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Imagem da nuvem atômica de Hiroshima, a cerca de 30 minutos após a detonação a 10 km a leste do hipocentro

Às 8:15 da manhã do dia 6 de agosto de 1945, o B-29 ‘Enola Gay’ lançou sobre o Japão a primeira bomba atômica empregada em um combate na história mundial, e mudou o curso da humanidade.

Em 1945, com as defesas do Japão já em frangalhos, o Exército Imperial sob comando do imperador Hirohito tentava continuar com os combates mesmo vendo seus estoques de armas, combustível, equipamentos e sobretudo vidas de soldados se acabando. A rendição estava fora de questão e o país estava determinado a lutar até o último homem.

No decorrer daquele ano, os Aliados definitivamente frearam qualquer avanço do Japão pelo Pacífico e Ásia e iniciavam assim um processo de invasão forçada, uma vez que o inimigo não se rendia. Forças dos Estados Unidos e Inglaterra, além do apoio de países como China e Austrália, destruíram toda a marinha e força aérea japonesa, detendo qualquer chance de uma nova ofensiva.

Após estabelecer a superioridade naval e aérea, os Estados Unidos iniciou um doloroso e sangrento processo de enfraquecimento do Japão. Sem fábricas ou importantes pontos de infra-estrutura para atacar, afinal todos já haviam sido destruídos, iniciou-se um processo de aniquilação de cidades inteiras. Tóquio, Nagoia, Yokohama, Kobe, entre outras, foram arrasadas por incursões diárias e noturnas de bombardeiros Boeing B-29.

Com as grandes cidades destruídas e a persistência do Japão em não se render, iniciou-se o ataque a cidades médias, como seriam os casos de Hiroshima e Nagasaki.

Little boy

Durante a Segunda Guerra Mundial, devido aos investimentos na indústria bélica, houve um avanço tecnológico como nunca antes registrado. Surgiram materiais mais modernos, motores mais potentes e eficientes e mais uma série de contribuições que até hoje são aplicadas em diferentes aéreas. O mais importante deles foi a energia nuclear.

A bomba Little pesava 4 toneladas e exigiu a instalação de um guindaste a bordo do B-29

Em 1942 os EUA iniciaram o “Projeto Manhattan”, que consistia na conversão de aviões B-29 em bombardeiros capazes de levar uma enorme bomba nuclear que estava na fase final de desenvolvimento. A aeronave recebeu um guindaste interno montado sob uma estrutura em forma de H dentro da fuselagem com força o suficiente para elevar um artefato de até 4,5 toneladas.

As primeiras tripulações do B-29 de ataque nuclear iniciaram os treinamentos em total sigilo em dezembro de 1943 na Base Aérea de Muroc, na Califórnia. Em apenas dois meses, os aviões já lançavam bombas de exercício com as mesmas dimensões da “Little Boy”, nome dado a uma das bombas atômicas que os EUA estava desenvolvendo.

A bomba com ogiva de urânio tinha 71 centímetros de diâmetro, três metros de comprimento e 4.000 kg. Uma segunda bomba, com ogiva de plutônio (a “Fat Man”), era ainda maior, com 1,52 metro de diâmetro e 3,2 metros de uma ponta a outra e pesava 4.500 kg.

Modelo pós-guerra da bomba Fat Man. O artefato tinha ogiva de plutônio e pesava 4,5 toneladas

Devido ao enorme peso da bomba, pelo menos três B-29 caíram ao tentar decolar e esse risco seguiria até o lançamento da primeira missão em base de Tinian, nas Ihas Marianas, onde uma das aeronaves se acidentou com uma bomba de testes.

Treinamentos de navegação de longa distância com aviões carregando modelos da bomba atômica foram realizados em diferentes pontos isolados dos EUA e até mesmo sobre Cuba. Enquanto isso, cientistas norte-americanos explodiram o primeiro artefato nuclear, o Novo México, em 16 de julho de 1945. Estava tudo preparado.

