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Concepção artística do Boom / © Boom, em caráter ilustrativo

O excêntrico bilionário inglês Richard Branson, fundador do grupo Virgin, pretende trazer de volta os voos comerciais supersônicos, só que dessa vez com preços mais acessíveis, custando cerca de 1/4 do valor que os passageiros normalmente pagavam para voar no Concorde.

A aeronave, inicialmente designada Boom, está sendo desenvolvida por uma empresa que leva o mesmo nome, baseada em Denver, no Colorado, que contratou até profissionais que trabalhavam na NASA, Boeing e Lockheed Martin para atuarem no projeto, que está sendo desenvolvido com a consultoria de Mark Kelly, um ex-astronauta americano. A Virgin Galactic também participa do projeto, fornecendo serviços de engenharia, design e fabricação, testes de voo e operações.

De acordo com as informações, o Boom terá capacidade para 40 passageiros em uma configuração de corredor único, sendo dois assentos de cada lado, e voará a 60.000 pés, permitindo aos ocupantes ver a curvatura da Terra, a uma velocidade de Mach 2,2, mais de duas vezes a velocidade do som e 2,6 vezes mais rápido do que qualquer outra aeronave de passageiros, o que permitirá que o trajeto de Nova York a Londres seja feito em 3,4 horas, San Francisco a Tóquio em 4,7 horas ou Los Angeles a Sydney em seis. Em comparação, o Concorde possuía a velocidade máxima de Mach 2,04 e comportava até 120 passageiros.

Ainda segundo os projetistas, o Boom fará amplo uso de material compósito e irá incorporar uma aerodinâmica moderna, com motores de última geração. Não foi informada, entretanto, uma previsão a respeito de quando a aeronave estará pronta para voos comerciais.

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Concepção artística do Boom no aeroporto de Heathrow, em Londres / © Boom, em caráter ilustrativo

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FONTE: CNN

EDIÇÃO: Cavok

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23 COMENTÁRIOS

    • Difícil vai ser a passagem custar um 1/4 do preço com número de passageiros menor.

  1. Quanto custava uma passagem do concorde? Pra gente ter uma ideia do preço

      • por esse preço eu vou e volto umas 4x na primeira classe de um convencional. O tempo ganho com o concorde eu perco no no transito do JK até Manhattan lol.
        Que chique, podia ser Guarulhos e ser roubado no meio do caminho pelo taxista ahahah

        • Quem paga dois ou três mil dólares de passagem de avião tem de alugar um helicóptero para casar com a pressa no destino, se não, não faz sentido…

      • Então , US$ 2500 por uma viagem nessa nave ai , compensa , em relação aos voos "normais"?

        • Por 2,500 sim, problema é que o valor era muito acima e ai não compensa, a não ser que o objetivo não seja a aeronave dar lucro e sim o glamour ahaha

    • Em 2002 uma passagem JFK-LHR-JFK comprada com 1 mês de antecedência custava USD $10.000

  2. A questão aqui será o motor que moverá o Boom.
    No final tudo se decide nos números se pagando U$ 2.500,00 por passageiro e com 40 deles na aeronave você obtém 100.000 dólares.
    Para ser vantajoso pagar 2.500 para voar a Mach 2.2, só faz sentido em trechos longos transatlânticos e Transcontinentais.
    O CERNE é se a tecnologia evoluiu nestes últimos trinta anos para permitir uma aeronave significantemente mais leve, mais aerodinâmica e com tecnologia de motor mais econômica e SILENCIOSA que o Concorde.
    Esta aeronave tem de ter um propulsor com dry thrust suficiente para manter-se a Mach 2.2 uma vez que qualquer tentativa de usar a tecnologia de pós-combustão liquidaria automaticamente qualquer chance de sucesso comercial pelo consumo de combustível.
    E qualquer desenvolvimento militar de engenharia que conheço simplesmente não tem este tipo de preocupação uma vez que a solução padrão para aumentar a potência em aeronaves militares é a pós-combustão mesmo para as empresas citadas envolvidas no projeto nenhuma produza motores aeronáuticos. NÃO SEI se duas turbinas militares de ponta conseguiriam impulsionar uma aeronave deste porte a Mach 2.2 sem fazer uso de pós-combustão…
    Como a única informação prestada é que a aeronave usará motores de última geração, PRESUMO que não se projetará um motor específico para o BOOM a única alternativa válida, sendo um projeto americano, será usar motores de caça supersônicos, e o oscar vai para dois motores Pratt & Witney F135-PW-100 que equipam os F-35 por serem mais leves (150 lb) e ainda mais poderosos (34 kN) que o propulsor do F-22.
    SE for viável usar estes dois canhões SEM pós combustão, TALVEZ esta aeronave seja viável comercialmente….
    Ou vão ter que projetar um novo propulsor do ZERO, coisa que ninguém teria coragem de financiar nestes tempos bicudos…

    • Giba, usar os F135 não seria assim muito simples pois conforme relatos o mesmo seria extremamente barulhento, violando as rigorosas normas sobre nível de ruído que regem a aviação comercial. Assim o motor deveria sofrer um processo de "civilização", que inclusive já foi feito no passado (o Convair 990 Coronado usava versões civilizadas da J-79 e os primeiros Learjets usavam versões civis do J-85). E talvez seja meio complicado isso.

