O triste cenário de destruição causado pela queda do jato. (Foto: Luis Benavides/AP)
O triste cenário de destruição causado pela queda do jato. (Foto: Luis Benavides/AP)

O diretor da companhia aérea LaMia, o general boliviano Gustavo Vargas, disse em entrevista ao jornal colombiano “El Tiempo“, que a aeronave que transportava o Chapecoense deveria fazer uma parada técnica, com a possibilidade de reabastecer no município de Cobija, na Bolívia.

De Santa Cruz tinha que ir a Cobija e, depois, para Medellín. No entanto foram direto até Bogotá, onde o capitão tinha que ver a possibilidade de seguir ou aterrissar“, disse Vargas. “Pelo visto, se o piloto Miguel Alejandro Quiroga Murakami continuou, é porque podia“, afirmou.

Se avaliasse que não tinha combustível, tinha que entrar em Bogotá para reabastecer. O aeroporto de Bogotá, segundo o plano de voo, era a alternativa. Antes de passar por Bogotá, tinha que tomar a decisão: se tivesse combustível, tinha que seguir, mas, se havia algo errado com o combustível, devia pousar em Bogotá“, disse o diretor da LaMia.

A emergência

Segundo o co-piloto da Avianca Juan Sebastián Upegui, que estava voando por perto no momento do acidente, enquanto uma aeronave da Viva Colômbia estava pousando, de repente chegou o piloto do voo da LaMia e disse: “solicitamos prioridade para aterrissar, temos problemas de combustível. Mas, nesse momento, ele não se declarou em emergência”.

Momentos depos, segundo Upequi, a controladora de voos do Aeroporto de Rionegro afirmou ao piloto da LaMia: “temos um problema, um avião está aterrissando em emergência“. – Se referindo ao avião da Viva Colômbia.

Ainda de acordo com o co-piloto da Avianca, a controladora de Rionegro pediu à tripulação do voo da Avianca 9256 que virasse à esquerda, quando o piloto de LaMia passou por eles a toda.

Quando o piloto da LaMia iniciou a descida, declarou-se em emergência. Começou a dizer que tinha falha elétrica total e pediu vetores (rota mais rápida para aterrissar) para proceder a descida. Ajuda, vetores para alcançar a pista, repetiu“, disse o tripulante da Avianca.

Veja abaixo a transcrição do áudio fornecida pela Radio Blu da Colômbia dos momentos finais do voo:

Piloto: Senhorita, LaMia 933 está com falha total, falha elétrica, sem combustível.

Torre de controle: Pista livre e esperando chuva (…) LaMia 933, bombeiros alertados.

Piloto: Vetores senhorita, vetores para a pista.

Torre de controle: O sinal de radar foi perdido, notifique rumo agora.

Piloto: Estamos a rumo 360

Torre de controle: Vire à esquerda 010 proceder ao localizador da borda Río negro, uma milha na frente da Bora (…) no momento se encontra, correto, te confirmo pela esquerda com rumo 350.

Piloto: À esquerda 350 senhorita.

Torre de controle: Sim, correto, você está a 0,1 milha da borda Río negro.

Torre de controle: Não tenho sua altitude, LaMia 933.

Piloto: 9 mil pés senhorita.

Piloto: Vetores, vetores.

Torre de controle: Você está a 8,2 milhas da pista.

Torre de controle: Que altitude tem agora?

Torre de controle: LaMia 933, posição?

Ouça o áudio completo abaixo:

Fonte: G1

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32 COMENTÁRIOS

  1. O jato estava voando no limite do alcance, o piloto acreditou que não precisava pousar para reabastecer, e então os fatores meteorologia e a emergência do Viva Colômbia… É, complicado!

    • Lei de Murphy. O piloto contava com a sorte em uma escala incontrolável.

  2. Sempre erro humano, um dia espero ver a automação chegar na aeronáutica.

  3. As aeronaves possuem alarme avisando tempo crítico de combustivel, nem sei se é necessário levando em conta a rotina do piloto, só uma duvida mesmo.

