Negócio preliminar de US$ 105 milhões incluiria o arrendamento de 30 aeronaves e direitos de pouso e decolagem da companhia em recuperação judicial.

A Azul informou nesta segunda-feira que assinou uma proposta para a aquisição de certos ativos da Avianca Brasil, através de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), no montante de US$ 105 milhões.


Já a Avianca Brasil informou que deve constituir, em breve, a UPI para venda à Azul. A empresa disse ainda que deve apresentar nos próximos dias a revisão do seu plano de recuperação judicial, com a nova estrutura da empresa, “que terá como foco suas rotas estratégicas”.

“A expectativa é que esse processo dure até três meses”, diz trecho do comunicado da Azul.

A UPI inclui ativos como o certificado de operador aéreo da Avianca Brasil, 70 pares de slots (direitos de pousos e decolagens) e o arrendamento de aproximadamente 30 aeronaves Airbus A320. Segundo a Azul, o processo de aquisição da UPI está sujeito a uma série de condições, como a conclusão de um processo de diligência, a aprovação de órgãos reguladores e credores e a conclusão do processo de recuperação judicial da Avianca.

A Avianca possui 234 slots em aeroportos de grande circulação como Guarulhos e Congonhas (Sp) e Santos Dummont (RJ). A aérea tem hoje 48 aeronaves em operação.

Segundo a Avianca, os ativos da UPI devem ser colocados em leilão, do qual outros interessados podem participar, além da Azul.

Não foi informado se a proposta incluiria a transferência das dívidas da Avianca. A Azul está em período de silêncio, antes da divulgação dos resultados de 2018.

O processo de aquisição dos ativos estaria sujeito a condições, como a conclusão de um processo de diligência, a aprovação de órgãos reguladores e credores, assim como a conclusão do processo de recuperação judicial. A expectativa é que esse processo dure até três meses, informou a Azul.

A companhia disse ainda que manterá seus acionistas informados sobre os próximos passos de uma eventual transação.

Por volta das 11h30, as ações da Azul subiam mais de 7% na bolsa, enquanto que a Gol recuava acima de 3%.

Dívidas

Em meio a negociação com a Azul, a Avianca conseguiu mais prazo na Justiça para negociar as dívidas. O desembargador Sergio Shimura, da 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, concedeu pelo menos mais 15 dias para a empresa permanecer com seus aviões, enquanto negocia suas dívidas com credores.

Em fevereiro, um grupo de arrendadores de aviões entrou com recurso contra a decisão do juiz Tiago Henriques Papaterra Limongi, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, que permitiu à companhia aérea ficar com os aviões até a realização da primeira assembleia geral de credores, prevista para meados de abril.

O relator do caso, o desembargador Ricardo Negrão, recomendou que a Justiça aceitasse o pedido das empresas de arrendamento. Ele levou em conta que a empresa descumpre a Convenção da Cidade do Cabo, promulgada pelo Decreto nº 8.008/2013 e da qual o Brasil é signatário desde 2013. O tratado internacional prevê a ágil retirada de aeronaves pelo proprietário em casos de inadimplência.

A Avianca Brasil chegou a ter 10% de participação do mercado nacional. Imagem ilustrativa.

Plano de recuperação

Em comunicado, a Avianca informou que a revisão de seu plano de recuperação judicial será apresentada nos próximos dias, com a nova estrutura da empresa, que terá como foco suas rotas estratégicas.

“Com isso, Avianca Brasil se tornará mais forte e viável para enfrentar a atual conjuntura do mercado brasileiro”, informou. A Avianca também declarou que pretende realizar a assembleia geral de credores o “mais breve possível” e reforçou que segue operando normalmente.

Entre o fim de 2016 e setembro de 2018, os passivos da Avianca Brasil para empresas de leasing de aeronaves quintuplicaram para R$ 415 milhões, de acordo com as demonstrações financeiras da empresa.

A Avianca contratou em janeiro a consultoria Galeazzi & Associados para ajudar a encontrar recursos e eventualmente um comprador. Os principais credores da companhia aérea são as empresas de leasing de aviões Aircastle e GE Capital Aviation Services.

A companhia está atrasando o salário de pilotos e comissários desde janeiro. Na semana passada, trabalhadores do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) se reuniram e deram o prazo de quarta-feira (13) para que a empresa se posicione antes de um novo encontro para discutir uma eventual paralisação.

Na última quinta-feira (7), um voo da Avianca que seguia de Guarulhos (SP) para Miami teve a rota desviada para San Juan, na ilha caribenha de Porto Rico. Em nota, a companhia disse que o avião, um Airbus A330, “fez um pouso técnico”, mas não detalhou as razões do procedimento.

A Avianca Brasil é separada da Avianca Holdings, com sede na Colômbia. Mas elas pertencem a um mesmo grupo, do empresário boliviano German Efromovich.


FONTE: G1 e Valor Econômico. Edição CAVOK.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Depois que a Gol comprou a Webjet só para ficar com os Slots e fechou a empresa eu acredito em tudo.

    • Tem razão, a Gol deveria ter continuado operando as aeronaves de 20 anos da Webjet, continuar registrando prejuízo e faliam as duas juntas.

      Esse negócio de Recuperação Judicial é uma burrice, deveria ser "Afundamento Judicial". A Empresa A compra a B que está mal das pernas, mas não faz nada, só assume o prejuízo. Aí ela vai pra bancarrota e é comprada pela Empresa C, que não faz nada também. Assim por diante até não existir mais nenhuma empresa.

      Na Recuperação Judicial, tenta-se salvar algo e pagar impostos e trabalhadores. No Afundamento Judicial, o prejuízo fica garantido: impostos, INSS, FGTS por aí vai.

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