Primeiro caça Gripen E da Força Aérea Brasileira.

O novo CEO da Saab, Micael Johansson, disse ao jornal Valor Econômico que o Brasil poderá servir como plataforma para montagem final e testes de caças Gripen E/F que serão eventualmente fornecidos à Colômbia, em caso de vitória da Saab na concorrência de caças para o país sul-americano.

Quando perguntado se a indústria brasileira seria envolvida no processo, o CEO da Saab respondeu: “Absolutamente. A relação Brasil-Colômbia é muito boa e existe grande interação entre as forças aéreas dos dois países. Ainda temos que definir o modelo [de fornecimento], mas nós criamos a possibilidade de fazer a montagem final e os testes por aqui”.

A Colômbia abriu uma competição para compra de novos caças visando substituir seus antigos caças Kfir. O Gripen compete com os jatos F-16 Block 70 (EUA), o Eurofighter Typhoon (Espanha), enquanto a israelense IAI está oferecendo o Kfir Next-Generation (NG).

A Saab está participando de competições com o Gripen que podem gerar pedidos totais de até 300 caças. Somente a Índia pretende adquirir até 126 jatos, embora a competição ainda não esteja ainda muito definida. Finlândia e Canadá estão em fases mais avançadas.

O CEO informou que em todas estas competições a indústria brasileira já tem participação garantida. A empresa gaúcha AEL Sistemas tornou-se integrante da cadeia global de fornecedores do Gripen. Ela desenvolveu uma tela de última geração chamada de WAD (Wide Area Display), sensível ao toque e de área maior que a versão original. Com isso, a tela foi incorporada à linha dos caças suecos – não apenas aos que estão sendo produzidos para o Brasil.

A Colômbia deve ter em mãos um relatório sobre as propostas no mês de junho. Depois o processo segue para o Ministério da Defesa e para o gabinete presidencial. “Não está 100% claro, mas devem ser em torno de 15 [12 Gripen E monopostos e 3 Gripen F bipostos]. Fizemos uma oferta muito atrativa”, afirma o executivo.

O CEO disse que a unidade da Embraer Defesa e Segurança em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, deve ser uma candidata “especial” para montagem e testes dos caças Gripen F – que são as unidades com dois assentos, voltados sobretudo para o treinamento de pilotos e que até o momento apenas o Brasil adquiriu.

Participaram da audiência com o Comandante da Aeronáutica do Brasil, o Presidente da Saab América Latina, Fredrik Gustafson; o Diretor Gripen Brasil, Bengt Janér; e o Vice-Presidente de Marketing e Vendas do Gripen, Mikael Franzén.

Johansson esteve em Bogotá no início desta semana e veio em seguida para Brasília, em sua primeira visita como CEO da Saab, cargo que assumiu em setembro do ano passado. Aqui teve conversas com a cúpula do Ministério da Defesa, do Ministério da Ciência e Tecnologia, do Comando da Aeronáutica.

De acordo com o Tenente-Brigadeiro Bermudez, a reunião com Micael Johansson foi muito produtiva. “Tratamos do Programa Gripen Brasil e dos próximos trabalhos de certificação e homologação. Estamos muito satisfeitos com o andamento das atividades e com a parceria existente”, afirmou.

O Presidente da Saab enalteceu a importância do encontro. “Ratificamos nosso comprometimento de continuar o Programa de forma positiva e endossamos o bom relacionamento que temos com a indústria brasileira”, destacou.

Primeiro caça Gripen E (F-39) da FAB.

O primeiro caça Gripen E brasileiro foi apresentado oficialmente em setembro de 2019, na Suécia. A entregue para FAB deve ocorrer em 2021 e o 36º e último, caso o cronograma seja seguido, em 2026. Não há qualquer sinal de mudança no cronograma, apesar das dificuldades orçamentárias no Brasil e da deterioração no cenário econômico mundial, ressalta.

Johansson também não detectou problemas decorrentes da joint venture Boeing-Embraer, que foi objeto de preocupações da Saab em um primeiro momento, pelo risco de parte do conhecimento tecnológico sair do controle e parar nas mãos de sua concorrente americana. “Até agora, tudo certo. Não encontramos nenhum espião”, comenta o executivo, antes de soltar uma risada.

