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Restrições orçamentárias afetam projetos das Forças Armadas; O novo ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirma que custeio consome quase totalidade dos recursos. Na Aeronáutica, quase metade da frota está parada. A construção do avião cargueiro KC 390 só está em prosseguimento porque a Embraer, mesmo sem receber o R$ 1,4 bilhão devido pelo governo federal, está bancando o projeto sozinha, que já sofre atraso de dois anos na sua certificação.

O presidente em exercício Michel Temer terá de lidar com o descontentamento nas Forças Armadas com as graves restrições orçamentárias que vêm enfrentando nos últimos anos. A Marinha está com 46% da frota parada e sem navios de escolta suficientes para dar proteção às plataformas do pré-sal. A previsão é que o projeto de construção do submarino com propulsão nuclear atrase mais quatro anos, sendo concluído após 2025 – última projeção feita.

No Exército, a situação também é considerada complicada e houve necessidade de se fazer um redesenho do portfólio estratégico da Força. Os frequentes contingenciamentos exigiram redução drástica na linha de produção do blindado Guarani, que poderá levar a Iveco, fabricante do equipamento, a suspender a produção por falta de pagamento. Segundo informações, o Exército não terá recursos para pagar a empresa daqui a três meses.

Na Aeronáutica, não é diferente. Quase metade da frota está parada. A construção do avião cargueiro KC 390 só está em prosseguimento porque a Embraer, mesmo sem receber o R$ 1,4 bilhão devido pelo governo federal, está bancando o projeto sozinha, que já sofre atraso de dois anos na sua certificação.

“Quase a totalidade do orçamento (da pasta) hoje é consumido com custeio de pessoal, deixando em segundo plano projetos que são fundamentais para a garantia da soberania do País e para o avanço tecnológico que, apesar de serem germinados na Defesa, transbordam a Defesa e trazem benefício para todo o desenvolvimento do País”, disse ao Estado o novo ministro da Defesa, Raul Jungmann. “Precisamos criar base para ter uma previsibilidade para garantir desembolso de recursos que deem continuidade, em um ritmo adequado, dos projetos estratégicos evitando que projetos que deveriam durar cinco, seis anos, não durem 20 ou 30 anos, como estamos vendo hoje.”

Fronteiras. Jungmann fez referência, por exemplo, ao projeto do Sistema Integrado de Monitoramento das fronteiras (SISFRON). “Ele é de importância vital para o País”, afirmou , para quem o Brasil tem de ter “um cuidado especial com suas fronteiras, especificamente com a Venezuela que hoje vive em uma instabilidade grande e que muitas vezes provoca uma migração para cá”.

O SISFRON começou a ser implantado em 2013, com prazo de conclusão de 10 anos. Só que, se for mantido o cronograma atual de repasses, ele só será finalizado em 2040, já com equipamentos obsoletos. O atraso impacta 22 empresas nacionais de alta tecnologia envolvidas no processo, com demissão de pessoal qualificado e eliminação da capacidade produtiva.

Dos R$ 185 milhões que o Exército precisava, no mínimo, este ano, para dar prosseguimento ao projeto em 2016, a previsão – ainda sujeita a cortes – não chega a R$ 140 milhões. Os chamados restos a pagar do ano passado que já deveriam ter sido repassados às empresas que estão trabalhando no projeto somam R$ 236 milhões.

A Marinha – cujos navios que estão operando tem idade média de 33,3 anos – também sofreu um forte baque no final de 2015, quando teve de suspender, devido a restrições orçamentárias, o projeto para controlar e vigiar a zona econômica exclusiva brasileira do Oceano Atlântico, chamado de Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAZ). O projeto, semelhante ao SISFRON das fronteiras, iria proteger uma área de 4,5 milhões de quilômetros quadrados do Atlântico, onde o Brasil tem imensas plataformas petrolíferas.

No caso da Aeronáutica, a demora do governo em concluir a compra de 36 aviões de caça para atualizar a frota da Força Aérea Brasileira deixou ameaçada a capacidade do País de proteção do espaço aéreo nacional. O projeto só foi assinado em agosto passado, após se arrastar por mais de 12 anos. Outro projeto que sofre restrição orçamentária é o programa de dados, que permite o uso de comunicação por data link entre controladores de tráfego aéreo e pilotos.

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FONTE: Agência Estado

EDIÇÃO: Cavok

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13 COMENTÁRIOS

  1. Isso já foi debatido por muito amigos aqui no Cavok. O problema não é falta de verbas, é má gestão. Poderia ser dobrada a verba do Min. da Defesa, que elá seria desperdiçada e perdida com pessoal.
    Assim como a Defesa, toda a nossa estrutura de Estado Nacional precisa se reformas.
    Desde o governo Sarney, foi criada uma demanda por gastos sociais (saúde, educação, etc) para sustentar a maquina eleitoral. Esse sistema foi o responsável por seguidos aumentos de gastos públicos, e consequentemente, aumento de tributos ou inflação. Essa demanda nunca vai parar de subir, e sempre engessa o orçamento, limitando as ações dos sucessivos governos.
    Passou Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma. Ninguém botou a mão nesse problema, apenas passaram a diante. Agora o país está praticamente quebrando. Se não forem feitas reformas, não mudar esse sistema que desperdiça dinheiro nos setores errados, logo o Brasil vai virar uma "Grécia".
    Sinceramente, não sou otimista com o país, pois a política é pautada em 4 anos, devido a eleições. Sem planejamento estratégico, continuaremos nesse sistema de vôos de galinha, seguidos de recessão.

    • Muito bem esclarecido Rudel41.
      A única certeza é que jamais faltará aeronaves disponíveis para transportar autoridades, dessas com conta na suiça que as pessoas depositam sem elas saberem, coitados.

