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O fornecimento dos Super Tucano ao Líbano se dará através do programa LAS / Foto: USAF, em caráter ilustratvo

A Arábia Saudita cancelou um acordo de cooperação com o Líbano no valor de US$ 3 bilhões em armamentos. Segundo a agência de notícias estatal saudita SPA, o cancelamento deve-se às recentes posições diplomáticas libanesas diante da disputa entre a Arábia Saudita e o Irã. Ainda de acordo com as informações, o fornecimento à Força Aérea Libanesa (LAF) de seis unidades da aeronave de ataque leve e contra-insurgência Embraer A-29 Super Tucano, que também é custeado com recursos sauditas, não será afetado com a medida.

A anúncio da suspensão do acordo foi feito na última sexta-feira (19). As autoridades libanesas ainda não comentaram a notícia. O que se sabe é que os US$ 3 bilhões seriam empregados na aquisição de armamentos de fabricação francesa e que que seriam transferidos para o Líbano.

Um primeiro lote de armamentos franceses já teria sido, inclusive, repassado ao Exército libanês em abril de 2015. Na época, o ministro francês da Defesa, Jean-Yves Le Drian, afirmou que os embarques contemplaram dezenas de veículos blindados e artilharia de guerra moderna. Segundo um oficial militar libanês, o primeiro carregamento também incluiu mísseis anti-tanque. A lista completa de compras, entretanto, inclui 250 veículos de combate e de transporte, sete helicópteros de ataque, três corvetas e uma grande quantidade de equipamentos de vigilância e de comunicação. Os equipamentos, cujo valor total é de US$ 3 bilhões, seriam fornecidos ao longo de quatro anos. O Governo saudita também também deve interromper um contrato em separado, no valor de US$ 1 bilhão para equipar a polícia libanesa.

Ainda de acordo com as informações, o fornecimento à Força Aérea Libanesa (LAF) de seis unidades da aeronave de ataque leve e contra-insurgência Embraer A-29 Super Tucano, apesar de também ser custeado pelos sauditas, não será afetado com a medida, haja vista os recursos para o custeio das aeronaves teriam sido repassados no final de 2014, numa negociação triangular, envolvendo o Departamento de Estado americano. O fornecimento dos Super Tucano ao Líbano se dará através do programa LAS (Light Air Support) da Força Aérea dos EUA (USAF), o mesmo que está sendo usado para fornecer os A-29 ao Afeganistão.

Governada por uma monarquia sunita, a Arábia Saudita é rival de longas datas do Irã, que é xiita. Teerã apoia a milícia xiita libanesa do Hezbollah e também o presidente da Síria, Bashar al-Assad.

As relações entre Irã e Arábia Saudita pioraram no começo do ano, após os sauditas executarem o clérigo xiita Nimr Baqir al Nimr, conhecido por ser um crítico ferrenho da dinastia sunita Al Saud, que governa a Arábia Saudita desde 1932, quando o país foi fundado. A execução do clérigo irritou o governo do rival Irã, que afirmou que os sauditas pagariam um “preço elevado” pelo ato. A embaixada saudita em Teerã chegou a ser invadida e incendiada.

Four A-29 Super Tucanos arrive at Hamid Karzai International Airport, Afghanistan, Jan. 15, 2016. The aircraft will be added to the Afghans' inventory in the spring of 2016. The A-29 Super Tucano is a 'light air support' aircraft capable of conducting close air support, aerial escort, armed overwatch and aerial interdiction. Designed to operate in high temperature and in extremely rugged terrain, the A-29 Super Tucano is highly maneuverable 4th generation weapons system capable of delivering precision guided munitions. It can fly at low speeds and low altitudes, is easy to fly, and provides exceptionally accurate weapons delivery. It is currently in service with 10 different air forces around the world. (U.S. Air Force photo by Tech. Sgt. Nathan Lipscomb)
Embraer A-29 Super Tucano / Foto: USAF, em caráter ilustrativo

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FONTE: Defense News

EDIÇÃO: Cavok

 

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4 COMENTÁRIOS

  1. Não existem santos nessa região do globo, aliás, em nenhuma região, mas virar as costas a quem te promete 4 bilhõe$ de doleta$ não é brincadeira. Imagino que algum outro estado tenha prometido substituir esse aporte financeiro; ou talvez seja a lobotomização religiosa fazendo das suas.

    Saiu a venda da Embraer, tudo bem. No mais, que todos esses fundamentalistas e bitolados religiosos cavem seu próprio buraco.

    • A questão é que o Hezbollah é um elemento desestabilizador muito forte dentro do frágil equilíbrio interno libanês. Não apenas o seu braço armado é muito mais poderosos que o próprio exército local (vide terem disparado um míssil antinavio contra uma corveta israelense) como também, por ser um grupo que se opõe a Israel (embora na verdade trate-se de um grupo terrorista que trava uma guerra de procuração contra o Estado Judeu a mando de Teerã) acaba sendo muito popular em diversos segmentos da população local. Ademais, ele integram o governo do Líbano.

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