décadas antes da Estação Internacional, e com custos bem mais em conta.
    A pesquisa espacial em órbita estaria pelo menos 20 anos mais avançada do que hoje….
    Decisões erradas causam efeitos que duram muito tempo, isso fora as vidas humanas perdidas no Challenger e no Columbia.

  4. A palavra que define isso é prioridade. A União Soviética já não buscava uma corrida espacial, mas já começava a pensar na sua própria sobrevivência. Depois vieram os Ônibus Espaciais e agora vemos um novo hiato, onde americanos e toda sorte de astronauta é enviado ao espaço dentro de naves Soyuz russas. Quem está quebrando um pouco esta pausa, são as missões privadas. Não tenho dúvida que estaríamos habitando Marte hoje em dia se aquele ritmo louco do projeto Apollo tivesse continuado. Teríamos veículos elétricos e autônomos nas ruas. Impossível pensar nas evoluções causada por uma missão a Marte.

  5. As prioridades guiadas pelo novo mercado espacial e novas tecnologias com empresas privadas optando pelas tecnologias que atendam seus planos e interesses irá gerar um novo ciclo, com novos protagonistas, mercados e dinâmica econômica.

  6. Giordani, por falar nos planos de ir a marte, sugiro uma matéria falando do NERVA

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