Tu-95_capa 2Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os bombardeiros passaram por rápida evolução: do tipo propulsionado por motor a pistão, que lançava bombas em queda livre, até o modelo supersônico de alto desempenho, equipado com armas nucleares.

Quando foi visto pela primeira vez, em 1955, o enorme Tupolev Tu-95 — denominado “Bear” (urso) pela OTAN — causou alarma e temor no Ocidente. Seu tamanho indicava um alcance realmente global e, apesar de ser um turboélice, não deixava nada a desejar quanto à velocidade. Com asas e cauda enflechadas e hélices de contra-rotação com oito lâminas, era tão veloz quanto os bombardeiros a jato de longo alcance.

Nos decênios seguintes, esses gigantescos aviões voaram por muitas partes do mundo, freqüentemente enfrentando condições de tempo adversas e acumulando, dessa maneira, confiabilidade e longevidade. No entanto, o número total de aparelhos produzidos foi inferior a trezentos. Em meados da década de 80, a aviação soviética de longo alcance tinha sua espinha dorsal formada por 113 bombardeiros Tupolev, denominados “Bear A” e “Bear B” pela OTAN.

tu-95h_4A versão “B” possui radares e um compartimento de armas modificado para.transportar um imenso míssil Cruise, conhecido pela OTAN como “Kangaroo”.

No auge da Guerra Fria, a aviação naval operava cerca de 75 aeronaves “Bear” de patrulha oceânica, ataque antinavio, interferência e contramedidas eletrônicas.

Uma versão um pouco maior (chamada pela OTAN de “Bear-F”) destinava-se à guerra anti-submarina. A tripulação, em todos os modelos, acomoda-se no nariz pressurizado e num compartimento da parte traseira da fuselagem, também pressurizado, presente na maior parte das versões. Alguns modelos, como o “Bear-D”, de vigilância marítima, são dotados de radares, equipamentos auxiliares navais, aparelhos especiais de comunicação, monitores para orientação de mísseis etc. Por sua longevidade, vieram as versões E, F, G e H.


Características

Tipo: Bombardeiro estratégico com oito tripulantes.

Propulsão: Quatro motores turboélices Kuznetsov NK-12M com 14.795 hp de empuxo cada.

Desempenho: Velocidade máxima, 950 km/h; teto de serviço, 14.000 m; alcance, 17.500 km.

Pesos: Vazio, 86.000 kg; máximo, 154.200 kg.

Dimensões: Envergadura, 51,10 m; comprimento, 49,50 m; altura, 12,12 m; área alar, 310,50 m².

Armamento: Dois compartimentos internos para uma carga de 20.000 kg de bombas; quatro torres com dois canhões NR-23 de 23 mm cada.


FONTE: Máquinas de Guerra


Índice

Bombardeiros do pós-guerra

Boeing B-29/B-50

Convair B-36 Peacemaker

North American B-45 Tornado

Boeing B-47 Stratojet

Projetos de jatos americanos

Martin B-57 Canberra

Convair B-58 Hustler

Comando Aéreo Estratégico

Boeing B-52 Stratofortress

BAe (English Eletric/BAC) Canberra

Avro Lincoln

Vickers Valiant

British Aerospace (Avro/Hawker Siddeley) Vulcan

Handley Page Victor

Sud-Aviation Vautour

Ilyushin Il-28 Beagle

Myasischyev M-4 Bison

Tupolev Tu-16 Badger

 

 

 

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15 COMENTÁRIOS

  1. Fantástica imagem da interceptação do Tu-95RT ‘Bear-D’ (variante de reconhecimento marítimo, inteligência eletrônica – ELINT e designação de alvos) da Marinha Russa pelo Lightning:
    http://www.cavok.com.br/blog/wp-content/uploads/2

    Realmente sensacional.

    Único destaque que eu faço é que o Tu-95RT, apesar de ser um dos ‘Bear’ mais fotografados durante a guerra fria, pelo tipo de missão que desempenhava, não se enquadra como bombardeiro, haja vista não possuía qualquer capacidade de operar armamentos, excetuando-se, obviamente, as torretas de cauda (para autodefesa).