“Maior acontecimento da história”

Os B-29 preparados e suas tripulações treinadas, então pertencentes a divisão 509º da Força Aérea dos EUA, foram enviados imediatamente para as Ilhas Marianas, no Pacífico, ao sul do Japão, onde já estava preparada uma base com todos os suprimentos para realizar o bombardeiro nuclear. O primeiro ataque foi marcado para o dia 6 de agosto de 1945, com autorização do então presidente dos EUA Harry S. Truman.

Tripulação do B-29 “Enola Gay” com o comandante Coronel Paul Tibbets ao centro

A missão foi coordenada pelo General Carl A.Apaataz, comandante da recém formada “Força Aérea Estratégica dos EUA no Pacífico”. Em 24 de julho o Genenal recebeu uma ordem que determinava que “lançasse sua primeira bomba ‘especial’ tão logo o tempo permitisse bombardeiro visual, depois de 3 de agosto de 1945, em um dos alvos: Hiroshima, Kokura, Niigata ou Nagazaki”, segundo relato do livro “B-29 Superfotaleza”, de John Pimlott.

As bombas Little Boy e Fat Man chegaram de navio a base de Tinian em 29 de julho em apenas três dias os aviões já estavam preparados para a missão.

No dia 6 de agosto às 1:45 da madrugada aviões de reconhecimento voando sobre o Japão relataram condições favoráveis para lançar um ataque com segurança. Às 2:45 o B-29 “Enola Gay”, nome da mãe do comandante da aeronave, o coronel Paul Tibbets, decolou em direção ao Japão com Hiroshima como alvo primário.

O Boeing B-29 foi o maior bombardeiro da Segunda Guerra Mundial, com capacidade para carregar até 10 toneladas de bombas

Uma hora após o avião alçar voo o oficial da marinha dos EUA especialista em explosivos, William Parsons, foi até o porão de bombas para armar o complexo sistema de detonação da Little Boy, processo que levaria uma hora e meia. Para evitar um acidente de proporção nuclear, o artefato era armado somente com a aeronave já voando a grandes altitudes.

Junto do Enola Gay voaram a sua frente outros três B-29 de reconhecimento transmitindo condições sobre o clima ou outras adversidades que pudessem comprometer o ataque (e a bomba), como uma ofensiva de caças japoneses ou disparos de artilharia anti-aérea. Com o caminho livre reportado, Tibbets partiu em direção a Hiroshima.

Folhetos eram lançados sobre o Japão, avisando sobre as 12 cidades que poderiam ser atacadas para que a população pudesse deixar a região a tempo. O texto dizia: “não podemos prometer que só estas cidades estarão entre aquelas atacadas…”

Às 8:15 da manhã o B-29 se aproximou do alvo a 460 km/h a 9.700 metros de altitude e a bomba foi lançada mirando a ponta do cais do porto de Hiroshima, que era o maior na região sul do Japão. Ao cair do porão a bomba imediatamente abriu um para-quedas estabilizador e o avião rapidamente iniciou uma curva para a direção oposta: 51 segundos depois, a 244 metros do solo, a bomba deflagrou, devastando a cidade.

Segundo relato da tripulação do Enola Gay, que vestia óculos de solda para se proteger do clarão da explosão, o “cogumelo” de fumaça gerado pela bomba podia ser visto a de 500 km de distância. O ataque matou imediatadamente cerca de 78 mil pessoas e causou a destruição de 48 mil edificações, além do dano a longo prazo com problemas de radiação.

Apesar do ataque devastador, a ação não levou a imediata rendição do Japão, que era exigida pelos EUA. Autoridades nipônicas iniciaram uma série de reuniões e novamente não chegaram a um consenso sobre abandonar a guerra e ceder as cessões. Não só isso, no dia 8 de agosto a União Soviética declarou guerra ao Japão e iniciou a invasão da Manchúria, no norte da China, região que estava sob controle dos japoneses.

