Um Boeing 737 MAX 8 da Ethiopian Airlines.

A Boeing anunciou na quinta-feira que estava suspendendo as entregas de seus jatos 737 MAX para as companhias aéreas, depois que a frota mundial do modelo teve seus voos suspensos após o acidente ocorrido com um 737 MAX 8 da Ethiopian Airlines no domingo.

“Continuamos a construir os aviões 737 MAX, avaliando como a situação, incluindo as restrições potenciais de capacidade, terá impacto sobre nosso sistema de produção”, disse um porta-voz da Boeing.

A companhia disse que prosseguirá com o mesmo ritmo de produção nas suas linhas de montagem, onde são produzidos 52 aviões por mês, com previsão de 57 a partir do próximo mês de junho.

O gravador de dados de voo do 737 MAX 8 da Ethiopian Airlines, que caiu no último domingo.

Isso significa que, embora a Boeing continue construindo seu mais novo carro-chefe, colocará as entregas em espera até que um novo software seja instalado, testes sejam realizados e a investigação sobre o acidente na Etiópia forneça algumas respostas.

A queda no domingo de um 737 MAX etíope logo após a decolagem de Addis Abeba matou 157 pessoas. Outro 737 MAX 8, da Lion Air, mergulhou no Mar de Java minutos depois de decolar de um aeroporto indonésio em outubro, matando todas as 189 pessoas a bordo.

Os dados de voo e os gravadores de voz do cockpit do 737 da Ethiopian foram recuperados dos destroços no acidente. Especialistas em aviação francesa começaram a analisar as chamadas caixas pretas na quinta-feira, dia 14 de março. As autoridades etíopes recusaram-se a enviar esses equipamentos para os EUA, por serem parte interessada na investigação. A leitura dos dois gravadores, um de dados e outro das conversas na cabine de comando do avião, será da responsabilidade do organismo francês de Investigação de Acidentes Aéreos (BEA – Bureau d’Enquêtes et d’Analyses pour la sécurité de l’aviation civile).

Gráfico do voo JT 610 da Lion Air. A velocidade vertical em verde.
Gráfico do voo ET 320 da Ethiopian Airlines.

Desde o acidente indonésio, os investigadores se concentraram no sistema anti-stall da aeronave, que coloca o nariz do avião para baixo para evitar que ele caia.

Especialistas que analisar o desastre indonésio disseram que informações do gravador de dados mostraram que o sistema de segurança automática do avião repetidamente o empurrou para baixo, apesar das tentativas desesperadas dos pilotos para manter o controle.

Os pilotos dos EUA reclamaram do 737 MAX, dizendo que seus sistemas limitaram seu controle, de acordo com um relatório confidencial do governo dos EUA.

Na sequência do acidente no domingo, dia 10 de março, na Etiópia, a Agência Europeia de Segurança Aérea (EASA) proibiu dois dias depois os modelos 737 MAX de operarem no continente europeu, juntando-se a 20 países e 30 companhias aéreas de todo o mundo que suspenderam os voos com esses aparelhos, incluindo o Brasil, onde o tipo de aeronave é operado pela Gol Linhas Aéreas. Igual procedimento adoptaram mais tarde os EUA e outros países, com toda frota groundeada desde quarta-feira. Apenas voos de translado, sem passageiros foram realizados desde o dia 13 de março.

Um sistema de segurança instalado nos novos 737 MAX está sendo considerado como causa entre os dois acidentes.

A Administração Federal de Aviação (FAA), que suspendeu os voos dos aviões nos EUA na quarta-feira, disse que novos dados de satélite e outras evidências mostraram movimentos semelhantes entre dois acidentes: o voo ET302 da Ethiopian Airlines (10 de março de 2019) e o voo JT610 da Lion Air (28 de outubro de 2019).

Especialistas dizem que outras possíveis causas dos acidentes estão sendo investigadas, incluindo outros sistemas com problemas e erros do piloto.

9 COMENTÁRIOS

  1. Caramba os Etíopes não confiam nos Norte Americanos pra analisarem as caixas pretas do Boeing. E estão certíssimos pois sabem que os americanos são os principais interessados nas informações contidas nas caixas pretas.

    • Comentario sem pé nem cabeca! Qualquer acidente envolvendo uma aeronave americana, os americanos ajudam ou se envolvem!

      E é obvio que eles estão interessados, é nos EUA que é fabricado! Podendo perder milhares de empregos e centenas de bilhões de dolares.

      • Por isso mesmo, os EUA tem muito a perder por isso eles acharam mais seguro confiar nos franceses.

      • Se os próprios Etíopes não confiam nos americanos vc confia?? São bilhões de dólares envolvidos numa Frota de 5mil Boeings 737 MAX a serem entregues.

        • Verdade, no mundo todo, quando cai um avião de alguma fabricante americana, tem auxilio dos EUA, governo e fabricante, inclusive ao longo das decadas foram descobertas varias falhas nos projetos de alguns aviões. Mas agora, com o 737 MAX é diferente?

          Não sei, mas chuto que os EUA deve ser um dos maiores compradores do 737. Agora me diz? Os EUA ganha ou perde se atrapalhar nas investigacoes? E se amanha cai um avião nos EUA?

    • Não tão somente os americanos como os próprios franceses.
      Mas antes de qualquer teoria da conspiração, essas agências são altamente profissionais e integradas, trocando informações para aprimoramento da aviação em geral. Antes de conveniências econômicas, seu foco é a segurança em geral.

  2. Os sistemas digitais dos Aviões são muito vulneráveis e pior quando tem falha grave do fornecedor. antes era falha estrutural que fazia acidentes e hoje é o computador de bordo. Etiopês tem direito de não confiar na FAA como seria se um airbus desabasse do céu.

  3. Sem estresse, no BEA existem sim presença de membros do FAA, talvez já exista um acordo entre a Etiópia e o Governo Francês para esse intercâmbio na análise de acidentes aéreos. Quem analisou as caixas pretas do vôo AF447 foram os franceses da BEA. Independente disso, teorias, a Dona Boeing está em apuros. Pois mesmo encontrando uma solução com um novo software para o MCAS, este terá que ser provado e avaliado pelos atuais operadores, treinamento terá que serem dados aos pilotos. Os custos estão apenas começando. Engenharia ruim dá nisso.

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