O novo presidente brasileiro Jair Bolsonaro, disse que aprova a fusão da Embraer e Boeing, mas com ressalvas. (Foto: Aero Icarus / Wikimedia)

As ações da Embraer fecharam com queda de 5,25% na Bovespa após o presidente Jair Bolsonaro se dizer partidário, mas com reticências, da fusão da fabricante aeronáutica brasileira com a gigante americana Boeing.

“Seria muito bom essa fusão, mas nós não podemos, como está na última proposta, não é? Daqui a cinco anos, tudo pode ser repassado para o outro lado”, afirmou Bolsonaro à imprensa na Base Aérea de Brasília ao ser consultado sobre se apoiará a “venda” da brasileira.

“A preocupação nossa é essa, é um patrimônio nosso, sabemos da necessidade dessa fusão”, mas existe a preocupação de que “a competitividade não venha se perder” com essa fusão, avaliada em 5,26 bilhões de dólares, acrescentou.

As declarações de Bolsonaro, que assumiu o poder em 1º de janeiro, tiveram impacto imediato no mercado. As ações ordinária da Embraer caíram 5,25% pouco antes do fechamento da bolsa, mas o índice Ibovespa conseguiu subir 0,41%.

O acordo prevê que a Boeing assuma o controle das atividades civis da Embraer por 4,2 bilhões de dólares, controlando 80% do capital do novo grupo. Os 20% restantes ficariam com a companhia brasileira.

Segundo as duas empresas, o novo grupo será líder da aviação comercial.

Os setores de defesa e aviação executiva da Embraer não entram no acordo, que foi finalizado em julho.

A Embraer é a terceira maior fabricante aeronáutica do mundo, com faturamento de cerca de 6 bilhões de dólares e 16.000 funcionários, além de uma gama de jatos civis, militares e também de negócios.

Com sede em São José dos Campos, a Embraer foi privatizada em 1994, mas o governo conservou um poder de veto em questões estratégicas, o “golden share” – que poderia ser usado por Bolsonaro.


Fonte: AFP, via Exame

6 COMENTÁRIOS

  1. Que essa associação é necessária, é fato, porém continuo com meu achismo de que os 80/20% a favor da Boeing ficaria melhor nos 51/49% considerando a soberania do país.
    É bem possível que esteja havendo questionamentos na esfera do novo governo que afinal, foram os genitores dessa brilhante jóia brasileira.

  2. A coisa é muito simples, a Embraer esta como uma moça virgem na Inglaterra do inicio do Sec XIX.
    Ou casa com um homem e se torna sua escrava e perde sua personalidade, ou fica solteira e na perda dos pais perde tudo o que tem e vai para a rua virar prostituta.
    Mas essa situação vexaminosa, esta verdadeira "Escolha de Sofia" se deve ao fato que como todo Brasileiro a Embraer é uma filha bastarda jogada a sua própria sorte.
    Se houvesse um governo digno desse nome ela sobreviveria sem a Boeing pois ele se encarregaria (como faz o Tia Sam via orçamento de Defesa) de mante-la viva com seu corpo técnico.
    Seriam tempos difíceis e ela com certeza perderia muito mercado, mas o que conta para nos em termos de soberania e estratégia é ter uma empresa capaz de projetar aeronaves.
    Manter a Embraer e seu corpo técnico para o Brasil (ainda que com baixa significativa de vendas) é mais importante do que ter uma Embraer na liderança de determinado segmento comercial mas que na pratica não tem nenhuma relação com o pais, e talvez nem mais como empresa e sim como apenas mais um Departamento da Boeing..
    Pelo visto nem mesmo um governo dito de direita esta entendendo a situação, oras ele é o governo que trate logo de formalizar o que pensa para o bem ou para o mal.
    E triste de ver.
    Tenho a impressão que esta nação esta condenada a um destino semelhante ao que a China teve no inicio do séc XX.
    Nosso parque industrial esta indo embora estamos seguindo o mesmo caminho da Argentina, parece que estamos revivendo a mesma maldição que vitimou o Barão de Mauá.
    Estávamos com o plano Espacial e com a inação do governo interesses externos acabaram na pratica com ele, agora que a Embraer esta tomando envergadura, ela se vai novamente vitima da inação do governo em associação com interesses externos.
    Não há no horizonte nenhum governo que tenha noção da importância de subsidiar uma industria de defesa voltada a dotar a nação de condições minimas para ela exercer sua defesa.
    O preço disto não tardará a ser pago por nos…

    • Foi privatizada, agora que procure sua sobrevivencia sem o governo, que se jogue no colo da Boeing ou vá a falência.

      Isso é problema exclusivo de seus acionistas e não do Gov.

      • A perda da Embraer é problema para nossa parca capacidade de empreender em um mercado de altíssimo valor agregado e também no campo geoestratégico para toda a nação.
        O aspecto "Empresa privada" para definir a Boeing e a Aribus é uma meia verdade, na Europa e nos EUA não há nenhum inocente útil que realmente acredite nessa visão rasa e jamais com base nela permitiriam a venda ou o domínio estrangeiro de cada uma delas devido serem um "ativo" absolutamente estratégico para seus respectivos governos.
        O problema de alguns brasileiros é querer ser mais capitalista do que os Yankees!
        Eles se divertem muito com isso pois poupa muito trabalho para eles.
        Receba desde já o profundo agradecimentos deles…rs

      • Todo esse rancor é porque a EMBRAER deixou de ser uma “gloriosa”, perdulária e corrupta estatal Walfrido?

  3. Será a primeira ‘queda de braço’ entre o núcleo econômico liberal do governo e o núcleo militar, estatista e interventor por essência.

    Não vejo meio termo nesta questão.

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