Um Mi-17 e um UH-60 Black Hawk no Afeganistão.

Os helicópteros Black Hawk do Exército americano são menos capazes para algumas missões conduzidas pela Força Aérea do Afeganistão do que os Mi-17 fabricados pela Rússia que estão substituindo, de acordo com o inspetor geral do Pentágono.

Novos helicópteros Black Hawk da Força Aérea Afegã.

É um revés seis anos depois que os legisladores começaram a pressionar os EUA para que deixassem de comprar o Mi-17 vendido pela Rosoboronexport, exportadora de armas estatal russa, à luz das intervenções ao presidente Vladimir Putin. O exército afegão, que está trabalhando para desenvolver as capacidades da sua força aérea, tem pilotado o helicóptero de fabricação russa desde os anos 80.

A transição para os Black Hawks feita pela unidade Sikorsky Aircraft da Lockheed Martin “apresenta vários desafios que ainda precisam ser resolvidos”, escreveu o Inspetor Geral do Pentágono, Glenn Fine em sua última avaliação trimestral sobre os gastos americanos no Afeganistão, divulgada em maio. No mesmo mês, o primeiro Black Hawk foi levado para uma operação no Afeganistão pela força aérea nascente.

“Os Black Hawks não têm a capacidade de içamento” da aeronave russa, escreveu Fine. Os helicópteros também “são incapazes de acomodar alguns dos itens de carga maiores que o Mi-17 pode carregar, e em geral são necessários quase dois Black Hawks para transportar a carga de um único Mi-17”, disse Fine. “Ao contrário do Mi-17, os Black Hawks não podem voar em grandes altitudes e, como tal, não podem operar em regiões remotas do Afeganistão onde os Mi-17s operam.”

‘Mais pronunciados’

Helicóptero Mi-17 afegão.

À medida que o Mi-17 é retirado em favor do Black Hawk, os desafios “se tornarão mais pronunciados”, escreveu Fine.

O tenente-coronel Kone Faulkner, porta-voz do Pentágono, disse em um e-mail que o Departamento de Defesa dos EUA determinou que os Black Hawks, designados UH-60s, poderiam realizar até 90% das missões da frota Mi-17.

A saga começou em 2012, quando os legisladores começaram a forçar o Pentágono a substituir o Mi-17, depois que foi divulgado que os helicópteros estavam sendo usados ??contra civis pelo regime do presidente Bashar al-Assad na Síria. O Departamento de Defesa concordou em 2013 em não comprar os Mi-17 além dos 86 já comprados.

No ano fiscal de 2017, após forte lobby dos legisladores de Connecticut, onde o Black Hawk é construído, o Congresso destinou US$ 814 milhões para implementar 159 deles ao longo de anos. O Mi-17 está sendo desativado no Afeganistão, de cerca de 47 atualmente para 12 em dezembro de 2022.

“Mais poder de fogo”

Faulkner disse que o Black Hawk “pode voar nas altitudes exigidas de missão em que os Mi-17 afegãos normalmente voam”. Ele disse que “em muitos casos, o UH-60 é tão ou mais capaz do que o Mi-17” e que uma versão “fornece mais poder de fogo do que a variante Mi-17, que é limitada apenas a foguetes e é menos manobrável”.

Além da capacidade de voar, Fine escreveu que a Força Aérea Afegã realiza 80% da manutenção do Mi-17, mas terá que depender de empreiteiros “no curto e médio prazo” para o mais complexo Black Hawk.

Isso porque as tarefas de manutenção do Mi-17 são “muito mais propícias ao nível educacional disponível na população afegã em geral”, disseram oficiais da Força Aérea no Afeganistão aos auditores da Fine, de acordo com seu relatório.

“Praticamente todos os militares que possuem frotas operacionais de aviação dependem de empreiteiros para manutenção”, disse Faulkner, porta-voz do Pentágono. “A Força Aérea Afegã não é diferente, e como estamos nos primeiros estágios do treinamento de manutenção, eles serão mais dependentes” dos empreiteiros inicialmente, “mas essa confiança diminuirá com o tempo”.

