A Boeing advertiu a Marinha dos EUA contra a possibilidade de ficar presa em outro programa de desenvolvimento de aeronaves nos próximos 20 anos, à medida que o tempo para o programa F/A-XX, o próximo avião da USN, está passando.

A empresa diz que continua a evoluir o seu F/A-18E/F Super Hornet através do “Bloco 3” e um potencial “Bloco 4”, dando prosseguimento ao programa de modernização como complemento ao F-35C. O caminho mais prudente, segundo a Boeing, para satisfazer a necessidade imediata de um maior número de caças de ataque com capacidades avançadas passa pelo Super Hornet.

A Boeing diz que as células com baixa assinatura de radar são úteis para o primeiro dia de guerra e voam para as áreas negadas sobre o Teatro de Operações, protegidas por radares de banda X, mas os radares de defesa aérea integrados de potenciais adversários, como a Rússia e a China, mudam para diferentes bandas do espectro eletromagnético, como a banda C e a banda S. Apostar somente num programa de desenvolvimento de aviões stealth da próxima geração sob a denominação F/A-XX pode não ser a melhor resposta para se opor as ameaças atuais e futuras.

A Boeing relata que as novas capacidades do Super Hornet Block 3 o ajudarão a sobreviver em regiões de alta ameaça. Isso inclui novas medidas de suporte eletrônico e jammers, bem como radares de maior alcance, de maior potência e detecção por infravermelho.

Para a Marinha, e acho que para muitos países, não deve ser uma boa idéia se atolar num ciclo de desenvolvimento de 20 anos numa plataforma que você estará preso por X quantidade de anos“, disse Larry Burt, um ex-aviador naval e agora diretor de vendas da Boeing e marketing. “Não faça um grande passo revolucionário. Continue evoluindo com o que você tem de melhor. Você poderia manter a evolução dos sistemas de missão, sensores e capacidade do Super Hornet e talvez eventualmente colocar um novo invólucro nele”.

Burt disse “que os aviões de baixa seção como o F-22 e o F-35 são extremamente difíceis de atualizar e instalar novas capacidades sem quebrar a o desenho externo, enquanto que os projetos tradicionais de fuselagem e asa como o F/A-18 e o F-15 são relativamente fáceis e o custo-efetivo para atualizar a capacidade de sobrevivência das aeronaves pode ser alcançada por outros meios.

Enquanto isso, a potência de processamento de energia dos modernos radares eletrônicos ativos, incluindo o Raytheon APG-79 do Super Hornet e o APG-63 (V) 3 e o APG-82 (V) 1 do F-15, estão aumentando o alcance em que as ameaças de baixa assinatura podem ser detectadas e interceptadas com armas ar-ar. Esses novos tipos de radares de controle de fogo também estão sendo colocados em aeronaves de quarta geração por potenciais adversários.

A busca de longo alcance por infravermelho e o sensor de trilha que está sendo lançado para o Super Hornet e sendo selecionado para o F-15 também estão ajudando a localizar aviões furtivos.

A Boeing já tentou trabalhar com as formas de deflexão do radar em seu Super Hornet Advanced, mas sua última proposta de bloco 3 desenvolvida para a Marinha e potenciais clientes internacionais focou mais na guerra eletrônica e sensores para a sobrevivência, bem como na assinatura de calor e na miniaturização da rede elétrica interna.

O bloco 3 tem baixa assinatura (low-observable – LO) de radar, mas nós pensamos que há um contrapeso entre como você necessita LO e outros aspectos da sobrevivência,” disse Burt. “Stealth é parte da sobrevivência, mas o stealth de hoje, o stealth que você vê na quinta geração de aeronaves e no atual F/A-18, está focado em uma certa faixa de freqüência onde muitas das ameaças residem. A ameaça sabe disso e está saindo daquela faixa de freqüência“.

Ao contrário do Northrop B-2, B-21 e RQ-180 e o Lockheed F-117, F-35, F-22 e RQ-170, a Boeing não desenvolveu uma seção transversal totalmente operacional, de baixa assinatura de radar, exceto como fornecedor do sistema de missão para o F-22 Raptor.

Os comentários de Boeing sobre aviões LO acontece justo no momento em que ela tenta vender à Marinha dos EUA 120 caças Super Hornets bloco 3. O Pentágono está no meio de uma análise de custo e capacidade entre o F/A-18E/F e o F-35, depois de uma ordem oriunda da Casa Branca, que definirão os orçamentos futuros e as decisões da estrutura da Força. O F-35C substitui aviões F/A-18C/D e não o Super Hornet. Mas os dois aviões ainda lutam por dotações orçamentárias anuais.

Não é sobre um ou outro“, diz Burt. “Tudo o que ouvimos é que a Marinha vê o Super Hornet e o F-35 como essenciais.

A Boeing está construindo Super Hornets a uma taxa de dois aviões por mês em sua fábrica e diz que vendas de curto prazo, se recebidas, manterão a produção pelos anos 2020. A Boeing diz que o F/A-18E/F será o “avião predominante” nas plataformas navais da Marinha até 2040 e, sua vida útil estrutural, está sendo estendida de 6.000 horas para 9.000 horas.

O programa da Marinha alcança mais de 560 Super Hornet e 160 EA-18G Growler. A USN pretende comprar 260 F-35C, mas a “janela” de entrega está mais lenta do que a projetada originalmente devido aos atrasos de desenvolvimento e custos excedentes. O F-35 Bloco 3F completará o desenvolvimento em 2018 e será modernizado para o bloco 4 pouquíssimo tempo depois.

Kuwait, Canadá, Índia e Finlândia são potenciais vendas que a Boeing acredita serem certas. O Kuwait está perto de assinar um acordo para 24 aeronaves com uma opção para mais 12. O Canadá está negociando com a Boeing, através do governo dos EUA, uma frota provisória de F/A-18E/F para cumprir suas obrigações de defesa do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte e da OTAN.

A Índia, entretanto, precisa de uma nova aeronave para seus porta-aviões. A Boeing está trabalhando para validar a capacidade de skijump do Super Hornet para garantir que possa atender às necessidades da Índia, uma vez que os jatos dos EUA são tipicamente lançados por catapulta.

A empresa também respondeu a um pedido de informações da Finlândia sobre um substituto para o F/A-18C/D Hornet, aonde concorrem o Gripen E da Saab e outros caças ocidentais.

Notavelmente, o Canadá e o Kuwait não solicitaram certas modificações que permitiriam que seus Super Hornets fossem atualizados para a configuração do Growler mais tarde, como a Austrália fez com sua frota.

O Canadá e o Kuwait também solicitaram a integração do pod Lockheed Martin Sniper Advanced Targeting, diz a Boeing.

A Marinha dos EUA está interessada na maioria das atualizações de capacidade propostas pela Boeing para o Bloco 3, mas a Boeing confirma que não tem planos de instalar o motor General Electric F414 “Enhanced Engine“, que fornece 18% mais de potência em comparação com o modelo atual. “É um upgrade que gostaríamos de incentivar a Marinha a fazer“, diz Burt.


FONTE: Aviation Week

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17 COMENTÁRIOS

  1. NÃO HÁ NADA DESTE MUNDO QUE SEJA INDETECTÁVEL, BASTA PROCURAR POR ALGUMA PERTURBAÇÃO NO AR

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