North American Rockwell OV 10G Bronco 4 - Broncos contra o Estado Islâmico?
North American Rockwell OV-10G+ Bronco / © US Navy, em caráter ilustrativo

A informação, apesar de inusitada, é verídica. No âmbito da Operação Inherent Resolve, os EUA empregaram duas unidades da legendária aeronave de ataque leve e observação North American Rockwell OV-10 Bronco contra as posições do grupo terrorista Estado Islâmico no Iraque e Síria.

De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), que supervisiona as campanhas militares americanas no Oriente Médio e Afeganistão, o desdobramento das aeronaves durou 82 dias, tendo sido iniciado no final do primeiro semestre do ano passado. Não foi informado exatamente onde os OV-10 Bronco foram baseados. Sabe-se, entretanto, que cada aeronave foi tripulada por dois aviadores navais, tendo completado 134 missões, 120 das quais de combate.

A relutância do Pentágono em fornecer informações adicionais sobre o desdobramento tem sido vista como uma indicação de que as aeronaves tenham sido empregadas em estreita colaboração com unidades de Operações Especiais, atuando no extermínio de insurgentes.

De acordo com Bryant Davis, capitão da USAF e porta-voz do CENTCOM, ao empregar os Bronco, o objetivo militar era determinar o comportamento de aeronaves turboélice naquele teatro de operações, sobretudo avaliando a sinergia entre os comandos das operações aéreas e terrestres.

O capitão Davis também informou que o Pentágono queria avaliar se aeronaves do tipo poderiam assumir pelo menos parte das missões atualmente executadas por caças como o F-15 e o F/A-18, empregados na maioria dos ataques aéreos americanos no Oriente Médio, mas que são muito mais caros de se adquirir e operar do que os turboélices de ataque leve. Para se ter uma ideia, a hora de voo de um F-15 pode custar até US$ 40.000, considerando-se apenas o combustível e a manutenção. Com o OV-10 Bronco, esses custos ficam na casa dos US$ 1.000.

Quando o Bronco foi desenvolvido na década de 1960, o Pentágono queria uma aeronave de ataque leve, barata e capaz de se operada a partir de pistas semi-preparadas. O objetivo era possuir um vetor que estivesse próximo das linhas de frente a fim de apoiar as tropas terrestres na erradicação de forças insurgentes.

Nos EUA, os OV-10 Bronco foram empregados pela Força Aérea (USAF), Marinha (US Navy) e Marines (USMC). A aeronave possui uma autonomia de cerca de 3 horas e pode empregar até 3.000 kg de armamentos diversos (ar-ar e ar-superfície) em 7 pontos fixos, sendo 3 sob a fuselagem e 2 sob as asas, além de um canhão M197 de 20 mm ou de 4 metralhadoras M60C 7,62x51mm com 500 cartuchos.

A aeronave foi empregada na Guerra do Vietnã, tendo se mostrado robusta, confiável e mortal para o inimigo. Depois do conflito, a US Navy aposentou seus exemplares, e a USAF começou a substituir os seus pelo Fairchild Republic A-10 Thunderbolt II. Apenas a USMC manteve o Bronco na ativa, tendo operado o mesmo, inclusive, a partir de pequenos porta aviões da US Navy antes de finalmente aposentá-los em meados da década de 1990. A aeronave também participou da Guerra do Golfo, em 1991.

Trinta anos após o Vietnã, o Pentágono estava combatendo insurgentes no Afeganistão, no Iraque e outras zonas de guerra. Em 2011, o CENTCOM requisitou à NASA o empréstimo de duas unidades do OV-10 Bronco (ex USMC) e os atualizou com novos equipamentos de comunicação e navegação, além de novos armamentos. No orçamento do ano fiscal de 2012, inclusive, houve a provisão de US$ 20 milhões para custear as despesas de desdobramento do Bronco em zonas de guerra, como parte de um experimento militar mais amplo e com o objetivo de avaliar o desempenho de aeronaves de ataque leve nesses conflitos. Mais tarde, o poderoso senador republicano John McCain, Presidente da Comissão das Forças Armadas no Senado, vetou a medida, alegando que “não havia havia nenhuma exigência operacional urgente para este tipo de aeronave”.

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North American Rockwell OV-10G+ Bronco / © US Navy

Apesar do cancelamento dos fundos para custear a operação dos OV-10 Bronco, o Pentágono conseguiu manter o programa de testes com recursos próprios, oriundos de outros programas.

