Convair F-106A Delta Dart, o último caça da Série Century e último inteceptador dedicado da USAF. (Foto: coleção particular)
Convair F-106A Delta Dart, o último caça da Série Century e último inteceptador dedicado da USAF. (Foto: coleção particular)

A chamada Série Century de caças a jato abrange seis modelos operados pela USAF com as designações militares de F-100 a F-106. Eles se destacaram durante os Anos 50 e 60.

Versão bastante aperfeiçoada do F-102A Delta Dagger, o Convair F-106 Delta Dart começou a sua carreira com a denominação “F-102B”. Ele visava a atender um pedido da Força Aérea americana feito em 1954 para um “interceptador máximo”.

No inicio dos anos 50 começaram os trabalhos com o projeto do F-102B e, em novembro de 1955, fechou-se um contrato para a produção de dezessete aeronaves do modelo. Mas, em junho de 1956, já não havia dúvidas de que o F-102B proposto iria diferir muito do seu predecessor. Então recebeu a designação “F-106″. Os vôos experimentais começaram em 26 de dezembro de 1956 e, embora os primeiros testes fossem muito promissores, as avaliações posteriores indicaram deficiências relativas à aceleração e velocidade máxima.

O Dart mostra suas garras. De uma versão melhorada do F-102, o avião provou-se muito superior, com identidade própria.(Foto: ausairpower.net)
O Dart mostra suas garras. De uma versão melhorada do F-102, o avião provou-se muito superior, com identidade própria.(Foto: ausairpower.net)

A empresa Convair introduziu então algumas modificações para resolver esses problemas. Isso resultou num atraso que, com a decisão da Força Aérea dos Estados Unidos de adquirir o McDonnell F-101B, quase levou ao cancelamento do projeto, em 1957. Ao final decidiu-se continuar com os dois tipos, com uma produção reduzida. No inicio, previa-se a fabricação de mil unidades, mas o número de F-106 montados só chegou a 340. Desse total, 277 eram interceptadores F-106A monoplace, que entraram em serviço na 498.” Esquadrilha de Caças Interceptadores, baseada em Gelger, Washington. Os outros 63 eram biplaces de treinamento e começaram a operar em julho de 1960.

O F-106 foi o último caça exclusivamente na função de Interceptador para a defesa do território dos EUA. Na imagem acima, um Delta Dart da 102ª Ala Aérea de Interceptadores 'escolta' um Tu-95 sobre o Ártico, em 1982. (Foto: somethingawful)
O F-106 foi o último caça exclusivamente na função de Interceptador para a defesa do território dos EUA. Na imagem acima, um Delta Dart da 102ª Ala Aérea de Interceptadores ‘escolta’ um Tu-95 sobre o Ártico, em 1982. (Foto: somethingawful)
F-106 #1
A bela imagem permite uma ideia do grande tamanho do interceptador

“Sixshooter”

O Dart passou por constantes atualizações, mas nenhuma foi tão promissora quanto a ultima, que o transformou no “Sixshooter”. O caça, além de uma aviônica moderna, recebeu um canhão M61A1 de 20mm num pod que podia ser instalado na baia interna de armas. Os pilotos da época afirmavam que poderiam abater qualquer coisa que voasse. Um absurdo, pensavam os outros pilotos, mas nos exercícios os Darts comprovavam aquilo que seus pilotos contavam. Vários F-15s tiveram sua imagem registrada…

O Sixshooter se distingue dos demais pelo canhão visível no ventre
O Sixshooter se distingue dos demais pelo canhão visível no ventre
Na companhia de um TF-33, um F-106 forma com seu sucessor, um F-15. (Foto: skytrailer.com)
Na companhia de um TF-33, um F-106 forma com seu sucessor, um F-15. (Foto: skytrailer.com)

Apesar dos inúmeros problemas enfrentados no período de desenvolvimento, o Delta Dart se mostrou um excelente interceptador, e as constantes modificações tornaram-no capaz de acompanhar as inovações no campo da defesa aérea. Em meados da década de 80, ainda integrava três unidades de linha de frente, além de quatro unidades da Guarda Aérea Nacional, mas seu processo de afastamento começara. Em 1988 o ultimo Delta Dart trovejava sobre a pista.

