Troca na configuração das pistas poderia aumentar os slots e também o aumento no pátio.

O governo Jair Bolsonaro planeja uma mudança radical nas operações de Congonhas (SP). A ideia é fazer uma “megarreforma” no aeroporto. No lugar das duas pistas existentes hoje – principal e auxiliar -, estuda-se a substituição por uma única pista central para pousos e decolagens.

Custaria mais de R$ 1 bilhão, segundo estimativas preliminares da Secretaria de Aviação Civil, e seria a maior exigência do contrato de concessão do aeroporto à iniciativa privada. Congonhas deve entrar na última rodada de privatizações no setor, entre 2021 e 2022, conforme um esboço de cronograma já traçado pelo Ministério da Infraestrutura.

A pista única teria em torno de 2.000 metros, saídas rápidas para o taxiamento das aeronaves e concreto poroso nas duas cabeceiras. Esse material reforçaria a segurança em caso de freada súbita dos aviões. Outros ganhos citados são áreas de escape mais amplas e distância maior do pátio de estacionamento dos jatos.

Com essas mudanças, acredita-se que o número de “slots” em Congonhas possa aumentar – uma demanda das empresas aéreas. Antes do acidente com o Airbus A320 da TAM, que matou 199 pessoas em 2007, o aeroporto operava com até 48 pousos e decolagens por hora. Esse limite caiu depois da tragédia. Hoje, na pista principal (1.940 metros), o máximo permitido é de 33 movimentos horários para voos comerciais e dois para voos executivos. A pista auxiliar (1.435 metros) só comporta operações da aviação geral. Elas não podem ser utilizadas concomitantemente.

Apesar do ganho pouco significativo na extensão, a perspectiva é de um uso otimizado do aeroporto com a nova pista. Atualmente, do ponto de vista da engenharia, a construção de saídas rápidas em Congonhas é impossível. Essas saídas são em ângulo mais agudo e estão projetadas de modo que os aviões, ao pousar, livrem a pista com velocidades maiores para o taxiamento. A pista é ocupada por menos tempo e pode haver mais operações.

Outra vantagem: hoje as empresas têm perdas ao fazer voos longos a partir de Congonhas, para um raio superior a 1,5 mil quilômetros, porque precisam decolar sem o tanque cheio. Isso porque, com uma pista pequena e sem áreas de escape, os aviões precisam ficar mais leves e carregam menos combustível. Rotas para o Norte e para o Nordeste tornam-se proibitivas. A “megarreforma” tende a viabilizar novas ligações aéreas às duas regiões.

O detalhamento da obra e seus custos será feito nos estudos de viabilidade técnica da futura concessão. Um problema seria a eventual necessidade de fechamento temporário do aeroporto para a construção da nova pista.

Os técnicos do governo, no entanto, apontam um precedente tranquilizador: a reforma do aeroporto de San Diego, na Califórnia (EUA), que também teve duas pistas com dimensões parecidas às de Congonhas substituídas por uma só. Não houve paralisação das operações durante as obras.

Estudos embrionários preveem a possibilidade de aterros de pequeno porte nas duas pontas da futura pista, bem como algumas desapropriações na cabeceira voltada para a Avenida Pedro Bueno, no bairro do Jabaquara.

O projeto em análise pelo governo não tem relação com a ideia que foi aventada por Nelson Jobim e Gilberto Kassab, logo após o acidente da TAM, quando eram ministro da Defesa e prefeito de São Paulo, respectivamente.

Na época, eles cogitaram uma extensão da pista principal de Congonhas sobre vias elevadas que seriam construídas do lado do Jabaquara. O projeto exigiria grande número de desapropriações.

Segundo maior aeroporto do país em movimentação de passageiros, atrás apenas de Guarulhos (SP), Congonhas certamente teria também ampliações do terminal. Um plano recente da estatal Infraero para a concessão de áreas comerciais previa dez novas pontes de embarque (fingers). Só que nunca foi adiante.


Fonte: Valor Econômico

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3 COMENTÁRIOS

  1. A idéia é boa, mas São Paulo precisa de um outro grande aeroporto.

    • Se criar outro aeroporto, Viracopos capota.

      Eu faria um trem de alta velocidade: centro de SP, Viracopos, Centro de Campinas.

  2. O que mais me preocupa com o Super Congonhas é a atual falta de intermodalidade com os outros transportes na capital paulista, em especial o metroviário.

    Mas o mais necessário e urgente é que o governo do estado e federal terminem a linha de metrô para Congonhas e criem uma linha metroviária expressa do aeroporto de Guarulhos para o centro da cidade. Paris prepara a sua linha direta com o aeroporto Charles de Gaulle em apenas 19 minutos de viagem. Há também a linha com 9 paradas entre o aeroporto Le Bourget e o Charles de Gaulle, e a linha para o aeroporto de Orly.
    São Paulo ainda não conseguiu concluir a linha de Congonhas que tinha previsão de inauguração em 2014 e não consegui que o trem de metrô se ligasse diretamente a estação de passageiros do aeroporto de Guarulhos. Para 1.600m antes. Simplesmente ridículo. Xangai liga o centro ao aeroporto em apenas 13 minutos. A linha para o aeroporto ficou pronta 2 anos antes do aeroporto!!

    O aumento de operações aéreas transformará a circulação de veículos do entorno do aeroporto de Congonhas no verdadeiro caos sem a opção de transporte de massas.

    O governo federal também deveria estar mais preocupado em criar realmente o TAV, Trem de Alta Velocidade, entre os aeroportos de Campinhas-Guarulhos-São José dos Campos, trecho considerado o mais barato e adequado ao TAV devido a topografia plana de toda essa região.

    Expandir Congonhas e não pensar imediatamente na expansão de Guarulhos e Campinas é ilógico e temerário. Saudações,

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