  2. Espero que reformulem toda END e os demais penduricalhos que regulam o futuro da defesa do País.

    Se nada for feito vai ficar ainda mais chato e monótono falar das mazelas e precariedade das três forças bem como da indústria nacional de defesa.

    • Esquece. Nunca essa gente vai cortar na carne. Melhor deixar a frota dos anos 1970 e os que virão no chão a ter de cortar na carne! Sabia que no meu Estado a Assembleia Legislativa gastou mais em combustível que toda a Brigada Militar? Viu como é a coisa?

    • A END é um avanço no ordenamento dos objetivos da defesa e indústria nacional, o problema nunca foi este documento, mas sim em tentar seguí-lo e implantá-lo sem antes tentar reestruturar um conjunto de setores dentro das próprias FFAA. Se continuarem insistindo com este erro, podem quintuplicar o orçamento das FFAA e sempre será deficiente.

      É preciso enxugar nos setores administrativos e de RH, bem como o previdenciario, para ai sim sobrar algum trocado a mais para os investimentos.

  3. alguém vê uma esperança ? eu poderia até expor o que acho que poderia resolver os problemas…mas é tanta porcaria em todos os setores que eu cansei..

    tá complicado amigos.

    sds.

  4. Se está ruim agora, imagina depois da olimPIADA…ah, e esqueçam o tal Pantsir…que era para defesa da Copa e que ficou para a defesa dessa naba…

  5. Amigos,

    Eis que os fatos batem a porta… Entrou-se em uma época de vacas magras… E o pior: isso ocorre em uma época em que as FAs estão passando por um momento de transição, com a inevitável retirada de peças/plataformas antigas do inventário sem que hajam as melhores condições para repô-las.

    Termina que os planos desenvolvidos na década passada ( leia-se END ) não são mais aplicáveis. E é chegada a hora de repensar a estratégia nacional de defesa, de modo a ao menos garantir as FAs a capacidade de negar o terreno, o ar e o mar, deixando a obtenção das capacidades de domínio pleno para o ciclo seguinte ( quando espera-se haver uma melhora econômica ), o que evidentemente implica em não preencher as necessidades originalmente desenhadas.

    Mas de fato, não é vergonha nenhuma deixar de ter certas capacidades para manter e mesmo aprimorar outras. E é melhor o mais modesto que garanta alguma coisa do que o "big" que não se pode arcar… Não é lógico manter planos que não podem mais serem realizados em tempo hábil, e sugando recursos de outras áreas necessárias e que podem ser mais facilmente preenchidas… E isso não é ser medíocre ou entreguista. É ser prático e realista.

    Para tanto, é evidente que existe a necessidade de se adequar as FAs ao momento econômico. Contudo, mesmo que o meio físico possa ser reestruturado com mais rapidez, o componente humano não é tão simples. Quaisquer medidas que sejam tomadas com relação a pessoal são de médio prazo. O que se pode certamente fazer é contratar menos ao longo dos próximos anos ( de forma a reduzir naturalmente o efetivo ) e passar as funções que se considera secundárias a pessoal temporário, de modo a haver sempre um controle maior do contingente.

  6. Bom que o ministro esteja pelo menos consciente do problema Venezuela que está escalando a cada dia, os últimos ministros se fingiam de bobos quanto ao problema Venezuela mas pelo menos agora vemos o problema, entretanto não basta estar consciente, nós precisamos ter alguma capacidade de resposta se o caldo desandar lá encima, do jeito que a coisa anda, se algo ocorrer não vamos ter combustível para mandar tropas pra reforçar a fronteira. O ex-presidente da Colombia já falou até em possibilidade de ser necessária uma intervenção militar de outros países caso o governo venezuelano ameace a segurança de grupos opositores, uma indireta que com certeza é motivada por preocupações concretas de movimentações venezuelanas.

  7. Bacana dos militares brasileiros é que eles não falam em cortar pessoal…

  8. Nossa vizinha Venezuela esta realizando manobras militares alegando preparação contra um "inimigo externo"… sob o comando de militares cubanos… aliás acho que quase tudo lá esta sendo comandado por cubanos…

    O "prof Girafales" esta louco para arranjar um pretexto para colocar o país em estado de guerra, para escapar do plebiscito, o que daria a ele mais poderes ainda para tornar aquilo de vez uma ditadura castrista…

    Ao seu lado esta um vizinho indefeso que acabou de virar seu governo para direita…

    O cenário esta formado… quem sabe se os bolivarianos e cocaleiros invadirem o Brasil alguém toma vergonha…

  9. O que fazer para ajudar o país a sair da CRISE:

    – Apoiar o ajuste fiscal.

    – Apoiar a reforma da previdência e idade mínima para aposentadoria.

    – Exigir transparência e efetividade nos gastos públicos.

    – Apoiar todo o tipo de redução na máquina pública.

    – Exigir o corte de no mínimo 40000 cargos comissionados.

    – Apoiar o governo Temer e as medidas propostas pelo ministro Henrique Meirelles.

    – Protestar contra aumentos em salários de servidores públicos especialmente os que ganham acima de R$10.000.

    – Protestar contra empréstimos subsidiados do BNDES a grandes empresas.

    – Pesquisar preços e comprar sempre no local mais barato.

    – Ser empreendedor ou investir em Start Ups.

    – Denunciar todo e qualquer tipo de corrupção.

    – Apoiar a lava-jato e outras operações policiais.

    – Estudar muito. Trabalhar muito.

    – Buscar a harmonia com todas as pessoas de todas as ideologia. Juntar energias contra a crise.

    – Compartilhar estas e outras sugestões.

    Mais alguma sugestão ?

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