O presidente da EMBRAER, Paulo Cesar de Souza e Silva anunciou no Forum Economico de Davos que BOEING terá financiamento do BNDES.

O presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, disse que acredita que a fabricante americana Boeing, após fechar acordo com a fabricante brasileira, ao produzir no país, poderá ter acesso ao financiamento do BNDES.

O executivo deu a entrevista ontem, (24/01), um dia antes da assinatura do contrato da operação entre as duas companhias. O acordo agora será apresentado na assembleia geral extraordinária prevista para o dia 26 de fevereiro, para submeter a operação para a aprovação final pelos acionistas.

O passo seguinte será a discussão com as autoridades de concorrência dos EUA, Brasil, União Europeia (UE), China e Africa do Sul. A expectativa é de que esse procedimento esteja concluído no quarto trimestre deste ano ou no começo do ano que vem.

Segundo o executivo, a definição dos cargos no comando da nova empresa, estrutura e organização não serão definidos agora, e sim “um pouco mais tarde”.

Sobre a questão de financiamento, Souza e Silva observou que, com a Boeing fabricando aviões em São José dos Campos, terá acesso aos financiamentos de exportação do BNDES. As condições do crédito são estabelecidas pelas regras da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Economico (OCDE) por um acordo setorial entre fabricantes aeronáuticos.

A EMBRAER é uma das principais tomadoras de recursos do BNDES.

A finalização do contrato de Boeing com EMBRAER coincide com a desaceleração das maiores economias, principalmente EUA e China, grandes mercados das fabricantes de aviões.

Para Souza e Silva, porém, a desaceleração não afeta os planos da companhia. “Estamos vendo há anos o setor de transporte aéreo mundial crescendo 5% a 7% ao ano. Talvez agora cresça 6%, mas está bastante forte e não acredito que, se vier desaquecimento, seja algo forte ou de longo prazo. Não é um colapso. Nada que possa nos impactar muito fortemente.”

Indagado sobre a contradição entre política externa contra a globalização e planos econômicos de abertura ao mundo no governo Bolsonaro, o executivo diz não ver choques. “O presidente Bolsonaro e o ministro [Paulo] Guedes explicaram bem em Davos, acho que não existe essa politica contra a globalização. Eles estão abertos a ter relações com todos os paises.”

Souza e Silva, que é um dos debatedores no Fórum Econômico Mundial, considera que Bolsonaro em Davos apresentou planos claros e a reação tem sido positiva por parte de grandes executivos com quem conversou.

“A perspectiva do Brasil é muito positiva. Com as reformas que o governo está elaborando, vão dar uma dimensão nova ao Brasil e colocar o país numa rota de sustentabilidade e crescimento”, afirmou. Segundo o executivo, empresários estrangeiros acham que a agenda de Guedes é o que o Brasil deve ter e agora a questão é a execução.

Souza e Silva, da Embraer, estima que negócio com a Boeing será concluído no último trimestre do ano ou começo de 2020.


Fonte: Assis Moreira / Valor Econômico


Nota do Editor: O texto foi levemente modificado do original para ficar de acordo com a notícia divulgada ontem sobre a assinatura do acordo, que estava previsto para ocorrer até a semana que vem.

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17 COMENTÁRIOS

    • Para um banco que já deu empréstimos a juros abaixo do mercado para empreiteiras corruptas, frigoríficos e empresários farsantes apenas e tão somente porque eram amigos do "Rei", conceder créditos à Boeing é uma evolução notável não é mesmo Xings!?

        • Falcatrua foi o que rolava no BNDES de 2003 a 2016. Se a Boeing quiser produzir no Brasil e solicitar financiamento do Banco será atendida, e se tratará de um excelente investimento do banco, bem diferente do que acontecia no período relatado acima.

          • Olá.
            A Boeing, em princípio, não produzirá no Brasil; quem o fará será a empresa "joint venture" resultante do acordo Boeing/Embraer.
            Talvez o "post" se refira a isso: a nova empresa poderá receber financiamento do BNDES, porque tem sede e produção no Brasil, mesmo sendo 80% da Boeing. Se não for assim e a empresa americana puder tomar empréstimos diretamente do BNDES, então o que mudou foi o "Rei" e quem são seus "amigos".
            SDS.

            • Aprenda você e outros de uma vez: empresa brasileira é empresa constituída sob as leis brasileiras pouco importando se é filial de uma empresa estrangeira. Ou seja, se a Boeing criar aqui uma subsidiária e passar a produzir avião no nosso Brasil fará jus ao financiamento do BNDES, o que é muito justo quando você lembrar que trata-se de um produto de alto valor agregado.