    • Sim, o piloto recebe alarme.

      Quando o piloto coloca sua rota no FMC da aeronave, o piloto recebe os dados de quanto combustível vai ser necessário, dito isso o piloto estava consciente de quanto combustível sobraria.

      • O equipamento informa a quantidade de combustível necessária, mas o piloto pode ignorar as regras de segurança e optar por voar além do limite recomendado, não deixando assim reserva para um tempo de espera e nem para um eventual deslocamento para um aeroporto alternativo.
        Não sei se foi este o caso, mas sabemos que a aeronave queimou todo seu combustível antes de cair.

      • Porque ele não atacou a pista direto? dez minutos antes da queda, pelo menos, os sistemas já deveriam ter anunciado o fim do combustível. Entre o caos no aeroporto e a morte de todos…

        • Na realidade ,foram varios fatores para este acidente ter acontecido.
          O A320 da Viva Colombia deve ter relatado emergencia ou prioridade bem antes ,pois na divisa com o Panama ele curvou a direita e começo a retornar ,por isso creio que o BAe não ter tido a prioridade para pousar antes dele,pois quando se tem dois aviões na memsa situação de prioridade ,acho que quem pediu primeiro tem a preferencia não ?

  4. O acidente aéreo sempre acontece devido a um conjunto de fatores.
    Até agora tudo indica que ouve falha humana com relação ao calculo do combustível agravada pela emergência do voo da Viva Colômbia.
    A pane elétrica reportada pelo piloto pode ter sido causada já pela falha dos motores devido à falta de combustível. Parece que o avião já não tinha a reserva necessária para um tempo de espera e nem para se deslocar a um aeroporto alternativo.
    Infelizmente vidas preciosas se perderam.

    • Sim, a APU apagou. Ao que parece o piloto já fez outras viagens "no cheiro", pousando criticamente neste aeroporto. Mas aparentemente o avião, que é beberrão, estava em MTOW, carga máxima, e faltou aqueles 50 contos de gasolina…

      • Não acho que a APU estava sendo usada, não faz nenhum sentido. Só consumiria mais combustível.

        • Caro amigo Ufric.
          Difícil analisar o caso não é.
          Até agora tudo indica que foi falha humana agravada por um fator externo: O voo da Viva Colômbia.
          Eu particularmente não compreendo como um piloto comercial pode chega ao extremo da irresponsabilidade de voar com o combustível apenas no cheiro, descumprindo os limites mínimos de segurança como "parece" ser este caso.
          Mas antes de julgar, vamos esperar o fim das investigações que como sempre irá demorar meses.

          • Conmebol né. A confederação recomenda a empresa com preços atrativos e algumas customizações, provavelmente tenha ligação de donos da empresa com dirigentes, como ocorre em toda federação de futebol. E aí, pra cobrar barato e oferecer esse algo mais, em alguma coisa tem que cortar custo.

            • Eu falei no outro post, se investigar isso a fundo , essa recomendação da CONMEBOL, vamos achar muita coisa errada…

              • A CONMEBOL indicou uma empresa sulamericana especializada em charter e certificada em seu país, com uma boa aeronave e que até então tinha cumprido com seus contratos.

                • Pode ser, sim, pode ser, mas quem acompanha futebol e conhece essa confederação sabe que ela não da ponto sem nó! Pode ser que eu esteja sendo muito chato, mas não custa absolutamente nada investigar essa "recomendação".

      • Pois é amigo Kwhvelasco.
        Pode ser aquele excesso de confiança: ja voei assim outras vezes e da para voar de novo. Sem escala técnica para a gente não perder tempo. E aí como você disse, pode ter faltado aqueles "cinquenta contos de gasolina".
        Estas conclusões são baseadas nas informações que temos até agora.
        Fica difícil julgar, mas tudo indica que infelizmente ouve falha humana.

