A Boeing emitiu uma recomendação aos operadores do 737 MAX, mas a FAA deve emitir uma diretiva.

A Boeing informou na quarta-feira que emitiu um boletim de segurança lembrando aos pilotos como lidar com dados errados de um sensor-chave na esteira do desastre do jato indonésio 737 da Lion Air na semana passada.

A empresa afirmou que investigadores analisaram a queda do 737 MAX 8 da Lion Air na costa da Indonésia, na qual morreram todos os 189 a bordo, e descobriram que um dos sensores de “ângulo de ataque” do novíssimo jato Boeing 737 MAX forneceu dados errados.

Especialistas dizem que o ângulo de ataque é um parâmetro crucial que ajuda os computadores da aeronave a entender se seu nariz está muito alto em relação à corrente de ar – um fenômeno que pode colocar a aeronave num condição de estol e fazê-lo cair.

Algumas aeronaves modernas possuem sistemas projetados para corrigir a postura da aeronave automaticamente para continuar voando com segurança.

Boletim de serviço emitido pela Boeing para o 737 MAX.

Também há procedimentos para os pilotos seguirem no caso de falta de dados dos sensores danificados na fuselagem, mas ainda não está claro quanto tempo a tripulação do voo JT610 teve que responder na altitude relativamente baixa de cerca de 5.000 pés.

Um sensor de ângulo de ataque foi trocado por mecânicos no solo em Bali no dia anterior ao acidente, informou o Comitê Nacional de Segurança nos Transportes da Indonésia (KNKT).

O capitão e o primeiro oficial voando de Bali a Jacarta na noite anterior ao acidente tinham indicadores mostrando diferenças no ângulo de 20 graus, disse KNKT, mas o voo pousou com segurança apesar dos problemas em voo.

A Boeing informou em comunicado recebido no maior show aéreo da China em Zhuhai que sua nota às companhias aéreas ressaltou os “procedimentos existentes de tripulação de voo”, destinados a lidar com circunstâncias em que a informação que entrava no cockpit pelos sensores estava errada.

Um dos motores do Boeing 737 MAX 8 da Lion Air que caiu é descarregado no porto de Tanjung Priok, em Jakarta, Indonesia, November 4, 2018. (Foto: REUTERS/Beawiharta)

O Boeing 737 MAX tem três desses sensores em forma de lâmina. Leituras equivocadas podem, em algumas circunstâncias, fazer com que o 737 MAX aponte o nariz para baixo para manter o ar sob as asas e evitar uma perda de sustentação, de acordo com uma pessoa informada sobre o assunto.

DIRETIVA DA FAA

O boletim da Boeing se referia apenas ao 737 MAX, a versão mais recente da família de aeronaves mais vendida do mundo, que está em serviço há pouco mais de um ano.

A U.S. Federal Aviation Administration disse que iria emitir uma diretiva de aeronavegabilidade para tornar o conselho da Boeing obrigatório.

“A FAA continua a trabalhar em estreita colaboração com a Boeing e, como parte da equipe de investigação do acidente da Lion Air, e tomará outras medidas apropriadas, dependendo dos resultados da investigação”, disse em um comunicado.

A Boeing entregou 219 jatos 737 MAX para clientes em todo o mundo, com 4.564 pedidos de jatos ainda a serem entregues.

O Boeing 737 MAX é uma versão mais eficiente em termos de combustível da série 737 de corredor único mais vendida do fabricante.

O acidente da Lion Air foi o primeiro envolvendo a nova versão, que as companhias aéreas introduziram em serviço no ano passado.

As autoridades indonésias baixaram informações do gravador de dados de voo que mostrou que um dos indicadores do cockpit no jato da Lion Air estava danificado em seus últimos quatro voos.

Uma busca pelo gravador de voz do cockpit, a segunda chamada “caixa preta”, continua em andamento.

A KNKT disse que tentaria reconstruir o último voo do jato usando simuladores da Boeing em Seattle. O sensor de ângulo de ataque substituído em Bali será analisado em seu local de fabricação em Chicago, disse o investigador do acidente.


Fonte: Reuters

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