Após dois dias sem nenhuma resposta, o presidente Trumam, que descreveu o ataque sobre Hiroshima como “o maior acontecimento da história’, autorizou uma nova incursão nuclear com os B-29 sobre outra cidade japonesa.

Hiroshima antes do ataque da “Little Boy” (a esquerda) e depois; a explosão da bomba causou a morte de mais de 70 mil pessoas

A destruição do Japão

No dia 9 de agosto de 1945, às 4:00 da manhã, decolou o B-29 “Bock’s Car” em homenagem ao seu comandante, o Capitão Frederik C.Bock, mas que seria pilotado nessa missão pelo Major Charles Sweeney. Para esse avião foi preparada a bomba Fat Man, com ogiva de plutônio e efeito ainda mais devastador. O alvo era Kokura, com Nagasaki como alternativa.

A missão do Bock’s Car, no entanto, não foi tão fácil como a realizada pelo Enola Gay três dias antes. Ao sobrevoar Kokura, a cidade estava protegida por uma nuvem densa e, apesar de três tentativas, o bombardeador não encontrou o ponto de lançamento. Com pouco combustível, Sweeney decidiu seguir para Nagasaki, onde aviões de reconhecimento transmitiam informações sobre céu claro.

O B-29 chegou a Nagasaki um pouco antes das 11:00 e lançou sua carga, devastando completamente mais uma cidade do Japão com apenas um tiro. Calcula-se que esse ataque deixou cerca de 80 mil mortos, além dos efeitos nocivos causados pelo material nuclear.

Tripulação do B-29 Bock’s Car, que foi comandando pelo Major Sweeney no ataque a Nagasaki

Com a população em pânico e o governo totalmente abalado, somado ainda a declaração de guerra soviética, o Japão reconheceu que tinha chegado o fim. Depois de reuniões de consultas com o Imperador Hirohito, a aceitação dos termos dos Aliados foi telegrafada aos líderes dos “Três Grandes” (EUA, Reino Unido e URSS), através da Suíça e Suécia.

Levou algum tempo para que os detalhes finais fossem acertados e a campanha de bombardeiro convencional continuou até 14 de agosto. A rendição do Japão seria assinada somente em 2 de setembro de 1945 e assim foi declarado o cessar fogo. Os EUA ainda tinham mais quatro bombas nucleares preparadas nas Ilhas Marianas.

Mesmo após os ataques nucleares, os bombardeiros convencionais sobre o Japão continuaram por mais cinco dias até serem encerrados em 14 agosto de 1945

A decisão pelo uso da bomba atômica, como descreveu o presidente Trumam na época, impediu uma invasão forçada do território japonês, o que poderia estender a guerra por mais um ano e causar elevadas perdas por parte dos Aliados durante esse processo.

Após a demonstração de poder infame da bomba atômica sobre o Japão, o artefato nunca mais foi utilizado em combate outra vez. Mesmo assim se tornou o armamento de dissuasão mais eficiente para uma nação. Atualmente os únicos países que possuem bombas nucleares são os EUA, Rússia, Reino Unidos, França, China, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel.