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North American Rockwell OV-10G+ Bronco / © US Navy

Com relação ao emprego dos OV-10 Bronco contra as posições do EI, o capitão Bryant Davis afirmou que “em seus 82 dias de combate, as aeronaves se mostraram incrivelmente confiáveis, tendo completado com êxito 99% das missões planejadas”.

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FONTE: The Daily Beast

EDIÇÃO: Cavok

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30 COMENTÁRIOS

  1. Não parece, mas o Bronco é o avião americano que mais combates viu. Durante a primeira tentativa de golpe de Estado levado a cabo na Venezuela por El Comandante, um Tucano e um Bronco da FAV foram abatidos pelos F-16s da FAV.

  2. Se a Argentina não estivesse quebrada, era uma boa hora para fornecer os Pucarás! Devidamente atualizados e retrofitados claro!

    • Aqueles belos canhões Hispano cairiam muito bem no cenário… Acho que seriam até mais sólidos, dedido a motorização dupla, do que os Super Tucanos… Devidamente atualizados é claro!

  3. Interessante notar que as nações que lá guerreiam estão seguindo o padrão " atacar com o que é velho e testar o que é novo", e isso é visto mais notoriamente pela Rússia que emprega os Su-25 incessantemente. Alguem teria os números de emprego do A-10 contra o Daesh?

        • Deixando Congressista xenofóbico norte americano de cabelo em pé!! kkkk

      • Não pode ,Vai chegar um momento que os proprios americanos vão começar a se perguntar porque seus soldados não podem ter o melhor ( que neste caso é o ST) sendo que afegãos ,libaneses e afins o tem … Tomara deus que comece a pipocar na midia noticias dos afegãos massacrando o EL com o ST ai a pressão começa

  4. Uma coisa que eu admiro nos russos e norteamericanos é que ele pegam uma ideia e a exploram ao máximo. Se vai dar fruto ou não, é outra coisa. Já na ilha de Vera Cruz, o país construiu sob licença o Aermacchi MB-326, operou mais de 160 unidades e o melhor Xavante de todos foi o…Impala! O mesmo MB-326, mas melhorado, extrapolado para as necessidades da SAAF! Já na FAiVeC (força aérea da ilha de Vera Cruz) o ultimo MB-326 saiu igual ao primeiro???

  5. Algumas aeronaves são tão bem projetadas que se tornam atemporais, é o caso do Bronco, do A-10, B-52…

    O fato é que, tivesse a USAF pensado também nos conflitos assimétricos e não apenas em guerra entre superpotências, poderia ter mantido o Bronco atualizado e modernizado, não precisando da Embraer para fornecer aeronaves COIN ao Afeganistão, pois o Bronco é muito mais indicado para esse tipo de operações, podendo até carregar até 4 soldados de operações especiais na parte traseira da aeronave.

        • Xiiiiiiiiiiiiiiiiiii

          Agora não pode mais falar mal da telinha….. não no Cavok! ehaioehaoiehaioae

          • Críticas embasadas nunca foram proibidas no site, e assim permanecerão. O que nós temos barrado são comentários depreciativos desprovidos de qualquer embasamento técnico, e temos feito isso com todos os assuntos.

          • Acho que não…Lamarca é gente boa!

            R-silvestro….tu ta no meu grupo do whats?

  6. A Quantidade de Broncos operando hoje é um mistério ou é sabida?

    Vi que houve o empréstimo de duas unidades (ex USMC) pela Nasa, porém será que a quantidade se resumiu apenas a essas duas unidades?

  7. LaMarca

    Não é possível que a USAF esteja fazendo um comparativo do Bronco com o ST, tipo custo e desempenho para poder dar sequência ao programa de aeronave de ataque leve, têm a nave desde 2011 e não usaram no Afeganistão, que tem um cenário mais hostil, esperimentam contra o EI, possivelmente seja este (bronco) o grande concorrente do ST, o que vc acha?

      • A TEXTRON tem poder!!!

        Mas é interessante vermos que os Broncos foram "requisitados" da NASA e a Sierra Nevada tem contratos milionários com ela, lembrando ainda que os Broncos "são da Boeing" sócia da Embraer, seriam eles parceiros traíras ou a Embraer fará parte do plano maior? Que acha?

        • A Boeing é acionista da Embraer, e parceira em alguns projetos, mas não em todos. Com relação ao Super Tucano, por exemplo, a Boeing está fora, haja vista a parceria da Embraer é com a SNC.

          Sobre a TEXTRON, eles tem poder, mas não fazem milagre. Basta olharmos para o LAS e para o T-X, este último inclusive eles nem vão participar.

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