Os Black Hawks têm custos operacionais “significativamente menores” do que os Mi-17, e a transição “permitirá uma mudança de uma cadeia de suprimentos russa para uma cadeia de suprimentos bem estabelecida e confiável nos EUA”, disse Faulkner.


Fonte: Bloomberg

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18 COMENTÁRIOS

  1. Digo isso faz tempo….

    O UH-60 é um excelente aparelho nas mãos dos pilotos norte-americanos e de outros serviços que estão habituados com a doutrina dos EUA. Ocorre que a força aérea afegã é pobre de recursos e treinamento e nesse cenário o Mi-17, com sua robustez e confiabilidade, é muito mais adequado.

    Outro aspecto é que tratam-se de helicópteros de categorias diferentes e propósitos diferentes. O UH-60 é um aparelho eminentemente vocacionado para assalto, que absorveu as lições do conflito no Vietnam, sendo blindado em suas partes vitais, algumas delas projetadas inclusive para resistir a projéteis de 23mm. Por seu turno o aparelho da Mil, embora também possa ser usado em tarefas de assalto é mais apropriado para tarefas de transporte. É maior, mais potente, tem uma rampa traseira para embarque/desembarque de veículos mas não tem suas partes vitais protegidas. Aliás, segundo consta o Mi-17 teria sido o vencedor do certame aqui no Brasil para fornecer helicópteros para a FAB, EB e MB antes do tapetão que beneficiou a malfadada Kombosa.

    • Colocastes muito bem muitas coisas, a qual sempre tenho colocado. Helicópteros de categorias diferentes, para funções diferentes. Se complementam, não se excluem.

      Mas quanto ao "tapetão" do H225M (anteriormente EC-725) em relação ao Mi-17, o que se comenta era que o processo que gerou o H-XBR estava sendo organizado para a Mil Mi levar tanto o contrato para helicóptero de ataque, quanto o de transporte. Acabou ficando só com o de ataque. A Airbus Hellicopter (antiga Eurocopter) se saiu vencedora, pois agregava muito mais (inclusive o por fora para alguns políticos). Agora é inegável que, tecnologicamente, tanto o UH-60, quanto o H225M, são muito mais avançados do que o Mi-17, informação corroborada por qualquer piloto do ramo.

      É claro que o Mi-17 tem suas vantagens operacionais em relação ao H225M, como o caso da rampa traseira, mas existem outras quesitos que o helicóptero francês é mais capaz.

  2. Os Mi-8/17 sempre foram e ainda são os melhores helicopteros do mundo! Ele é o exemplo da filosofia "T-34", não sendo o mais notavel em nada, mas sendo bom em tudo, sem falhas, sem falar que é queixo duro e como no texto fala até um Afegão sem muita educação ou capacidade consegue fazer sua manutenção.

    O UH-60 nunca deveria ser comparado ao Mi, por ser de categoria diferente, já que é nada mais que um UH-1 repaginado. Mas como os EUA não tem um helicoptero médio atual (CH-46 que é da mesma idade do Mi-8 já foi pro "deserto") verdadeiro, o utilizam para a função.

    Esse é só mais um exemplo de que quando a "coisa fica feia" geralmente as "fashion Weapons" feitas no ocidente, incriveis no video-game, se mostram incapazes e inadequadas. Detalhe que esses Mi-8/17 do Afeganistão nem são as melhores versões deste.

    • Isso mesmo. Honrando a gloriosa indústria soviética/russa. Tradição que vem de dos tempos de Mosin-Nagant, Ppsh, T-34, Kalashnikov, Mig e por aí vai.

    • Pedroca, você não decepciona não é mesmo!? É só a vergonha apontar na esquina que você corre na direção dela, impressionante…….

      UH-60 um "UH-1 repaginado"? Cara, já disse e reitero que você precisa ler mais! O UH-60 é um aparelho completamente distinto do Huey ainda que para a mesma função visto ser muito mais potente e protegido contra o fogo de terra uma vez que assimilou as lições do conflito no Vietnam. E o projeto se mostrou tão bom que permitiu o desenvolvimento de variantes embarcadas ASW e utilitárias.