  5. Essa empresa aérea nem devia voar além da Bolívia. Era a Fed. Sul americana que indicava essa empresa para voar. Foi por isso que a seleção da Argentina usou para o jogo contra o Brasil em BH pulando carniça. Caso seja Pane seca os donos que sobraram nem devem ter seguro para voar e indenizar as vítimas.

  6. Em aviação um acidente é o resultado de uma série de incidentes.

    A confirmar-se este cenário (falta de combustível) essa informação não estava apenas na posse do comandante de voo.

    Alguém validou o plano de voo. Pelos vistos arriscado e sem rota alternativa, caso tivesse de divergir.

    Na minha óptica, ainda é cedo para sair julgando o piloto. Podem existir outros factores, como uma má leitura dos sistemas, peso não declarado que influi num maior consumo de combustível. etc.

    • A sala de tráfego não checa se o avião tem condições de realizar o voo, esta é por regulamento uma atribuição do piloto, que é o responsável por fazer os devidos calculos necessários para cumprir a rota desejada mais alternativa e margem legal de segurança.

      • Não tem a ver com a sala de controlo. Tem a ver com a autoridade de aeronáutica civil que tutela o voo. No caso, parece que o comandante de voo era também o dono da companhia, por isso ele próprio deve ter apresentado o plano de voo.

        Mas nesse plano de voo tem de ter sempre uma rota alternativa, caso exista alguma emergência no ar, que implique uma divergência para outro aeroporto de chegada. E alguém tem de ter visto e validado as intenções do comandante.

        O que parece ter acontecido, segundo já li, é que ele deveria ter feito uma escala antes. E aí, ele próprio tomou a decisão de ignorar o seu plano de voo inicial.

  7. Tenho visto na internet críticas devido ao fato do avião não estar sendo produzido desde 2001, mas isto não é problema.
    A família real britânica usa um destes avioes, aqui está uma foto do avião em uma viagem do Principe Charles representando a Rainha. https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:A

  8. Amigos eu vou soltar uma hipótese aqui para essa não parada técnica: o não pagamento das caríssimas taxas aeroportuárias ! Um pouso a menos, uma lista de taxas a pagar a menos ! Pode parecer absurdo, mas não duvidem. Lembrem o piloto era tbm um dos donos da empresa, e se pensarmos como donos de empresa e não como pilotos fica facil entender essa linha de raciocínio ! Abraço Edu !

    • Estou nessa linha. Somo a isso o excesso de confiança. Já deve ter feito isso diversas vezes, foi relaxando e aí deu nisso.

  9. Uma sequência de erros humanos, ganância, e falta de profissionalismo por parte dos dirigentes da Chapecoense em colocar um time de futebol aos cuidados de uma empresa cujo dono ainda pilotava a aeronave. Uma lição que deve ser aprendida por todos, a melhor aeronave e mais segura é de transporte regular. Frtem um Boeign da GOL ou um Airbus da Latam e tudo seguiria com segurança. Ainda tem que ser investigada a atitude das aeronaves em emergências naquela noite além da responsabilidade do controlador de vôo de Medelin. Para mim coresponsável em não trazer a aeronave no primeiro momento para a pista. Um absurdo.

  10. Minha raiva por esse piloto só aumenta. Isso nunca foi comandante. 71 vidas perdidas por causa de um moleque atrás do manche

    • Pior foi o russo que causou um acidente por uma aposta.

      O sujeito sobreviveu e de acordo com uma galera, não deveria ter sido punido. Vai entender.

  11. Aqui no Brasil um plano de voo é aprovado considerando combustível para mais 45 minutos de voo, como alternativa. Lá as leis são diferentes?
    Pode-se voar direto, desde que o combustível dê somente para o trajeto? Pelas noticias, tinha sim um local para reabastecimento, mas que foi ignorado pelo piloto, uma vez que este estava já fechado, sem condições de aterrissagem, por isso decidiu "tocar" DIRETO.

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