A Austrália estuda adquirir mais 18 caças Super Hornets da Boeing. (Foto: MoD Australia)

O desenvolvimento do revolucionário Joint Strike Fighter, destinado a oferecer a defesa aérea da Austrália neste século, está com o desenvolvimento bem atrasado e a RAAF (Real Força Aérea Australiana) pode precisar comprar mais 18 Super Hornets por US$ 1,5 bilhão para preencher essa lacuna.

Autoridades de defesa australianas seguem para os EUA nessa semana para uma receber uma atualização da Lockheed Martin Corporation, que está desenvolvendo o caça stealth multi-função JSF, agora chamado de F-35 Lightning II.

Os australianos entendem que o atraso levantará sérias preocupações sobre o projeto e na possibilidade de criar um grande e preocupante buraco na defesa aérea da Austrália a partir de 2020.

Um relatório recente do governo dos EUA indica que o programa JSF, já em atraso e com orçamento elevado, provavelmente vai passar por adicionais pressões relacionadas a produção e custos.

A Austrália planeja adquirir até 100 caças F-35 por cerca de US$ 16 bilhões e, até agora, encomendou 14, com o primeiro esquadrão da RAAF devendo estar operacional em 2018.

No entanto, a Força Aérea dos EUA, assim como a RAAF, está comprando a mesma variante do JSF, e adiou as datas em que esperava ter seu primeiro esquadrão operacional, a partir de meados de 2016-2017, sendo que agora, possivelmente, terá em meados de 2018.

Os funcionários da Lockheed Martin insistem que os problemas que os EUA possuem não significam que a Austrália vai sofrer com eventuais atrasos na entrega das primeiras 14 aeronaves.

Mas há uma crescente preocupação em Canberra, que os atrasos dos EUA significam que primeiro esquadrão da RAAF não ficará pronto até a metade de 2020 e possivelmente ocorrerá além dessa data.

Com isso foi disparado um alarme na RAAF, pois é provável que até 2020 os últimos cerca de 30 caças “antigos” Hornet da RAAF chegarão ao final de suas vidas úteis, mesmo com uma modernização.

O governo australiano adquiriu 24 Super Hornets por US$ 6 bilhões em 2007 para preencher uma anterior lacuna estratégica, quando deixou de operar seus caças bombardeiros F-111, retirados antes do tempo devido a preocupações com a fadiga estrutural.

Funcionários da Defesa estão preparando para o governo uma série de opções para preencher esta lacuna que aparece na defesa aérea numa maior probabilidade de ser a compra de mais 18 unidades do Super Hornet por US$ 83 milhões cada.

Isso faria sentido em termos econômicos, porque o preço de compra de US$ 6 bilhões para as primeiras 24 unidades do Super Hornet incluía a infra-estrutura para mantê-los e que poderá ser usado nos aviões adicionais.

Outra opção poderia ser mais renovações dos “clássicos” Hornets.

Funcionários da Organização de Material de Defesa da Austrália irão juntar-se as delegações de todas as nações envolvidas no projeto JSF para uma coletiva abrangente sobre os progressos realizados nesta semana.

Existem três questões-chaves relativas ao JSF, conforme seu desenvolvimento progrediu – se o F-35 fará tudo o que prometeu, se ele será entregue a tempo e se vai custar mais do que o previsto.

Aos australianos tem sido dito que o desenvolvimento do avião, que é equipado com radares sofisticados e outros equipamentos eletrônicos, está progredindo bem e é provável que atendam ou superem as expectativas dos nove países envolvidos no seu desenvolvimento.

Mas há uma crescente preocupação da RAAF que a aeronave deva estar bem atrasada e um aumento contínuo dos custos está comendo a margem considerável incorporada ao contrato pelo Departamento de Defesa da Austrália.

O plano original era para a Lockheed construir 2.443 JSFs para diversas forças americanas, com cerca de 500 outras unidades que serão destinados para os aliados, incluindo a Austrália, Israel e Canadá.

A intenção é que a RAAF consiga seus primeiros dois F-35s em 2014, apesar dos atrasos de produção os EUA, de acordo com a Lockheed Martin.

Os dois primeiros F-35 permanecerão no solo dos EUA, e os pilotos australianos e pessoal de apoio no solo irão para os EUA para treinar nas aeronaves.