      Contudo, é preciso reconhecer que o projeto tem enorme potencial e penso que o Governo Britânico deveria unir-se à Sir Richard Branson e financiá-lo visando algo mais na frente ou seja, um jato de passageiros supersônico economicamente viável, o que poderia devolver à Grã-Bretanha a primazia no setor, e uma nova companhia aerospacial a romper com a hegemonia local da BAe Systems.

  3. Amigos,

    Muito estranhas as janelas grandes.
    Para voar a 60.000 pés, a razão de pressurização tem que ser muito alta. Essas janelas da imagem exigiriram grande reforço estrutural (peso). Um projeto atual eu acho que teria janelas virtuais. Parece um desenho simplificado, e não um projeto.
    Não creio que, nos próximos anos, haja demanda para avião comercial desse tipo.
    Mesmo que haja um voo diário entre Londres e Nova Iorque, por exemplo, provavelmente pode-se chegar ao destino mais rápido usando voos convencionais, muito mais frequentes.
    Creio que um projeto de jato executivo supersônico seja mais viável. Muitos executivos não medem esforços ($) para fechar um negócio. Mesmo que não comprem as aeronaves, podem contratar esses deslocamentos supersônicos em ocasiões específicas.
    Abraços,

    Justin

  4. Muita gente voava no concorde não por causa de algum compromisso apressado, mas pela mística de voar em um avião exclusivo, serviço de primeira e tirando os militares é raro um civil poder voar em mach 2. No documentário da queda do concorde mostrava por exemplo um casal de professores que pouparam durante anos para ter o prazer de voar no avião.

  5. Ainda sobre esta concepção artística do Boom, algumas observações tecnológicas:
    1) Como observado pelo Justin as janelas são muito grandes, não sei se é o caso do projeto da Virgin mas há alguns anos atrás vi um artigo onde um pesquisador dizia ser possível construir uma base estrutural de fuselagem com anéis transparentes de um plexiglás unidos em um eixo como um esqueleto coberto por metal. As janelas ficariam justamente nestes anéis estruturais permanentes e assim poderiam ser tão grandes, por fazer parte da estrutura da fuselagem. Só não sei se é este o caso aqui;
    2) pela imagem se conta 20 janelas ovais, e no texto se diz que a aeronave teria 40 passageiros. Seria um corredor com uma cadeira de cada lado e cada um com sua janela individual ??? Seria um voo de egoístas e pouco romântico para casais;
    3) Também pela imagem se vê que as asas são muito delgadas, as 20 janelas terminam no meio da asa delta e a fuselagem na frente é bastante afilada na parte inferior. Só posso concluir por este desenho que o espaço para bagagem e o armazenamento de COMBUSTÍVEL ficarão todo na parte traseira da fuselagem;
    4) para uma aeronave supersônica o excessivo abaulamento superior (lembrando uma ligeira corcova dos Jumbos) me parece um pouco incongruente numa aeronave supersônica;
    5) a crítica questão do boom supersônico não me parece resolvida no desenho do Boom "mini-concorde", sem uma tecnologia que reduza o boom sônico e permita a aeronave voar sobre terra me parece mais um projeto fadado ao fracasso. Pelo que conheço do assunto só há duas abordagens em pesquisa com alguma promessa de resultado:
    A) a mais "fácil" e promissora é um novo design de aeronave totalmente diferente do Boom que é proposto simultânea mente por uma Universidade japonesa (Tohoku) e uma Universidade americana (MIT) que basicamente propõe um avião biplano que geram dois cones de boom que se anulam parcialmente diminuindo o som que chega ao solo. A pegadinha é que o esquema só funciona em velocidade supersônica, como decolar e chegar a velocidade supersônica como sair desta velocidade e pousar implica em perda de sustentação crítica com a configuração biplano proposta; http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/no
    b) a segunda alternativa, mais teórica, e possivelmente menos eficaz seria aumentar as tomadas de ar para as turbinas e a aeronave ao entrar em velocidade supersônica ter um sistema de canalizações de ar derivado para soprar ar a altíssima pressão em locais próximos aos locais de geração de vórtice sônico de forma a diminuir o diferencial de pressão e/ou gerar ondas de cancelamento de som (apito/gerador de som). Teoria difícil de desenvolver por requerer simulação matemática de altíssima complexidade e a dificuldade de experimentação de voos supersônicos sobre terra em quase todo mundo. E visa apenas atenuar o boom sonico para um limite tolerável. Sua principal vantagem se puder ser aplicada é não alterar demasiadamente o perfil tradicional de aeronave utilizado até hoje.

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