Aeronaves 737 MAX paradas no pátio da fabricante em Renton.

A Boeing não registrou novos pedidos de aviões no mês passado, a primeira vez que saiu de mãos vazias em janeiro desde 1962, já que o jato mais vendido da fabricante norte-americana, o 737 MAX, permaneceu com seus voos suspensos.

A fabricante de aviões, lutando com uma crise que segue desde os dois acidentes em março passado, também disse que entregou apenas 13 aviões aos clientes no mês passado. Há um ano, selou 45 pedidos em janeiro e entregou 46 aviões.

A maioria dos clientes das companhias aéreas evita fazer pedidos novos para o 737 MAX até que a aeronave seja liberada pelos reguladores para voar novamente, deixando a Boeing atrás da rival européia Airbus e engolindo enormes perdas financeiras mensais.

A fabricante de aviões sediada em Paris divulgou na semana passada seu maior número de pedidos em janeiro em pelo menos 15 anos, já que registrou pedidos brutos para 296 aeronaves, ou 274 pedidos líquidos após cancelamentos.

A Boeing viu seu pior ano de pedidos em décadas em 2019, enquanto lutava com a crise do 737 MAX, levando à sua primeira parada na produção do 737 em 20 anos em janeiro e à saída do CEO Dennis Muilenburg em dezembro.

A empresa continuou a reprimir suas expectativas de quando o MAX voltará a voar, o que significa que não pode entregar aviões aos clientes e ser pago por eles.

Isso resultou em perdas de bilhões de dólares para a empresa e seus fornecedores, que tiveram que demitir trabalhadores em meio à incerteza sobre o retorno dos jatos 737 MAX.

Nesta semana a Boeing realizou testes com um 737 MAX 7.

As companhias aéreas, por outro lado, foram forçadas a retirar o 737 MAX de seus horários de voo até meados de 2020, causando milhares de cancelamentos de voos.

A dívida da Boeing dobrou para US$ 27,3 bilhões em 2019, e continua em uma trajetória em direção ao céu, pois a fabricante de aviões compensa clientes e fornecedores de companhias aéreas, enquanto luta contra ações judiciais e paga salários dos trabalhadores.

Uma estimativa da Fitch Ratings elevou a dívida da Boeing de mais de US$ 32 bilhões para US$ 34 bilhões, após um aumento contínuo no primeiro e no segundo trimestres de 2020.

Em uma nota para a companhia, a Administração Federal de Aviação na terça-feira sugeriu que estava perto de realizar um voo de teste de certificação no 737 MAX, embora ainda não tenha um cronograma para suspender a proibição de voos.

Na semana passada, a FAA ligou para autoridades aéreas americanas e disse que a agência poderia aprovar o retorno do 737 MAX ao serviço antes do meio do ano – um período de tempo mais rápido do que o próprio fabricante de aviões assumiu – informou a Reuters citando pessoas informadas sobre as ligações.


Fonte: Reuters

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