Linha de produção dos E-jets E2 da Embraer.

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, disse que o governo não cogita interromper a negociação em torno da aliança da Embraer com a Boeing. No momento, os contratos entre as duas empresas estão sendo “esmiuçados”, afirmou, e a ideia “é que procure o melhor possível para o país”.

Segundo Heleno, o governo quer estudar se o prazo de cinco anos para a operação “é a forma ideal ou se nós podemos pleitear uma outra maneira”.

Na última sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro, manifestou insatisfação com o prazo da operação, ao afirmar que “não podemos, como está na última proposta, deixar que em cinco anos tudo seja repassado para o outro lado”.

Nesta segunda, após a cerimônia de posse dos presidentes dos bancos públicos, o ministro Heleno afirmou, ainda, que o governo tem uma “preocupação grande” de evitar que o país perca, na operação Embraer-Boeing, o “patrimônio tecnológico que foi conseguido a duras penas ao longo de muitos anos”.

“Mas isso pode perfeitamente ser equacionado”, afirmou. “Não está se pensando em interromper essa negociação.”

A Embraer aceitou vender 80% de sua divisão de aviação comercial, a principal da empresa, para a formação de uma joint venture com a Boeing. Um dispositivo do acordo permite que a Embraer possa mais adiante vender os 20% restantes à gigante americana. O governo brasileiro precisa dar seu aval para fechar a operação entre as duas empresas. “Hoje (segunda) mesmo foi colocada a necessidade de se estudar se essa é a fórmula ideal ou se nós podemos pleitear outro tipo de solução”, afirmou o ministro sobre esse ponto específico do contrato.

Segundo Heleno, também há uma preocupação com eventuais perdas para o País na área de desenvolvimento tecnológico. “Isso envolve um patrimônio físico, um patrimônio aeronáutico. Dentro desse patrimônio aeronáutico existe uma preocupação muito grande com o patrimônio tecnológico, que foi conseguido a duras penas ao longo de muitos anos e que nós não pretendemos perder. Mas isso pode ser equacionado”, disse Heleno.

O acordo, que já elevou o valor da divisão comercial da Embraer de US$ 4,75 bilhões para US$ 5,26 bilhões, envolve ainda uma parceria da Embraer com a Boeing para comercialização do cargueiro brasileiro KC-390, mas exclui os negócios da empresa brasileira nas áreas de aviação executiva e de defesa. Dono de uma ação especial na Embraer, a chamada “golden share”, o governo federal tem até 16 de janeiro para chancelar o acordo.

Depois, a venda ainda precisa ser aprovada por acionistas e órgãos antitrustes. Há uma preocupação com possíveis complicações no tribunal da China. No Brasil, nos EUA e na Europa, a tendência é que o aval saia rapidamente.No fim do ano passado, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) derrubou uma segunda liminar que suspendia a negociação.


Fonte: Valor Econômico – Edição: Cavok

2 COMENTÁRIOS

  1. Digo e repito: esses vira-latas do EB NUNCA foram patriotas… o patriotismo dessa gente é só uma idéia vazia pra fazer perseguição ideológica, já que esse pessoal é neurótico e psicologicamente afetado

    O patriotismo dessa turma é tão verdadeiro como uma nota de 3 reais

  2. A iniciativa é da Boeing. Seria tolice não tentar obter o melhor acordo possível.

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