Embraer e Boeing acertaram os detalhes para a parceria entras as duas empresas no setor de aviação comercial.

A Embraer anunciou nesta segunda-feira que aprovou, junto com a Boeing, os termos para a formação de uma joint venture na área de aviação comercial. O acordo ainda depende da aprovação do governo brasileiro e dos acionistas. A expectativa da empresa é de que receba o aval em 2019.

Pelo acordo, a Boeing terá uma participação de 80% no capital social, enquanto a Embraer deterá 20%. O valor atribuído pelas partes à parceria é de US$ 5,26 bilhões. Em julho, quando as empresas anunciaram a assinatura de um memorando de entendimentos com as premissas básicas para a formação da joint venture, esse valor era de US$ 4,75 bilhões

O acerto prevê que a subsidiária da Boeing no Brasil adquirirá a participação de 80% do capital social no fechamento da operação, por um valor agregado de US$ 4,2 bilhões. Também contempla a subscrição de novas ações pela Boeing Brasil e a aquisição de ações diretamente da Embraer. No comunicado de julho, a Embraer informou que a americana desembolsaria US$ 3,8 bilhões.

A companhia brasileira espera que o resultado da operação, líquido dos custos de separação seja de US$ 3 bilhões. Qualquer redução dos custos de separação até a data do fechamento da operação será compartilhada igualmente entre as empresas.

Segundo a Embraer, ainda não é possível determinar o efeito líquido da operação sobre os resultados. No caso da Boeing, o negócio não terá efeitos no lucro por ação, passando a ter impacto positivo nos anos seguintes.

O acordo manteve a possibilidade de a Embraer vender sua participação na joint venture de aviação comercial para a Boeing, a qualquer momento, por meio do exercício de uma opção de venda. Caso opte pela venda antes do encerramento do período de vedação de venda de participação (“lock-up”) – dez anos a contar da data de fechamento da operação –, o preço por ação a ser pago pelas ações será igual ao preço na data do fechamento da operação ajustado pela inflação dos Estados Unidos acumulada entre o fechamento da operação e a data do exercício da opção de venda.

A expectativa é de que a joint venture gere sinergias anuais de cerca de US$ 150 milhões, antes de impostos, até o terceiro ano de operação.

Em termos operacionais, a joint venture da aviação comercial será liderada por uma equipe de executivos sediada no Brasil, incluindo um presidente e diretor-presidente. A Boeing terá o controle operacional e de gestão da nova empresa, que responderá diretamente a Dennis Muilenburg, presidente e diretor-presidente da Boeing.

A Embraer terá poder de decisão para alguns temas estratégicos, como a transferência das operações do Brasil.

As ações da fabricante brasileira acumulam queda de 10,2% desde a data da assinatura do memorando. A notícia sobre a operação surgiu em 21 de dezembro, quando o jornal “The Wall Street Journal” noticiou que os americanos tinham interesse em adquirir o controle da companhia brasileira, e estavam negociando uma parceria. Na mesma data, a Embraer e a Boeing divulgaram comunicado conjunto informando que estavam em tratativas em relação a uma possível combinação dos negócios.

KC-390

A Embraer anunciou também que chegou a um acordo sobre os termos para a formação de uma segunda joint venture com a Boeing, envolvendo o avião cargueiro militar KC-390. A nova empresa terá por objetivo promover e desenvolver novos mercados para a aeronave.

Pela proposta, a brasileira deterá 51% de participação na joint venture e a Boeing, os 49% restantes. Ambas farão contribuições em dinheiro e em ativos para a nova empresa.

A transação está sujeita à aprovação do governo brasileiro e ratificação do conselho de administração da Embraer. Após a celebração dos documentos definitivos, a parceria será submetida à aprovação dos acionistas e das autoridades regulatórias.

Caso as aprovações ocorram no tempo previsto, a Embraer estima que a negociação seja concluída até o final de 2019.


Fonte: Valor Econômico

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4 COMENTÁRIOS

  1. Excelente a confirmação de uma JV para o KC-390. A Embraer dará um salto gigantesco em sua representatividade mundial nas áreas de aviação civil e militar. A Airbus deve estar lamentando a burrada que fez ao adquirir a falida BOMBArdier, que em 2016 fechou com prejuízo de US$ 981 milhões e em 2017 de US$ 553 milhões, a única das quatro grandes a ter prejuízo, e terá prejuízo de novo este ano vista o fato do A-220 não ter emplacado, e se não fossem os subsídios criminosos do governo canadense já teria falido a anos atrás. A ação da Airbus só serviu para provocar uma contraparte da Boeing se unindo àquela que é considerada a mais eficiente indústria aeronáutica do mundo, a Embraer.
    E vale ressaltar que a Boeing vem dando um banho de competência e inteligência estratégica em cima da Airbus a tempos. O investimento nos projetos vencedores e com longa vida pela frente do 777 e 787 contra o faraônico e em fim de linha A-380, a JV com a melhor do mundo em jatos regionais com a concorrente pegando um abacaxi podre, e uma JV com a Comac, a principal estatal de aviação daquele que será o maior mercado do mundo, e no meio de uma guerra comercial entre EUA e China são provas da habilidade dos gestores da Boeing sobre a incompetência dos da Airbus.

  2. Será que agora vai? Se for para o bem da Embraer, que assim seja!

  3. Meu palpite é que o entorno militar fará tanta pressão que não restará ao presidente eleito outra alternativa senão vetar! outra questão diz respeito ao Congresso Nacional.

    • Sem os “Chicago Boys” o governo desmorona. Uma hora a escolha terá de ser feita. Este arranjo heterodoxo cobrará seu preço.

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