Centro de Lançamentos de Foguetes de Alcântara.

O Ministro da Defesa do Brasil disse na quinta-feira que a Boeing, Lockheed Martin, SpaceX e outras empresas aeroespaciais dos EUA manifestaram interesse em lançar foguetes da base militar de Alcântara, perto da Linha do Equador, e visitaram a instalação em dezembro.

“Eles ficaram muito impressionados”, disse o ministro da Defesa, Raul Jungmann, a repórteres. “Eles mostraram interesse, mas não posso dizer se isso se materializará”.

A localização de Alcântara torna atrativo porque cerca de um quinto menos de combustível é usado para lançar satélites em órbita próximo da linha do Equador, em comparação com locais mais ao norte ou ao sul.

Além da SpaceX, da Lockheed Martin e da Boeing, a visita de Alcântara incluía pequenas empresas aeroespaciais dos EUA, como a Vector Space Systems, que lança pequenos satélites, e a Microcosm, que se concentra em fornecer acesso de baixo custo ao espaço, disse um organizador da viagem.

Rubens Barbosa, ex-embaixador brasileiro nos Estados Unidos que organizou a visita à base, disse que as empresas dos EUA estavam ansiosas para usar a base em Alcantara.

No entanto, o SpaceX de Elon Musk, que realizou o lançamento bem sucedido neste mês do foguete Falcon Heavy, disse que os comentários não estavam corretos.

“Reportagens dizendo que a SpaceX está interessado em lançar do Brasil são imprecisos”, disse o porta-voz John Taylor em um comunicado.

A Lockheed Martin e Vector Space Systems não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

A Boeing disse que enviou dois executivos para visitar a base.

“A Boeing vê isso como um momento emocionante na indústria espacial à medida que construímos foguetes para lançamento, testar novas naves espaciais e desenvolver tecnologias inovadoras para manter os seres humanos vivos em órbita no espaço profundo”, disse a fabricante dos EUA. “As parcerias internacionais desempenharão um papel importante para tornar isso realidade e aguardamos a participação do Brasil”.

A Boeing está atualmente buscando comprar a brasileira Embraer, a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo e a principal player da indústria aeroespacial no país.

As empresas americanas não poderão lançar foguetes do Brasil até que o país sul-americano assine um Acordo de Proteção de Tecnologia (TSA) com Washington para proteger a propriedade intelectual dos Estados Unidos.

Uma tentativa anterior de fazê-lo em 2000 foi deixada de lado pelo governo esquerdista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando assumiu o poder em 2003 e nunca foi ratificado pelo Congresso.

Os legisladores brasileiros devem aprovar uma nova TSA que agora está sendo negociada com os Estados Unidos.

Jungmann disse, além das empresas americanas, que a China, a Rússia, a França e Israel estavam interessados ??em uma parceria com o Brasil para usar a base em Alcântara. O Brasil prevê vários usuários para a base.

“Eu acho que poderíamos configurar cinco plataformas de lançamento”, disse Jungmann.

Diversos países trabalharam com o Brasil em questões espaciais. Nas últimas duas décadas, a China colocou cinco pequenos satélites que o Brasil usa para observar a agricultura, o meio ambiente e a destruição da floresta amazônica.

O Brasil abandonou planos para construir seus próprios foguetes após uma explosão e um incêndio em 2003 em Alcântara matou 21 pessoas.

O Brasil, então, se voltou para a Ucrânia para fornecer tecnologia espacial, mas cancelou o acordo em 2015, após os problemas financeiros da república da ex-União Soviética ficar incapaz de fornecer foguetes como prometido.


Fonte: Reuters

24 COMENTÁRIOS

  1. Alugar a base para varias empresas é incomparavelmente mais interessante e lucrativo que o acordo anterior oferecido pelos eua, que tornariam Alcantara um território fechado seu, por um valor parco e diversas imposiçoes sobre como usar este dinheiro.

  2. Aí começa o mimimi de que o acordo de salvaguardas viola a soberania brasileira. O país (com razão) não deixa que inspetores estrangeiros vejam as centrífugas de enriquecimento de urânio, mas acha que os gringos tem que deixar os brasileiros vistoriarem os contêineres com equipamento para o lançamento.

    • Os paises estão certos em defender sua tecnologia.

      Se coloquem no lugar do Tramp por exemplo, deixaram um pais de 5° mundo bisbilhotar na sua tecnologia? Eu não deixaria!

    • Pessoal vamos fazer discussões aproveitáveis! Nada de insultos! Por parte de todos. Blz?

      Ofensas só prejudicam o Cavok!

      Aqui não é lugar para isso! Ofensa só no Sputnik ok!

  3. Que venham, o país aceita em fazer parceria e resguardar suas tecnologias, mas não venham achando que poderão vetar e/ou ditar como e com o que faremos com o dinheiro arrecadado, ou de que poderão ditar com quem podemos ou fazer parcerias. Não é assim que a banda toca.

  4. Para qualquer parceria vingar é preciso interesse mútuo, raríssimas vezes isso ocorreu na área de defesa, defesa de ponta, nada de compra de forevis5 usado capenga. Da ultima vez a fab jogou no lixo um pacote de armas (FX2) excelente, coisa que os americanos so oferecem para parceiros, espero mesmo que não joguem no lixo mais uma oportunidade, depois não adianta chorar.

    ps* Se nada vingar, loteia os terrenos da base para os quilombolas kkkk

    • Ao invés de avaliar as condições do negócio, preferem usar o Estado como ferramenta ideológica.

  5. E lá vem mais dinheiro para corrupção.

    Se querem usar a base deveriam usar como parceiros diretos e contribuir com o nosso crecimento.

    • A valor tecnologia ultrapassa o valor da base ou da redução de combustível.

      Além disso, a tecnologia não pode ser repassada pelo Regime de Controle da Tecnologia de Mísseis. Tanto o Brasil quanto os EUA fazem parte do MTCR.

  6. "Suas tecnologias"

    Desculpem..

    Que tecnologia espacial o Brasil criou fora mandar para órbita milhões do acordo da Cyclone ?

  7. Boeing, Lockheed, SpaceX, Roskosmos (Rússia), agências espaciais de Israel e China, que venham todas!

    • E que pagem também! De graça não é negócio nenhum, ja não basta os bilhões gastos em obras de outros países( ex:porto cubano).

      • Aquele velho negócio entre companheiros. É uma briga pra quem vai entregar, uma hora é a Rússia, na outra a China.

    • Se depender de uns e outros aqui Alcântara não apenas iria virar território chinês como os quilombolas ainda seria usados como mão de obra escrava…

  8. Achei estranho citarem a SpaceX, eles estão construindo uma base de lançamentos própria no sul do Texas, acredito que queiram 'resgatar' este investimento. A não ser que a demanda deles realmente seja gigantesca nos próximos anos. Mesmo assim, teria a questão do transporte e da burocracia. Seria extremamente necessário um amplo regime de isenção tributária por parte da União…

    Um ponto que me deixou curioso, não seria necessário a construção de mais plataformas de lançamento? Atualmente só a VLS PAD comportaria os sistemas de lançamentos maiores, correto?

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