01Objetivo é realizar o lançamento e o rastreio de um foguete de treinamento e um foguete suborbital.

FAB logoO Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) realiza, até meados de dezembro, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), a Operação Rio Verde. Os objetivos são lançar e rastrear um foguete de treinamento e um foguete suborbital (VSB-30 V11), assim como resgatar uma carga útil MICROG2 no mar.

Durante a Rio Verde, coordenada por meio do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), o lançamento do foguete de treinamento visará verificar todos os meios relacionados à operação de lançamento, bem como testar procedimentos e treinar todas as equipes envolvidas na campanha.

Em seguida, deverá ser lançado o foguete nacional VSB-30 V11, desenvolvido pelo IAE, em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR). O veículo levará a bordo oito experimentos científicos e tecnológicos selecionados pelo Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB), que possibilitarão aos cientistas e pesquisadores brasileiros realizarem estudos e pesquisas em ambiente de microgravidade, acima de 100 km, por até seis minutos, em condições bem específicas.

O lançamento do VSB-30 V11 com os experimentos embarcados na carga-útil MICROG-2 constitui uma excelente oportunidade das instituições de ensino e pesquisa nacionais obterem acesso facilitado ao espaço, que apresenta um baixo custo se comparado, por exemplo, a estudos sob essas mesmas condições realizados na International Space Station (ISS). Nessa região, conhecida como Low Earth Orbit (LEO), ocorrem fenômenos que são de difícil reprodução no nosso meio, o que ressalta a importância desse tipo de atividade para desenvolvimento científico e tecnológico do país”, explica o Coordenador-Geral da Operação Rio Verde, Coronel Avandelino Santana Junior.

Também são objetivos importantes da Operação Rio Verde dar prosseguimento ao Programa Nacional de Atividades Espacial (PNAE), em coordenação com AEB; apoiar o Programa Microgravidade da AEB, permitindo que organizações de ensino, pesquisa e desenvolvimento realizem experimentos científicos e tecnológicos através de voos suborbitais; manter a operacionalidade do CLA, proporcionando treinamento às diversas equipes envolvidas; testar novos sistemas do CLA para inclusão operacional em lançamentos futuros; manter a operacionalidade do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) como estação remota de rastreio; e incrementar a parceria com o Centro Espacial Alemão (DLR) relacionada ao lançamento de veículos suborbirtais e de realização de experimentos em ambiente de microgravidade.

Experiência

03Esta é a 23ª operação de lançamento do VSB-30, primeiro foguete nacional certificado para lançamentos no exterior e já lançado da Suécia, Noruega e Austrália, em parceria com a Agência Espacial Alemã. No Brasil, será o quarto lançamento do VSB-30, todos realizados em Alcântara. O último lançamento com o veículo no país ocorreu em 2010, durante a Operação Maracati II.

A expectativa é muito grande para a realização da Operação Rio Verde no CLA com sucesso. Além disso, pela primeira vez sendo utilizado em operações de veículos de médio porte, testaremos novos procedimentos a partir do novo Prédio de Segurança do Setor de Preparação e Lançamento (SPL), inaugurado no início deste ano e que nos possibilita intensificar a segurança das atividades na área operacional, o controle de acesso, bem como oferecer melhor conforto e infraestrutura às equipes que atuam na campanha. Ainda, estamos testando novos Sistemas Operacionais do Centro”, ressalta o Diretor do CLA, Coronel Aviador Cláudio Olany Alencar de Oliveira.

Após o lançamento e o voo em ambiente de microgravidade, tais experimentos devem ser recuperados em alto mar, por helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB) com apoio de embarcações da Marinha do Brasil.

02Sobre cada um dos experimentos e as instituições desenvolvedoras:

  1. MPM-A: Novas tecnologias de meios porosos para dispositivos com mudança de fase, desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os minitubos de calor fazem uso do calor latente de fusão e do efeito capilar para transportar energia de uma fonte quente para uma fria. Esses dispositivos podem ser utilizados para o controle térmico tanto de equipamentos eletrônicos no espaço como em terra;
  2. MPM-B: Tem a mesma finalidade do MPM-A, mas enquanto o fluido de trabalho do experimento MPM-A é o metanol, o MPM-B utiliza o fluido refrigerante denominado HFE7100;
  3. VGP2: Os efeitos da microgravidade real no sistema vegetal cana de açúcar, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Trata-se de um experimento biológico que tem por objetivo avaliar os efeitos na microgravidade sobre o DNA da cana de açúcar;
  4. E-MEMS: Sistema para determinação de atitude de veículos espaciais, desenvolvido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). O objetivo deste experimento é fazer uso de sensores comerciais para determinação de atitude de sistemas espaciais;
  5. SLEM: Solidificação de ligas eutéticas em microgravidade, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Este experimento contempla o desenvolvimento, construção e qualificação de um forno elétrico com capacidade de fundir (300°C) amostras de 3 materiais distintos. Ao atingir o ambiente de microgravidade, o forno é desligado e ocorre a solidificação das ligas;
  6. GPS: Modelos de Global Positioning System – GPS (Sistema de Posicionamento Global) para aplicações em veículos espaciais de alta dinâmica, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com a colaboração do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Esse equipamento fornece a latitude, longitude e altitude da carga-útil durante todas as fases do voo do foguete;
  7. SMA: Sensor Mecânico Acelerométrico, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Servirá para ativação de linhas de ignição, após submetida a uma aceleração entre 4 e 6 vezes a aceleração da gravidade. Com esse dispositivo, ainda em fase de qualificação, objetiva-se elevar a segurança do veículo, evitando-se, por exemplo, que sistemas pirotécnicos sejam acionados intempestivamente.
  8. CCA: Circuito de Comutação e Atuação, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Modelo de desenvolvimento do sequenciador de eventos pirotécnicos e comutação de energia funcional.