A versão biplace de treinamento revelou-se muito bonita e altamente funcional. (Foto: 177th Fighter Interceptor Group)
A versão biplace de treinamento revelou-se muito bonita e altamente funcional. (Foto: 177th Fighter Interceptor Group)

F-106 #2

F-106 #7
O Dart foi o mais poderoso delta em serviço jamais construído e fica a dúvida: Como teria ele se saído em combate? Jamais saberemos…

F-106 #5 F-106 #4 O Dart foi o ultimo interceptador dedicado da USAF. Também foi a aeronave monomotora com o menor índice de acidentes da história da força aérea americana, porém, apesar disso, 112 aeronaves foram perdidas em acidentes, quase 40% da Frota total de Darts!

Ao final da vida útil, muitos Darts foram transformados em QF-106. O velho Guerreiro instrui o novo Guerreiro...(Foto: f-106deltadart.com)
Ao final da vida útil, muitos Darts foram transformados em QF-106. O velho Guerreiro instrui o novo Guerreiro…(Foto: f-106deltadart.com)

Mas a história do Dart não se encerrou com sua aposentadoria. Em 1986 começaram os estudos para a conversão do F-106 em QF-106 e muitos voaram em missões de treinamento até 1998. Em alguns casos, a Alma do guerreiro “pilotou” os drones e muitos voltaram para casa…

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A Série Century. (Foto: USAF)
A Série Century. No sentido horário: F-100 Sabre, F-101 Voodoo, F-102 Delta Dagger, F-104 Strafighter, F-105 Thunderchief e F-106 Delta Dart. (Foto: USAF)

Características

F-106 #6Convair F-106A Delta Dart

Tipo: Interceptador monoplace para qualquer tempo.

Propulsão: Um turbojato Pratt & Whitney J75-P-17 de 7.802 kg de empuxo seco e 11.113 kg de empuxo com pós-queimadores.

Desempenho: Velocidade máxima, 2.454 km/h a 12.190 m; razão inicial de subida, 12.130 m/min; teto de serviço, 17.375 m; raio de combate, 925 km com combustível interno.

Pesos: Vazio, 10.726 kg; máximo de decolagem, 17.554 kg.

Dimensões: Envergadura, 11,67 m; comprimento, 21,56 m; altura, 6,18 m; área alar, 58,65 m².

Armamento: Várias combinações de mísseis ar-ar como o AIR-2A Genie, AIR-ZB Super Genie, AIM-4F Falcon e AIM-4G Falcon carregados internamente; com a modificação “Sixshooter” podia levar um canhão M61A1 Vulcan de 20 mm

FONTE: Máquinas de Guerra, #35 complementado por material diverso.

NOTA DO EDITOR: E assim chegamos ao fim desse simples passeio pela Série Century, desses elegantes e clássicos aviões. Espero que tenham gostado, tanto quanto eu gostei de escreve-la. Por mais que conheçamos a história dessas belíssimas máquinas, sempre podemos aprender algo novo. A Série Century é um exemplo de como a tecnologia evoluiu. Se pensarmos de forma linear, quando ela estava singrando os Ar, mal fazia meio século que Santos=Dumont havia voado.


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18 COMENTÁRIOS

  1. Caro Golden Eagle Ribeiro, não sei qual o futuro editorial que a dupla Valdani/Giorduga (e demais cavokianos) têm planejado para o Cavok Brasil, mas acredito que o A-5 Vigilante estará presente numa série dessas, sim, pois não é de hoje que a beleza desse inspirador dos MiG-25 e F-15 é citada pelos comentaristas daqui… 🙂

  2. Não seria o F 104 decolando
    No caso do acidente não seria o X15
    Nunca vi no seriado os Dart

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