    O Tu-95RT foi desenvolvido a partir do ‘Bear-A’ (Tu-95/Tu-95M). Para se ter uma ideia, no compartimento de armas do Tu-95 foram instalados uma série de sensores que permitia à aeronave desempenhar as missões para que foi designada. Apesar de muito fotografado, apenas 45 exemplares do Tu-95RT foram construídos. A maior característica visual da aeronave, e exclusiva dela, era a grande protuberância sob a fuselagem, que abrigava uma antena de radar que era empregada na busca e detecção de embarcações de superfície. A informação, então, era direcionada para navios de guerra soviéticos, incluindo submarinos, que, se fosse o caso, se encarregariam de realizar o ataque em si.

    • LaMarca,

      Essa foto do Bear sendo interceptado pelo Ligthning me lembrou um "causo" curioso, que li numa matéria acerca do modelo…

      Ao menos uma vez, um 'Bear' ajudou um Ligthning a retornar a sua base… Na ocasião em particular, o avião britânico que o havia interceptado estava com o tanque seco e o reabastecedor estava fora do alcance do seu radar. O piloto russo, num gesto bastante cavalheiresco, guiou o avião britânico até o seu reabastecedor. O russo havia captado o 'tanker' aliado e estava escutando a conversa. "Boa sorte, English Eletric Mig", despediu-se ele…

      Essas interceptações, aliás, são cheias de "causos"…

      Reza uma "lenda" de que os pilotos dos Tomcat levavam revistas masculinas em seus caças… Quando davam de cara com um avião russo, abriam as revistas nos posteres…

      E curioso que a maior parte dos relatos que já li dos pilotos desse período, de ambos os lados, mostram boas recordações de encontros que as vezes eram bastante pitorescos…

      Saudações.

      • Grande causo esse do Ligthning, RR….

        A situação das revistas masculinas, eu já tinha lido em algum lugar (não me lembro onde). Durante a Guerra Fria havia um certo romantismo port trás das missões. As histórias tinham mais emoção. Hoje em dia tudo ficou sem graça.

        Bons tempos!!!

        Grande abraço

      • Legal o relato, RR. Bem legal mesmo!

        Sobre os pilotos de Tomcat levando revistas masculinas em interceptações, realmente acontecia. Inclusive um RIO de F-14D conseguiu uma vez colocar um filme adulto no MFD do Tomcat hahaha

  2. Eu, pessoalmente estava esperando com ansiedade por este "B". Esse tem história para contar, principalmente junto da US Navy.

    Os anos passam, décadas se vão, mas o Tu-95 continua dando trabalho: https://i0.wp.com/news.usni.org/wp-content/upload

    O interessante é que se pode montar um linha histórica fenomenal da aviação só com fotos de interceptações feitas a este Bombardeiro. Fica a singela sugestão ao Cavok.

    Parabéns pela série!

    • E saber que Andrei Tupolev, seu criador, foi perseguido e condenado por Stalin durante muitos anos, tendo sido considerado traidor. Foi obrigado a trabalhar mesmo na prisão. Por ironia do destino, viria de Andrei Tupolev a criação mais expressiva da aviação estratégica da URSS, o Tu-95.

      Andrei Tupolev só foi reabilitado por completo 10 anos após a morte de Stalin.

      • História mais que curiosa. Essa eu nem imaginava. Barbaridade um engenheiro da importância e do calibre de Andrei Tupolev, verdadeiro artista, sofrer tamanha agressão do regime soviético.
        É o lado negro que o socialismo de um modo geral esconde.
        Valeu LaMarca!
        Sds.

        • Não foi o único, Brasileiro…. Sergei Pavlovich Korolev, pai do programa espacial soviético, também sofreu perseguição e chegou até a ser enviado para Gulag, na Sibéria. Stalin perseguiu muita gente. As coisas só melhoraram após a sua morte.

  3. Pra mim, o mais belo avião soviético e meu sonho de consumo é por as mãos num dos motores Kuznetsov…

  4. As fotos 13 e 14 são demais. E pensar que estas máquinas ainda colocam em alerta a OTAN mesmo hoje em dia.

  5. Uma aeronave turboélice capaz de atingir 950km/h…incrível. Acho fantástico esse avião. E originou um outro que acho dos mais belos que já voaram, o Tupolev 114 Rossiya.

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