Fonte: The Australian National Affairs – Tradução e Adaptação do texto: Cavok

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41 COMENTÁRIOS

  1. Chico F-16,

    Não entendi o bem vindo, pois sempre estive por aqui… he he he.

    Observe que a US Navy, assim como a US Air Force, tem sempre um novo avião de combate entrando em operação, mas não necessariamente substituíndo todos os modelos.

    Na linha dos caças de defesa da frota foram:
    F-8 Crusader, F-4 Phantom, F-14 Tomcat e F-18E/F SuperHornet.

    Na linha dos aviões de ataque foram:
    A-1 Skyrider, A-4 Hawk, A-7 Corsair e F/A18 Hornet.

    Na linha dos aviões de interdição foram:
    A-3 SkyWarrior, A-6 Intruder e, o mais engraçado, o Hornet e o SuperHornet.

    Os lançamentos eram mais ou menos intercalados, quando uma aeronave de ataque estava entranto em operação os caças estavam totalmente operacionais. Assim sendo diminuia o risco de ter toda uma Ala Aérea Embarcada (Carrier Air Wing) em transição ao mesmo tempo.

    Assim sendo, mesmo com a busca por aeronaves polivalentes que teve início como o F-18 A/B Hornet, dificilmente veremos uma substituição total das aeronaves embarcadas.
    (O tema aeronave polivalente daria outro debate quilométrico… he he he)

    Em 2025, quando o JSF já estiver maduro e tomado o lugar dos F-18 A/B/C/D Hornet e AV-8B Harrier II no serviço naval, deverá estar em teste o substituto do F-18E/F Super Hornet, que estará na descedente da sua curva de obsolecência natural. Como o CAVOK já noticiou (link acima), o substituto do Vespão será outro.

    É sempre bom lembrar que:
    Para um avião começar a ficar obsoleto basta apenas voar… he he he.

    Quanto às compras, como foi no passado, a Marinha e os Fuzileiros dos EUA iram sempre priorizar a compra do mais moderno, que será o F-35B e F-35C.
    Mas nem por isso deixará de usar e atualizar (MLU) os seus resistentes e úteis F-18E/F SuperHornet. É natural.

    Abç,
    Ivan. 🙂

    • Ivan, os dados que vc postou são corretíssimos. O que acho que vc não entendeu foi o que eu disse.

      O que falei é que a Boeing sabe que a vida dos Super Hornets será paralela às dos F-35 por um bom tempo. O que quis dizer é que com os atrasos do F-35 e com a chegada do fim da vida dos primeiros Hornets a chance de novas encomendas dos Super Hornets aumentam. Basta ver que já houve essa discussão até no congresso americano. Se o cronograma dos F-35 não tivesse atrasado a Austrália com certeza não compraria o Super Hornet e nem a USNavy faria pedidos adicionais.

      Acho que na Boeing a torcida contra o F-35 deve ser grande inclusive por isso. Além, é claro, dele ser oriundo do projeto concorrente ao da própria Boeing

      • Mauro,

        Entendo agora seu ponto de vista, e concordo totalmente.

        Acrescento apenas mais um detalhe, que reforça seu argumento, a alta taxa de atrito das aeroanaves norte americanas em face das diversas campanhas em que estão envolvidas, particularmente no Afeganistão.

        Uma coisa é treinar em tempo de paz, pertinho de casa, outra é atuar em vários teatros de operação do outro lado do mundo.

        Pelo que li, e vc certamente leu também, até mesmo vários F-18A Hornet que estam mais conservados foram recuperados (MLU) para preencher as lacunas dos esquadrões de combate.

        Sds,
        Ivan.

  2. Pessoal, me desculpem a burrice, mas eles vão adquirir 18 caças por menos de 2 bilhões de dolares certo?
    Então por que nosso FX-2 custa 36 caças orçados a mais de de 7 bilhões de dolares? (pouco mais de 10 bi de reais…)??

    Esse 'plus' é o valor pago para ter a tecnologia ?

    • Não só isso Fernando….é o valor pago pela primeira encomenda é maior pq envolve treinamento, armamento, sobressalentes, etc.
      Note que o primeiro pedido da Austrália para "apenas" 24 super Hornet foi de mais de 6 bilhões de dólares….
      Portanto é normal nesse tipo de negociação que a primeira compra tenha um valor bem maior do que os das subsequentes.

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