F-108 Rapier. concebido para defender o território dos EUA contra a ameaça dos bombardeiros de longo alcance soviéticos. (Concepção artística: Erik Simonsen)
F-108 Rapier. concebido para defender o território dos EUA contra a ameaça dos bombardeiros de longo alcance soviéticos. (Concepção artística: Erik Simonsen)

A chamada Série Century de caças a jato abrange seis modelos operados pela USAF com as designações militares de F-100 a F-106. Eles se destacaram durante os Anos 50 e 60, porém, entre eles, houveram projetos e protótipos que jamais seguiram adiante.

Projetado para ser o maior, mais rápido e mais fortemente armado caça interceptador. O North American F-108 Rapier, foi uma resposta a um estudo da Força Aérea dos EUA emitido em outubro de 1955. O estudo preliminar apontava para um caça pesado, o maior de sua época, pesando mais do que enorme interceptador soviético Tupolev Tu-128 “Fiddler” . A USAF, por meio do Comando de Defesa Aérea (Air Defense Command – ADC) pretendia adquirir 480 unidades.

Porém, ao invés de se tornar o avião de guerra mais espetacular da década de 1950, o F-108 Rapier se tornou mais um avião da frase “poderia ter sido”, um avião que nunca foi construído, que nunca voou, que nunca foi testado.

Rara foto em cores do mock up do XF-108. (imagem: Coleção particular)
Rara foto em cores do mock up do XF-108. (imagem: Coleção particular)

O F-108 foi em parte uma resposta direta ao aparecimento na União Soviética do bombardeiro Myasishchev Mya-4 “Bison” em maio de 1955 durante a Tushino air show em Moscou. O adido militar da aeronáutica dos EUA telefonou a Washington para informar que os soviéticos tinham um número enorme do novo bombardeiro. Na verdade, a União Soviética fizera voar simplesmente os mesmos três aviões, em círculos, desta forma aparecendo repetidamente sobre o público.

Para combater esta ameaça, o ADC precisaria de um interceptor capaz de combater a longas distâncias das cidades dos Estados Unidos.

XF-108 #4
O F-106 Delta Dart era considerado um “perna curta”. Para corrigir esta falha, o Rapier , além da velocidade Mach 3, teria um incrível alcance. (Imagem: Coleção particular)

Em janeiro de 1959, a North American havia concluído um mock-up do F-108, capaz de interceptar um bombardeiro a mil milhas de seu destino. Os planos previam que a aeronave estaria pronta para um voo em março de 1961 e iria se juntar aos esquadrões do ADC em julho de 1963.

O F-108 visava corrigir uma “falha” do F-106 Delta Dart, considerado de curto alcance e operando de forma autônoma, muito além dos limites do sistema de interceptação automático SAGE (Semi-Automatic Ground Environment).

O F-108 levaria três grandes mísseis GAR-9 Falcon, depois renomeado para AIM-47, em um lançador rotativo num compartimento de interno de armas. O GAR-9 seria um míssil hipersônico de velocidades Mach 6 com um alcance de 115 milhas (185 km).

O Rapier (nome popular atribuído oficialmente em março, 1959) iria empregar um sistema grande e complexo de radar desenvolvido pela Hughes, o AN/ASG-18, para combate ar-ar.

Testes externos com o mock up.
Testes externos com o mock up.

O projeto do F-108 contava com uma grande asa delta “quebrada” (sendo esta redesenhada várias vezes) e seria propulsionado por dois turbojatos GE J93-GE-3AR com pós-combustão, os mesmos que mais tarde foram usados no XB-70 Valkyrie.

O grande interceptor foi projetado para dois tripulantes, um operador de radar e o piloto, em tandem, e cada um usando cápsulas individuais de ejeção, pois o avião deveria ter a velocidade máxima de Mach 3 (1.980 mph ou 3.186 km/h) à 75.550 pés (23.000 metros).

O preço do F-108 inflacionava a cada dia, porém, as autoridades americanas logo souberam que os soviéticos estavam dando prioridade para os mísseis balísticos intercontinentais. Foi então que, tardiamente, especialistas descobriram que os soviéticos construíram apenas 34 “Bisons” e que eles não tinham um verdadeiro alcance intercontinental.