O agravamento da crise do coronavírus, com a decretação de pandemia global, tomou tempo de Johansson com ligações telefônicas para Linköping, sede da empresa na Suécia. Até agora, os escritórios e a linha de produção da Saab têm funcionado normalmente, mas ele acompanha a evolução.

Kfir da Força Aérea Colombiana.

Perguntado se a incerteza econômica pode comprometer os orçamentos de defesa mundo afora e adiar encomendas, adota cautela: “É difícil dizer agora, mas vamos monitorar. Obviamente há risco de ligeiro atraso se formos afetados por uma recessão global”.

A Saab concorre com a Lockheed Martin e seu F-16 Block 70 Fighting Falcon e o Eurofighter Typhoon, enquanto a IAI está oferecendo a Kfir Next-Generation (NG) atualizado.

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12 COMENTÁRIOS

  1. Máquina por máquina eu sou mais o Gripen, projeto mais moderno, menor RCS, e tudo mais que todo mundo tá cansado de saber..
    Mas aí entra uma coisinha chamada "Peso político" que em relação ao tio Sam também dispensa maiores comentários..
    Então vejo o Gripen com chances marginais nessa concorrência.

    Só não entendi essa que o Brasil "poderá" ser base para revenda dos Gripens..
    Essa não era uma das promessas da SAAB desde a concorrência? Umas das muitas justificativas para o alto preço que vamos pagar?
    Offsets, América do Sul, África.. ??
    Não me lembro se está específicado no contrato, mas que eu li por aí eu li…

    • Mas vamos por os "pingos nos is", quem tem que ir atras de clientes é a fab/embraer, a Saab ir atras e dar no colo da fab/embraer não cola, afinal se o vetor dos outros forem montados aqui a embraer iria ganhar algo e a saab perder, isso é obvio.

      • Para mim óbvio é o que está no contrato.
        Se nas cláusulas que tratavam dos offsets (compensações ao comprador em determinado negócio) dizia que seria assim, é o que importa.
        Para isso que existe uma coisa chamada "Mesa de negociações" (e particularmente no caso do FX2 não foram poucas).

        • O contrato, nós não lemos, mas eu duvido muito que haja uma obrigatoriedade de participação da Embraer em vendas na AS.

          O que eu acho que há:
          A Embraer poder oferecer o caça e nesse caso liderar o consórcio naquela venda.
          Um valor fixo de offset

          Digo isso por contratos de mesma natureza em outros países.

          Prova disso é que quem está liderando esse processo na Colômbia é Saab;

      • Não Flanker.. Diferentemente da maioria, não acreditei nisso como também não acredito muito na tal ToT.
        Como não li o contrato, baseio minha opinião em muitas matérias de internet que davam essa opção como acertada..
        Por isso enfatizo o "SE.." no meu questionamento em relação a esse "Poderá" transcrito no texto a essa altura do campeonato.

        Mas como em terras tupiniquins até o certo é duvidoso, ainda mais se tratando de um programa confuso e que atravessou governos digamos, no mínimo de condutas questionáveis..
        Realmente fica difícil prever o que teria acontecido e o que ainda poderá acontecer nos próximos capítulos dessa novela.
        Abs.

  2. Torcendo para mais países sul-americanos adquiram esse vetor. Bom para a indústria local e quem sabe nossa FA entenda que precisemos ter algo melhor que isso para ocuparmos o lugar que merecemos como potência regional. Uns F-35 fariam bem para nossa pátria amada.

  3. Muito dificil isso acontecer. A Colombia muito provavelmente operará um caça norte americano. E tem o FMS pra ajudar. Politicamente não faz sentido o Gripen na Colombia. É isso o que importa ainda mais com crises constantes com a Venezuela. É bom sempre ter o Tio Sam ao lado.

  4. Ola senhores!

    Não entendo que a aproximação da Colômbia com os EUA seja por si só motivos para que a FAC (leia-se governo colombiano) feche contrato para aquisição do Viper.

    Abas as máquinas aqui em questão são excelentes, com um bom espaço para melhorias e acima de tudo cabem no orçamento colombiano de longo prazo.

    Sendo assim, tanto o Gripen como o Viper estão quentes na aposta. Qualquer absolutismo neste caso é mais que especulação maldosa.

    CM