Primeiro protótipo do Saab JAS 39E Gripen (39-8) (10)
Primeiro protótipo do Saab JAS 39E Gripen (39-8) / © Saab AB

Empresas brasileiras parceiras estratégicas da fabricante sueca Saab AB para a produção do jato de combate de nova geração Gripen NG no Brasil preveem ganhos importantes com a cooperação tecnológica e com os planos suecos para ter o país como uma plataforma de exportação do aparelho.

A Saab projeta um mercado de 200 jatos de combate nos próximos dez anos na América Latina e espera obter uma fatia desse potencial de encomendas. Metade da necessidade estimada é no Brasil, incluindo os 36 comprados pela Força Aérea Brasileira (FAB). A Colômbia planeja atualizar suas forças armadas com algo entre 15 e 25 caças, e o México pode abrir licitação para 12. O Chile, Argentina, Uruguai, Peru e Equador têm igualmente planos de substituição de jatos de combate por volta de 2020.

“Nossa ideia é ter linha de produção na Suécia e no Brasil, depende do que for mais conveniente (para atender o cliente)”, disse ao Valor o diretor para o Brasil da Saab, Mikael Franzén.

A expectativa é de que a produção do Gripen no Brasil comece em fins de 2018. Para Bo Torestedt, diretor de vendas para América Latina, o contrato com a FAB terá efeito sobre os produtos da Saab no resto da região.

A Saab conta com seis parceiros estratégicos no Brasil — Embraer, Atech, AEL Sistemas, Inbra, Akaer e Mectron Odebrecht, que vão atuar no projeto. No caso da Mectron, há expectativas sobre reestruturação ou venda da companhia, segundo especialistas no setor.

O contrato de compra de 36 jatos Gripen pelo Brasil, por US$ 4,7 bilhões, inclui um forte pacote de transferência de tecnologia por meio de 50 projetos. Diretores da fabricante sueca destacam os benefícios de transferência e cooperação tecnológica, deixando claro que isso ajuda a Saab a ganhar mais dinheiro também. Eles mencionam o projeto “Triple Helix” que tem com a Suécia, Suíça e agora Brasil, para tornar mais eficiente a cooperação entre universidades, indústria e governos.

Na fábrica da fabricante sueca, diretores repetem que as companhias caminham para ser cada vez mais “empresas de software” e complexidade será o campo de batalha na indústria aeronáutica. Nesse cenário, acreditam que a Saab tem o melhor em termos de tecnologia e facilidade de uso de sistemas na indústria militar.

Desde outubro de 2015, depois de assinada formalmente a encomenda da FAB, 80 engenheiros brasileiros já chegaram ao centro de produção da Saab, em Linköping (Suécia), para participar do projeto. No total, a Saab prevê o treinamento de 350 engenheiros brasileiros que, por sua vez, vão preparar outros engenheiros no Brasil para a produção local do Gripen.

A Embraer vai receber 70% da transferência de tecnologia sueca. “Vamos desenvolver tecnologia, estruturação da montagem do avião no Brasil e a coordenação da cadeia de produção”, diz Jackson Schneider, presidente de Embraer Defesa. O centro de desenvolvimento de engenharia estará operacional a partir de novembro em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. A Embraer vai desenvolver do zero com a Saab o aparelho biposto, o avião com dois assentos, que é parte da encomenda da FAB.

“O Gripen que o Brasil está comprando é uma aeronave muito próxima da quinta geração, barata, custo operacional muito baixo”, diz o presidente da Inbra e diretor do grupo de defesa da Fiesp, Jairo Candido. “Mas a importância nem é econômica, é de conhecimento. O Brasil não comprou um avião, comprou transferência de tecnologia.”

Giacomo Peres Staniscia, diretor da Atech, espera consolidar sua atuação na área de sistemas de simulação, missões e treinamento. Diz que já há conversa para exportação com a Saab para outros países. A empresa espera faturar entre R$ 250 milhões e R$ 200 milhões este ano, mas com a produção do Gripen o salto será importante.

Na mesma linha, o presidente da Akaer, Cesar Augusto Andrade e Silva, prevê que seu negócio aumentará muito. A empresa faz projetos de desenvolvimento e engenharia. Está discutindo com a Saab outros negócios juntos, incluindo ensaios de fadiga do Gripen.

A Akaer aproveitou uma oportunidade e adquiriu as instalações da ex-Vale Soluções Energéticas (VSE), em São José dos Campos, e a intenção é construir passo a passo uma empresa que possa ser capaz de fazer desde o projeto até a entrega do produto final de engenharia.