              Bem diferente da situação que narrei mais acima, onde comprovadamente empresas obtiveram facilidades no banco de fomento por serem amigas do “Rei”, tudo bem documentado nos autos originários da operação lavajato….

              • Olá.
                Se a empresa produz no Brasil, sob a égide da legislação brasileira, sendo ela de onde for, um financiamento do BNDES para gerar capital de giro ou para alavancar a produção/instalação de infraestrutura no país, está tudo perfeito.
                Agora, se não for esta a condição, se o financiamento do BNDES for destinado a uma empresa que vai utilizar o dinheiro para projetos e geração de empregos fora do país, ai se obtêm as vantagens dos "amigos do Rei".
                Resta saber o que exatamente quis dizer o presidente da Embraer.
                SDS.

  1. Meu Deus, tem que exorcizar ahaha
    Não vai ser fácil esses cachorros largarem o osso que estão roendo a décadas.

    Tinha "neguinho" que na campanha falava de privatizar bancos e tal, agora mudou o discurso, inclusive sobre uma pocilga safada chamada Correios.

    Quer conhecer os homens, dê poder a eles.

  2. Ué, mas a ideia não era buscar novos mecanismo de financiamento pois, segundo o próprio CEO da Embraer, a empresa não sobreviveria?! Então, se os recursos continuarão a sair do BNDES, qual a vantagem nisto?!?!

    Como disse, o objetivo nunca foi "salvar a empresa" e sim embolsar um bom dinheiro na transação. Nossa, como brasileiro é "ixperto".

    • Acho que vc não sabe como uma companhia funciona, mas eu posso te ajudar.

      Direito Empresarial (capital social não é capital de giro e não é destinado a vendas)

      Companhia é uma sociedade de capital. O capital da empresa é usada para adquirir os ativos necessários ao seu objetivo. São 5 bilhões.

      Capital de giro normalmente é capital de curto prazo e é obtido no mercado. Normalmente por faturamento.

      Outra coisa é o financiamento das vendas. O devedor é o comprador das aeronaves, não é a companhia.

      No Brasil, em decorrência da ciranda financeira conhecida por Selic, os juros não são internacionalmente competitivos. Por isso, o governo criou o BNDES (que é um esparadrapo).

      Interpretação de texto

      O artigo diz que é uma possibilidade, não que é um fato. A Boeing ou o cliente podem preferir outra instituição financeira.

      • Sério, eu como contador não sabia disso e mestrando em economia de defesa não sabia disso?! SQN!

        Dudu, faz o seguinte, recaptula tudo o que foi dito deste negócio, das justificativas fajutas até as que são meias verdades, depois a gente conversa. Aliás, vá buscar informações sobre o e-mail interno que circulou sobre a venda da Embraer, quando sequer houve divulgação deste, ou seja, um vazamento (que disseram ter sido intencional), ainda em junho de 2017. Vale lembrar que o negócio foi divulgado em dezembro daquele ano, como uma das justificativas do movimento da Bombardier com a Airbus, só ai mostra que nunca foi o objetivo a captação de capital giro, ou melhores fontes de financiamento e sim fazer um bom lucro financeiro (dividendos) com a negociação, ou ainda, uma imensa comissão pela compra.

        Vale lembrar, também, que este CEO aí pouco se importa com as informações de mercado (o real, da venda de aeronaves, não o mercado financeiro o qual é oriundo, daí o olhar apenas por valorização especulativa), pois se tivesse feito, saberia que o futuro da empresa, em apresentar soluções ao mercado, quem sabe até, entrando diretamente na briga com as grandes (que é uma das justificativas da Boeing, eliminar uma futura concorrência bem estabelecida e competitivíssima).

        Resumo da ópera, sim, o CEO teve um olhar de curto prazo, no caso, muito dinheiro no bolso dele. No futuro próximo te lembrarei desta conversa.

  3. Privatizaram para que?
    Esse povo não larga o osso, mesmo privatizado, nem pertencendo a uma empresa americana. Que coisa feia.

    • Bom mesmo foi quando as empresas acima citadas ( empreiteira notória, frigorífico de dois irmãos e um empresário farsante obcecado por uma letra do alfabeto) obtiveram facilidades no BNDES que não foram estendidas à outras empresas pelo fato de serem amigas do “Rei” não é mesmo!?

      Ademais e como já foi explicado empresa brasileira é aquela constituída no Brasil sob as leis brasileiras pouco importando se é filial de uma empresa estrangeira. Se a Boeing constituir uma subsidiária aqui para construir aviões terá direito às linhas de crédito do BNDES.

      Ps: saudades da EMBRAER orgulhosamente estatal e deficitária Walfrido, penando para entregar meia dúzia de turboélices?

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