 


FONTE: Força Aérea Brasileira

 

10 COMENTÁRIOS

  1. Há de se elogiar, ainda que seja um engatinhar. Melhor que nada. Com pouco esforço poderíamos estar ao menos no mesmo nível da India. Faltou o Estado que tanto cobra (impostos) e pouco faz.

  2. Até quando a FAB que tem sérias dificuldades em cumprir com suas obrigações mais básicas vai ficar jogando recursos fora com este projeto espacial?
    Isso me lembra um hospital onde trabalhei na FAB e um Diretor anunciou na reunião semanal com os Oficiais que estava para obter um aparelho de tomografia, e um medico perguntou se não era mais importante comprar fios de sutura e luvas descartáveis, pois estavam faltando na Emergencia.

    • Caro WRStrobel,

      Concordo, até certo ponto: grande parte dos experimentos ali deveria ser obrigação da AEB, com participação e proveito direto da FAB e órgãos coligados, mas o Brasil decidiu "cavar" tecnologia no campo aeroespacial à força, mesmo nunca tendo nem uma perna da NASA (a dos "bons tempos"). Estranho, mas é isso. E a FAB, há muito, percebeu que se não fizer, o Ministério da Ciência e Tecnologia nunca fará, e qualquer conhecimento obtido se perderá, sem nenhum passo mais a frente. O que leva a um outro pensamento: se a Força Aérea não for perfeita no mínimo, não pode ter o máximo? Tem que ser impecável, para investir em tecnologia que parece perdulária agora?

      É como se eu dissesse ao Governo Federal: pare de investir em cultura e esporte, pois precisamos consertar hospitais. Eu preciso acabar um setor, para melhorar outro? E se não resolver nenhum dos dois e eu não conseguir retomar nada que já estava caminhando, nem socialmente?

      Essa enorme lista de justificativas da Rio Verde, do quinto bloco de texto em diante, diz muito do caminho que escolheram. O que existe tem que funcionar.

      Outra, retórica pura: parece que ter menos funções é perder prestígio e dinheiro (claro, evidente). E sabemos que existe gente lá dentro que quer deixar o Exército carregar seus próprios soldados e equipamentos e a Marinha fazer seu próprio esclarecimento marítimo, em prol da "racionalidade", "FAB é pra combater, reabastecer, transportar". Eu ouvi isso, bem cochichado. Mas são enorme minoria.

  3. quando eu vejo esse VSB-30 o que me vem a cabeça são misseis que poderiam ter o motor dele como base

  4. Esse pessoal me mata de rir.

    Vejam o item 3, avaliar efeitos da microgravidade na cana-de-açúcar. Por acaso, vão fazer plantação no espaço? Esses acadêmicos brasileiros são uma piada.

      • KKKKK

        Deve ser encomenda do Nove Dedos.

        E o pessoal achando que ele ia fugir pra Itália.

    • A experiência com a cana de açucar, claramente, é a mais importante desse lançamento. No ano de 2015 foram colhidas aproximadamente 618 MILHÕES de TONELADAS de cana de açucar somente na região centro-sul. Se essa pesquisa resultar em melhores técnicas para a produção da cana e que por sua vez resulte em um aumento de apenas 1% na produtividade, isso significa que a região centro-sul irá produzir (em números de 2015) 6,18 MILHÕES DE TONELADAS A MAIS DE CANA. Isso certamente são algumas centenas de milhões de reais a mais para nosso país.
      Assim, fica óbvio que o investimento feito para esse voo de microgravidade é muito importante. Afinal, o que é um investimento de alguns milhões de reais frente a possibilidade de se obter algumas centenas de milhões em médio prazo. Isso certamente vale o risco e é o tipo de investimento que um pais sério deve fazer.
      Não é a toa que os países ditos de primeiro mundo mantém uma estação espacial orbital, cujo principal objetivo são as experiências em microgravidade.
      Caro Abelardo, nossa ciência não é uma piada. Nossos pesquisadores são pessoas visionárias e muito sérias. Nosso grande problema como nação é a indiferença da maioria de nossa população para com a educação e as ciências em um modo geral. Para o brasileiro médio, a educação é apenas uma firula relegada às últimas posições em sua lista de prioridades. Já a pesquisa, nessa visão tacanha, é uma piada.
      Assim continuaremos relegados à margem das nações desse mundo, sendo conhecidos apenas como meros fornecedores de comodities, grandes festas populares, corrupção e putaria.

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