Atualmente, a companhia sueca já representa 30% do faturamento de R$ 60 milhões por ano na Akaer. Outros 40% vem da Embraer e o restante de negócios com outras empresas.

A AEL Sistemas, de Porto Alegre, projeta com a parceria com a Saab alavancar sua tecnologia de aviônica. Seu presidente, Sérgio Horta, espera vender sua tela grande de controle também para uso do Gripen produzido na Suécia. Hoje, 20% do faturamento tem relação com o Gripen, mas a tendência é de “ter outros negócios para crescer o bolo”.

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Primeiro protótipo do Saab JAS 39E Gripen (39-8) / © Saab AB

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FONTE: Valor Econômico

EDIÇÃO: Cavok

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24 COMENTÁRIOS

  1. Algumas considerações que eu faço para que haja um possível "sucesso" do Gripen E por estas bandas:

    1- A linha de produção do F-16 ser realmente encerrada;
    2- O FA-50 não se demonstrar um bom custo x benefício ou não encontrar um parceiro na região, embora os Coreanos estejam muito próximos dos Peruanos, devido o fator KT-1;
    3- O Lobby, via Governo Federal tem de ser eficiente nas futuras negociações;
    4- O Gripen E tem de entregar o que promete.

    Dito isto, penso que resta sobrepujar o maior de todos os entraves ao sucesso da versão E por aqui, a própria versão C do Gripen.

  2. Que venham os negócios. Foi para isso que 'compramos' tecnologia. Esperamos que o Gripen E entregue tudo o que promete e seja a opção viável de muitas forças aéreas.

    • Opção viável é, para a Argentina, para a Colômbia, Uruguai e etc, mas então porque não compram, podem muito bem pagar aos moldes brasileiro.

  3. Que otimismo, suponha que a AS entre em guerra, ai sim vejo possíveis compras nesse montante ahahahaha

  4. O Gripen E/F será uma aeronave cara e terá o mesmo sucesso da versão C/D, nada mais do que isso. Terá o problema do embargo americano de tecnologias presentes na aeronave. O excedente de aeronaves de 4 geração estará no seu ápice quando este entrar em produção. Logo esta história de exportação é mais sonho que realidade. Se ficar nos 36 já estará de bom tamanho.

    • Ora, ora….temos um vidente entre nós! Qual será o método utilizado por este senhor? Bola de cristal, leitura de mãos……é uma incógnita, da qual eu realmente me interesso pela conclusão!

    • Lembro quando os especialistas davam conta que havia mercado para 300 aparelhos AMX…

      • Sou novo por aqui mas já notei que o tema "Gripen" desperta reações contundentes rsrs

        • Novo com esse nick, né amigo?
          Não precisa tentar mostrar aquilo que não é. Por conta dos IPs, que ficam registrados em nossa base de dados, esteja certo, nós sempre sabemos quem é quem, mesmo quando o leitor usa mais de um IP e mais de um endereço de email para fazer o login.

        • Chama atenção que alguns enchem a boca, digo, o teclado para escreverem com propriedade sobre o Flea, mas fazem perguntas pra lá de banais a cerca da história da aviação…vai entender…

  5. "vamos desenvolver tecnologia, estruturação da montagem do avião e a coordenação da cadeia de produção"

    Finalmente um cara sincero ahahah. Nós pagamos os olhos da cara para dar de presente a Embraer a tal ToT (e ainda o GF é desgraçado por atrasar pagamento do Kc) mas enfim, a ToT segundo o presidente se resume a montar os Kits e a logistica da montagem deste ahahah. Nada contra, eu sempre soube disso, é que antes as autoridades diziam e dizem que o Brasil estava comprando ToT no melhor sentido da palavra, meio carinho essa linha de montagem né Embraer.

    • e o pior, n envolve itens complexos como motor e radar pois estes não pertencem a saab

      • E o pior é que mesmo se pertencesse não estariam na ToT, mas pode ter certeza que pagariamos ainda mais caro por essa utopia.

  6. Vai receber 70% da tecnologia sueca, sendo que dos 100%, 30% corresponde a motor e aviônica…
    Não existe almoço grátis.

    • Gio,

      1) 70% do quê? Pode ser 70% do trem de pouso….
      2) Eu nunca vi autoridade falar ou mostrar um doc. oficial com os "pingos nos i" mostrando o que realmente o Brasil ou melhor a Embraer vai receber da tal ToT.

      Não é que sou chato mas vocês estão falando o que ninguém sabe, o que é a ToT que pagamos e levaremos dos Suecos, eu aposto que é o que o presidente disse, montar kit e a logistica.

      ps* Se alguém tiver o contrato e nele estiver o que é a tal ToT, eu agradeço, do resto é especulação.

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