FONTE: Airway – EDIÇÃO: Cavok

IMAGENS: Domínio Público

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32 COMENTÁRIOS

  1. Ha muita controvérsia nessa história da bomba, no motivo do porque ela foi lançada. Os "grandes especialistas" se apoiam no fato de que as bobas atômicas, apesar de terem matado milhares de pessoas, salvaram um numero muito maior de pessoas, caso fosse optado por uma invasão ao arquipelago japones. Eu discordo deste ponto de vista, e vou esclarecer o porque para mim este é considerado um dos maiores genocídios e crimes de guerra da história da humanidade:
    1- Hiroshima foi escolhida a dedo, de forma que suas características de relevo eram ideais para se estudar o impacto da bomba, e também era uma cidade intacta pelos bombardeios convencionais anteriores.
    2-Nestes bombardeios, ja se presumia que a grande maioria da população das cidades seriam dizimadas, a isto incluem se mulheres, crianças,idosos, hospitais, escolas, etc, etc, etc.
    3-Os soviéticos estavam se preparando também para a invasão das ilhas, sendo que no mesmo tempo que as bombas foram lançadas, eles invadiram a manchúria com 1 milhão e 600 mil homens, sendo que a rendição japonesa seria apenas questão de tempo.
    4-Alguns especialistas afirmam que o japão ja estava estudando a sua rendição,o que torna ainda mais obvio após a aproximação do exército vermelho para a invasão do japão.
    Então,a conclusão que tenho é que as bombas foram lançadas com 2 motivos principais:
    primeiro e mais obvio: garantir o fim rápido da guerra, antes dos soviéticos invadirem o japão, de modo que o japão seria território de influência americana no pós guerra, como foi que aconteceu, já que eles perderam metade da alemanhã com a invasão soviética da mesma.
    segundo: Pearl Harbor tinha de ser vingada, mesmo sendo uma cidade cheia de civis,e não um porto militar.
    Desculpem quem não concorda, mas este é o meu ponto de vista…

    • o japão ja estava estudando a sua rendição…

      Dá uma olhada em Marpi point e Iwo Jima e depois tu vem falar em rendição japonesa….

      • Isso foi quando ainda havia alguma esperança ao império japones. Em agosto de 45 o império estava em frangalhos já, apesar de que a rendição para os japoneses eh algi muito mais vergonhoso do que para qquer outra nação, assim entendo. Essa questão de honra pra eles eh algo muito forte.

    • Concordo em partes…

      A Bomba não foi lançada contra o Japão e sim contra os russos.

      O Japão infelizmente foi a vítima.

      Essa estória de que o Japão estava rendido é ridícula, mesmo depois da bomba ainda muitos não aceitavam a rendição.

      Maior que as mortes pela bomba, as bombas incendiárias lançadas sobre Tóquio e as principais cidades fizeram mais vítimas, pois a maioria das casas eram feitas de bambu.

      Mais ai é outra estória.

      • Concordo, Symon…
        A rendição japonesa foi um processo bastante complexo, e a elite militar do país, que aquela altura já estava dizimado, ainda assim era contra.

        Não sou adepto da indicação de filmes produzidos por Hollywood para o relato de eventos históricos, entretanto reconheço que existem exceções a essa regra. Recomendo que assistam o filme “Emperor” (lançado em 2012). http://www.imdb.com/title/tt2103264/

        Os eventos narrados no filme ajudam a entender melhor como se deu a rendição do Japão.

        Sds!

      • Concordo que bombardeiros sobre toquio e ate mesmo sobre algumas cidades da Europa fizeram mais vitimas, mas é outra estoria….

      • Perfeito somente corrigir as casa eram feitas de madeira, não bambu.

        Ainda hoje o governo japonês mantém em um deposito o restos mortais de mais de 150 mil pessoas carbonizadas que não se tem identificação.

  2. Se não existisem chineses, russos e note-coreanos quem seria hoje o pior inimigo dos japoneses?

  3. Foi a arma definitiva, aquela que paradoxalmente tornou a paz possível. O moralismo seletivo dos antiamericanos patológicos sempre pinta os ataques a Hiroshima e Nagasaki como crimes de guerra mas esses hipócritas fazem questão de omitir o contexto. É fato que a despeito de estar em ruínas, com suas cidades sendo varridas por devastadores ataques aéreos com bombas incendiárias, o Japão não iria se render. Os líderes militares, especialmente o Primeiro Ministro Tojo, queriam combater até o último civil. As sangrentas campanhas de Iwo Jima e Okinawa foram amargas prévias do que viria na planejada operação Downfall, onde se planeja a perda de 270.000 soldados dos EUA e 1 milhão de civis japoneses.