      A respeito do CH-46, era um aparelho que tinha praticamente a mesma potência instalada do UH-60, atualmente com ligeira vantagem do helicóptero da Sikorsky. Então qual o seu critério para definir "helicóptero médio", o formato do aparelho?

      Por fim cumpre lembrar que em conflito reais as "fashion weapons" do ocidente costumam levar a melhor. Vide o score de 104-0 a favor do F-15 Eagle, a superioridade do M1 Abrams e do Merkava ante os T-72 e mesmo o desempenho do UH-60 em conflitos tão díspares como a guerra contra as FARCS na Colômbia e os conflitos disputados pelos EUA.

    • UH-60 é um UH-1 repaginado?

      Dá para ver que a pessoa não tem conhecimento sobre os assuntos que comenta.

  3. Nada contra o Black Hawk, muito pleo contrário, acho esta aeronave incrível, porém as capacidades do MI-17 não ficam aquém para as missões a serem realizadas. O fator custo de manutenção e mão de obra técnica local, para os MI-17 deveria também ser levado em conta. O pessoal já conhece a aeronave. Em termos de capacidade de operação em grandes altitudes e outros fatores, peço a opinião esclarecedora dos nobres colegas.

  4. Para os EUA admitirem a superioridade do Mi-17, mesmo que com ressalvas, é que a diferença para as missões propostas deve ser claramente evidente. A Força Aérea afegã está sem poder de decisão também, muito provavelmente.

  5. Tirando a forçada de barra em dizer que os Mi-8/17 foram/são/serão os melhores da via láctea, devo concordar com os comentários anteriores.

    O Mil Mi-17 é muito mais rústico e de manutenção fácil. Deve existir toda uma cadeia de manutenção "alternativa" no Oriente Médio para mantê-los voando.

    Lembro que assisti a um documentário com um sujeito que era conhecido como "O Leão de Panjsgir". No documentário o reporter não acreditava que o helicóptero – um Mi-8, eu acho – ainda voava. Estava todo enferrujado. Tinha sido recuperado do que o exército soviético deixou para trás.

    O helicóptero fazia de tudo, e não tinha essa historinha de ficar contando hora de voo não. Era no peito e na raça!

    Alguns dias depois da reportagem uns enviados de Osama Bin Laden se passaram por repórteres detonaram uma bomba e mataram o "camarada".

    Ele era da resistência contra o Talibã.

    Meses depois houve o 11 de setembro!

  6. Comparar esses Helis é como comprar um carro-forte com um caminhão, o carro forte também leva carga, mas seu foco é outro.

  7. De alguma maneira o Tio Sam quer retornar parte dos bilhões gastos no atoleiro chamado Afeganistão, se os Black Hawk são apropriados, é outra história, agora, comprar da concorrência russa, é uma blasfêmia para os americanos, afinal, será que interessa realmente resolver o problema dos afegãos?

  8. Isso mostra que Obama tinha razão ao comprar os Mi-17 para o Iraque e Afeganistão, apesar de ter sido muito criticado na época.

    • Além do fato de que, caso o Afeganistão voltem a ser governados por grupos anti-EUA, evita o que aconteceu com outros países. Daí porque eles têm(tinham) optado alocar equipamentos de outros países.

  9. Nada mais do que o óbvio. Quando é preciso dizer o que é está mais do que claro, é porque quem toma as decisões não entende patavinas.

  10. A família MIL Mi 8-17 ainda é a melhor em sua categoria, assim como o UH-60 é o melhor em sua categoria.
    Substituir um por outro não é uma questão técnica, e sim política. É possível um mix dos dois aparelhos, porém tudo indica que o Afeganistão precisa de MI-8, e não UH-60.

  11. Helicópteros diferentes, categorias diferentes metodologia de manutenção soviética vs americanos diferentes. Simples assim. Os soviéticos têm a sua própria metodologia de equipamentos militares e americanos outra. Não dá para comparar. E é em basicamente tudo no que se refere a equipamentos militares.

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