XF-108 #7
Vista em corte do Rapier. Cada tripulante tinha a sua própria cápsula, capaz de ser ejetada em velocidades supersônicas. (Imagem: coleção particular)

Aliado ao custo alto do F-108 e do fato de os soviéticos não terem uma força de bombardeiros de grande alcance, o Pentágono cancelou abruptamente o projeto do F-108 em 23 de setembro de 1959. Porém, todo o estudo e trabalho sobre o Rapier não foi desperdiçado.

O medo dos bombardeiros soviéticos de longo alcance, que não existiam, levou os EUA a buscar soluções no campo da interceptação aérea. Grande parte da tecnologia desenvolvida foi usada no YF-12, XB-70 e F-14 e ainda é a base da tecnologia atual. Notar que o A-5 vigilante herdou uma grande semelhança. (Imagem: coleção particular)
O medo dos bombardeiros soviéticos de longo alcance, que não existiam, levou os EUA a buscar soluções no campo da interceptação aérea. Grande parte da tecnologia desenvolvida foi usada no YF-12, XB-70 e F-14 e ainda é a base da tecnologia atual. Notar que o A-5 vigilante herdou uma grande semelhança. (Imagem: coleção particular)

A Hughes usou todo o conhecimento adquirido e transferiu, mais tarde, o radar do Rapier para o interceptador Lockheed YF-12, um derivado do SR-71 Blackbird, e quando o YF-12 também foi cancelado, o radar evoluiu para o AWG-9 usado no Grumman F-14 Tomcat . Da mesma forma, se o YF-12 tivesse se tornado operacional, teria utilizado a versão do míssil Falcon destinada ao “poderia ter sido” F-108 Rapier, que também se tornaram a base da qual o AIM-54 Phoenix foi desenvolvido. O Phoenix tornou-se o principal armamento do Tomcat, e assim a Marinha os EUA tornou-se o principal beneficiário de todo o investimento da Força Aérea.

NOTA DO EDITOR: A Década de 50 e início dos anos 60 são um período muito rico da história militar aérea. Grandes projetos nasciam e morriam da noite para o dia. A Tecnologia era constantemente desafiada. Uma inovação logo se tornava obsoleta. Fica a pergunta: E se essas máquinas houvessem voado? Como à Aviação militar e civil estaria hoje?

NOTA DO EDITOR²: E chegamos ao fim da Série Century. Estes três veículos abordados (XF-103, F-107 e XF-108) foram uma homenagem e reverência a aqueles que nunca puderam ver o Futuro. Obrigado a todos que me acompanharam nesta pequena Jornada.

TRADUÇÃO, PESQUISA e ADAPTAÇÃO: CAVOK


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44 COMENTÁRIOS

  1. Caro Giodani

    O amigo 27bill leu a notícia naquele outro site e como eles só publicaram a nota do Mig ontem ele provavelmente achou que era novidade. Como avião indiano cai toda hora, até me dei ao trabalho de consultar alguns sites para ver se não tinha caído outro. Pelo visto não.

    Mudando de assunto, para não correr o mesmo risco do bill, você esta sabendo alguma coisa disso? http://aeroclipping.blogspot.com.br/2013/06/quem-

    e da Venezuela que o Charman paquistanês está falando?

  2. Caro Giodani

    O amigo 27bill leu a notícia naquele outro site e como eles só publicaram a nota do Mig ontem ele provavelmente achou que era novidade. Como avião indiano cai toda hora, até me dei ao trabalho de consultar alguns sites para ver se não tinha caído outro. Pelo visto não.

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  4. Caro Giodani

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  5. Caro Giodani

    O amigo 27bill leu a notícia naquele outro site e como eles só publicaram a nota do Mig ontem ele provavelmente achou que era novidade. Como avião indiano cai toda hora, até me dei ao trabalho de consultar alguns sites para ver se não tinha caído outro. Pelo visto não.

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    e da Venezuela que o Charman paquistanês está falando?

  6. Pois é…estou com essa informação "na caixa de entrada"…mas ao que parece o Uruguai andou pedindo informações sérias sobre o caça, até com valores de financiamento…
    Iria ser legal ver a FAU de JF-17!

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