    Do lados dos EUA havia um país cansado de guerra, com a economia em frangalhos, os cidadão já não muito dispostos a provações tais como guardar o óleo de cozinha usado, economizar sucata e comprar War Bonds. Sem falar em ter de enterrar seus filhos ceifados em batalhas cada vez mais encarniçadas. De igual forma a moral dos soldados escalados para a tarefa era baixa, especialmente entre aqueles que seriam transferidos do TO europeu. Imagine para um soldado que penou nas praias da Normandia e nas Ardenas ter de enfrentar os fanáticos japoneses? Por tudo isso, as duas bombas restam plenamente justificadas

  4. Quem quer ser politicamente correto hoje, tem que condenar o ataque. Ora meus amigos. É muito fácil julgar os atos de ontem. É muito fácil, no conforto do lar, com um belo computador, dizer que os EUA foram malvados. Amigos, façamos uma conta simples, da padaria do Vader. As forças japonesas por onde passaram mataram milhares de pessoas. Só na Manchuria foram mais de 100 mil!!! Sabem o que é isso? Na Coreia outros 50 mil. E outras dezenas de milhares. A bomba era inevitável. Ela salvou vidas. Foi uma estupidez? Claro que foi. Alguém já disse que "a única coisa bonita em uma guerra é a palavra vitória…"

    Os estragos que os japoneses causaram na região perduram, vocês sabem, até hoje. Ficar com essa cantilena de que os EUA são malvadões, de satã do norte e todo aquele blá-blá-bla é gastar saliva e bites. Mortes por mortes a URSS matou muito mais sem usar uma única arma atômica.

    "Veja! Eles detonam artefatos nucleares dentro da atmosfera!" (QUARK, DS9)

    • Imagina quantas mortes teria se a URSS solta-se a Tsar bomb em uma cidade grande?

    • Concordo que não era uma decisão fácil não usar a bomba. Mas creio que uma demonstração apenas, destruindo uma ilha desabitada próxima do Japão já seria desanimador o suficiente. Tipo: "Ou vocês se rendem ou a próxima bomba cairá em Tóquio".

    • Julgar uma guerra em tempos de paz e ainda sabendo qual foi o seu desfecho é muito fácil, ainda mais se a guerra não tiver sido em seu país é mais fácil ainda, mas tomar a decisão de jogar uma bomba atômica, mesmo que seja para salvar sua população e forçar a rendição do oponente, não é fácil como muita gente pensa e a decisão do presidente Trumam foi sem dúvida a mais difícil desses últimos séculos, mesmo tendo sido para matar seus inimigos.
      Muito bom GIORDANI sua linha de raciocínio.

      • Nossa geração não pode ser responsabilizada por aqueles atos. Temos sim que respeitar e aprender com eles, seja para o Bem, seja para o Mal. Aquelas pessoas fizeram o que tinha de ser feito.

  5. Os japas fizeram muita merda na época, algumas atrocidades como experiencias químicas e biológicas em campos de concentração nem a SS fez, milhares de civis chineses, filipinos, coreanos e etc. morreram.
    Após as 2 bombas o imperador maldito não queria se render, só se rendeu após ataque convencional a capital e depois de ser avisado que o próximo seria com a nova arma na cabeça dele ahah.
    A situação dos japas era tão feia após a guerra que se não se rendesse aos americanos, os soviéticos estavam na portinha para tomar tudo aquilo, e duvido que a Russia iria abrir mão da Ilha nos dias de hoje ahaha.
    Até hoje algumas feridas estão abertas, os xing-ling não se esqueceram da passagem japa por lá e estão loucos para dar o troco.

    A bomba nuclear é por alguns chamada de bomba da paz, após o seu uso o numero de vitimas civis e militares em conflitos caiu significativamente.
    Eu gosto desse termo, claro que eu não suporto ver um corpo de uma criança carbonizada mas infelizmente a minha raça fez, faz e fará guerras, faz parte de sua história, não podemos nos acostumar com isso mas também não posso crer que o povo vai adotar a "paz e o amor".

    • Só pra lembrar, o Brasil sabe fazer nukes, tem os cálculos de uma das mais avançadas ogivas do mundo a americana W87, fruto do conhecimento de um gênio brasileiro.

      E que fique assim, saber fazer ja é relevante.

      ps* Quem não souber dessa história, procure na net que tem artigos e livro do próprio físico criador dos cálculos.

    • Chinês x Coreanos x Japonês, não se cruzam e isto vem de séculos não e coisa que se iniciou no século passado, eles tem rivalidades a mais de 1000 anos.
      Nos próximos 500 anos não existira mais rivalidade entre Argentina e Brasil?
      E Indianos x Paquistaneses, Turcos x Gregos, Israelenses x Árabes, Arabes x Pesas, Curdos x Turcos, Portugueses x Espanhóis, etc…
      E fácil associar tudo e resumir a SGM mas infelizmente a coisa vem de muito mais longe.

  6. Aos que ainda duvidam da necessidade das 2 bombas atômicas, há um livro muito interessante de autoria de Jim B.Smith : A última missão – A história secreta da batalha final da 2ºGM.
    Seis dias após o ataque a Nagasaki, ainda sem sinais de rendição por parte do Japão, os americanos efetuaram um novo ataque, desta vez levado a cabo por 134 B-29 saídos de Guam, à refinaria de petróleo Nippon em Tsuchizaki , distante 480km de Tóquio, acabando de vez com qualquer esperança de continuarem a combater; pois sim, mesmo com os ataques nucleares, Tojo e cia, queriam permanecer na luta, porém sem combustivel , e com a ameça nuclear sobre sua cabeça, Hiroito por fim se convenceu a destituir Tojo e aceitar a rendição, que só foi oficializada a 2 de setembro.

    • Na verdade essa história é bem controversa. Tem muita gente que defende que a rendição ocorreria de qualquer maneira em breve. Mas, mesmo se fosse necessário, não creio que um livro escrito por um americano seja indiscutivelmente válido com verdade absoluta, como você disse. Não digo que o autor está errado, mas a verdade é que isso gera muita discórdia até mesmo entre historiadores. Então, como ter certeza???

      • Apesar de haver muita contradição , o fato é que o Japão havia sim sinalizado com rendição, porém não com a incondicional, que seria a única aceita pelos aliados, .Queriam ficar com territórios conquistados e com suas forças armadas independentes, o que poderia cheirar mais como um cessar fogo.Acho que qualquer um que tivesse que tomar tal decisão – bombardear , ou não – não pensaria duas vezes, pois o que é melhor, matar o inimigo ou morrer alguém próximo, por exemplo um filho?
        O fato inegável, é que provocaram e causaram verdadeiros genocídios, vide Manilha e Nanquim, só pra citar duas cidades. E no fundo, o pensamento japonês da época, de lutar até o fim, é que acabou acarretando o desastre .
        Hoje, quando vejo comentários condenando abertamente o ataque,gostaria de ver essas pessoas naquela época, tendo que ver seus entes queridos morrerem, para um inimigo que havia sim procurado a guerra.

        • Justificar o ataque para quem sofre até hoje os danos causados também não é fácil. Enfim, como disse antes, talvez um ataque de aviso em uma ilha próxima e desabitada tivesse o efeito desejado, mas não dá para saber também. No mais, como também já dissseram, os ataques foram para a Rússia, e não apenas acabar com a Guerra. Mas eu concordo com alguns aqui: hoje é muito fácil julgar, houve crimes bárbaros de todos os lados, talvez os japoneses fizeram pior que todos.

  7. É porventura a decisão mais polémica que o Homem tomou. Não acredito que tenha sido tomada de ânimo leve, contudo, concordo com aqueles que acham que foi a decisão correcta a tomar, embora com consequências dramáticas, mas que poupou milhares de vidas (500 mil mortes eram as estimativas para uma invasão do Japão) aos aliados, EUA, no caso. Não poupou os japoneses, é certo, mas a guerra resume-se a isso mesmo. Nossos mortos ou os mortos deles.
    O Japão iria resistir até ao fim, pois ainda não tinha acordado do torpor nacionalista que moldava a sua acção e existência enquanto sociedade desde a Restauração Meiji.

    A utilização da arma atómica teve ainda o condão de dissuasão da sua utilização futura, embora por caminhos tortuosos, pois ainda assim o Homem achou necessário desenvolver a Bomba de Hidrogénio, dezenas de vezes, ou até mesmo centenas de vezes, mais mortal, para a Humanidade e para a Natureza simultaneamente.

    Não deixa de ser impressionante a fotografia do antes e do depois, ficou reduzida a pó.

    Impressionante é também a história do Homem, no que concerne a desenvolver pequenas "bombinhas atómicas" para usos estúpidos, como para abater formações de aviões, frotas de navios, ou até mesmo para abrir buracos para a engenharia…
    https://en.wikipedia.org/wiki/Sedan_(nuclear_test

    "É só uma explosãozinha… deixa mamãe… só uma…"

  8. No meu entendimento foi um mal necessário e também consolidou os EUA como temível potencia nuclear.

  9. Tem um gráfico na internet que mostra as mortes por guerras no mundo todo, vai só aumentando atingindo o pico no final da segunda guerra e depois da bomba atômica as mortes reduzem drasticamente e estabiliza ao redor de 100 mil por ano, o mundo nunca foi tão pacífico depois dessa bomba, ninguém quer ter suas cidades destruídas, é uma dissuasão muito boa.
    http://thinkprogress.org/security/2013/12/11/3036

  10. Eu adoro estudar história. Quanto mais eu me aprofundo no tema, mais eu vejo que não existem decisões corretas na guerra. Sempre que um problema existe, a tomada de decisão é crítica, e a mesma é melhor avaliada pelos resultados, e esses resultados váriam ao longo do tempo e mesmo após a guerra em que foi tomada. Uma decisão que foi considerada bem sucedida, alguns meses depois (ou dias, horas, anos, tanto faz), se torna mal sucedida.
    No caso da decisão pelo bombardeio nuclear, olhe os resultados, o Japão se rendeu, se recuperou, se tornou uma potência e é referência mundial em vários setores.
    Isso não torna essa decisão nuclear correta, mas se avaliarmos que o Japão, com a ajuda de seu antigo inimigo, se tornou um país melhor do que era antes da guerra, isso nos permite diser que foi uma boa decisão pela lógica atual. No futuro, novas gerações possam ver diferente… Por isso digo, não há decisões corretas, só uma enorme infinidade de conclusões entre o bom e o ruim.

  11. O EUA já tinha destruído quase todas as grandes cidades japonesas, mas tem uma coisa que me despertou interesse, o porque o parlamento japonês e o palácio imperial em Tóquio não foram destruídos?
    O Eua poupou atacar também a cidade de Kyoto a antiga capital japonesa, nenhuma bomba foi jogada em Kyoto, ainda bem porque ali fica a maioria dos centros históricos japoneses.
    Cheguei a conclusão de que o Eua não queria matar nenhum membro japonês de alto escalão nos ataques a Tóquio para evitar que a população japonesa se revoltasse e lutasse ate o ultimo homem.
    O EUA fazia bombardeios contra civis para ver se a população se revoltava contra o governo mas isto não ocorreu, como o imperador era um Deus ninguém se atrevia ir contra sua vontade.

    • Neste caso os EUA não mataram Tojo, porque é melhor manter um único líder vivo e demostra-lo através da força que a rendição é o melhor caminho, do que matar seu líder e o país se tornar um caldeirão de facções onde conquistar cada uma delas seria mais difícil que somente um líder que para eles era um Deus.

  12. Pelo que li aqui nos comentário, eu não tenho muito o que falar por ser um tema muito polêmico e ainda tendo sido defendido de forma honrosa cada um de seus pontos de vista: tanto da necessidade de ter tido para jogar e de não ter que jogar a bomba.
    Então a única palavra que eu vou dizer é exatamente o que tinha escrito no avião câmera para fotografar o ataque do dia 6 de agosto: Necessary Evil
    https://en.wikipedia.org/wiki/Necessary_Evil_(air

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