F 16 IAF - Caças F-16 israelenses e jordanianos confrontaram aeronaves russas ao longo da fronteira síria
IAF F-16I ‘Sufa’ / © Força Aérea Israelense, em caráter ilustrativo

A informação relativa a este incidente foi publicada pelo jornal israelense Haaretz e atribuída ao rei Abdullah, da Jordânia, que citou o evento à membros seniores do Congresso dos EUA durante uma reunião ocorrida em Washington no último dia 11 de janeiro.

De acordo com as informações, as aeronaves russas estavam em uma missão a fim de examinar as defesas israelenses ao longo da fronteira com a Síria. A data do incidente não foi divulgada.

Map of Middle Eastpt - Caças F-16 israelenses e jordanianos confrontaram aeronaves russas ao longo da fronteira síria“Detectamos os russos voando baixo, mas eles foram recebidos por caças F-16 israelenses e jordanianos, ao longo da tríplice fronteira”, afirmou o rei Abdullah. “Os russos ficaram surpreendidos com a reação, mas entenderam que não podiam mexer com a gente”, completou.

De acordo com rei jordaniano, “o incidente desencadeou esforços trilaterais para reduzir a tensão, durante os quais a Jordânia se posicionou muitas vezes em nome de Israel quando discutia com a Rússia a respeito da a realização de missões no sul da Síria”.

Algumas dessas conversações ocorreram em Amã, capital da Jordânia, com a participação do rei, envolvendo as três partes, incluindo um enviado do presidente russo, Vladimir Putin, e o chefe do Mossad, que é o Instituto para Inteligência e Operações Especiais de Israel.

Segundo o rei Abdullah informou aos congressistas americanos, “nessas reuniões basicamente se discutia uma estratégia a respeito de como manter os russos em seu devido lugar”.

Consultado, o porta-voz das Forças de Defesa de Israel recusou-se a comentar essas informações.

Ainda de acordo com o rei jordaniano, Rússia e Jordânia subsequentemente chegaram a um acordo sobre os limites das operações russas no sul da Síria.

“Nós informamos à Rússia que era do nosso interesse que a Frente Al-Nusra (braço sírio da Al-Qaeda) fosse derrotada. Os russos chegaram a nos solicitar informações quanto às suas posições ao longo da fronteira, mas nós nos recusamos a repassar a informação justamente para evitar que uma ofensiva russa na região também servisse para atingir posições do FSA (Exército Livre da Síria)”, afirmou o rei Abdullah, salientando que “os russos foram avisados de que qualquer excesso cometido, fugindo ao que fora acordado, teria sérias consequências”.

Os esforços conjuntos para reduzir as tensões foram bem sucedidos, com exceção de um incidente em que bombardeiros russos atingiram posições da Frente Al-Nusra numa região próxima à fronteira onde já se havia acordado que não haveria ataques. “Nós reagimos de forma veemente, então eles entenderam a mensagem”, disse Abdullah.

Ainda segundo o rei jordaniano, a situação era bem diferente no norte da Síria, onde “a Rússia bombardeava a todos indistintamente”. Depois de muita insistência por parte dos russos, nós lhes demos coordenadas específicas da Frente Al-Nusra, ao longo de nossa fronteira, que tínhamos recebido dos EUA, acrescentou.

F 16AM Jordânia 2 - Caças F-16 israelenses e jordanianos confrontaram aeronaves russas ao longo da fronteira síria
RJAF F-16AM / © Força Aérea Real Jordaniana, em caráter ilustrativo

Diante dos congressistas, o rei Abdullah afirmou que “o estopim para a decisão russa de lançar uma campanha militar na Síria foi um apelo feito pelo chefe da Guarda Revolucionária Iraniana, que deixou Moscou ciente a respeito de o quão debilitado estava o governo do presidente Bashar al-Assad”.

“Os russos ficaram chocados diante da real situação do governo sírio e se sentiram na obrigação de ajudar o aliado. De qualquer forma, Putin sabia que precisava sair da Síria o quanto antes possível, sobretudo após a perda de um avião de passageiros com 224 pessoas à bordo, e de uma aeronave de combate, abatida por um caça turco”, afirmou o rei Abdullah.

Questionado sobre o que teria motivado Putin a intervir na Síria e se ele estava usando a situação para melhorar sua própria imagem e recuperar o prestígio russo, o rei Abdullah afirmou que em todas as suas discussões com o presidente russo, o assunto referente à ameaça que o Estado Islâmico representava para todo o mundo foi o centro das conversações, lembrando que, mesmo considerando todos os problemas que o terrorismo levou à Europa, a situação na Rússia era 10 vezes pior em consequência do número de cidadãos russos e de ex-repúblicas soviéticas que lutam na Síria.

Questionado sobre a influência de Putin sobre o presidente sírio, o rei Abdullah respondeu: “Se Putin pedir a Assad para saltar, ele [Assad] vai perguntar quão alto”. O rei jordaniano também observou que, quando Putin convocou Assad a Moscou, “o líder sírio foi sozinho e sem assessores”.

Ainda de acordo com o rei Abdullah, o presidente sírio está pronto para uma transição ordenada de poder, lembrando que a Turquia queria que Assad saísse imediatamente, enquanto outras partes defendem a sua partida num prazo de 18 meses.

O rei jordaniano também lembrou que se não houvesse qualquer progresso no prazo de dois meses após a implementação do cessar-fogo, a oposição síria voltaria a combater as tropas do governo, e que Putin estava bastante consciente disso.

IAF F 16I 2 - Caças F-16 israelenses e jordanianos confrontaram aeronaves russas ao longo da fronteira síria
IAF F-16I ‘Sufa’ / © Força Aérea Israelense, em caráter ilustrativo

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FONTE: Haaretz

EDIÇÃO: Cavok, com informações do amigo Hammer Head, direto de Moscou, na Rússia

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20 COMENTÁRIOS

  1. o.O?

    Não sabia que a Jordânia era proxima de Israel. "[…] a Jordânia se posicionou muitas vezes em nome de Israel quando discutia com a Rússia a respeito da realização de missões no sul da Síria."

    E esse rei me lembrou muito o rei da AS, seu discurso é meio sem noção.

    "Os russos ficaram surpreendidos com a reação, mas entenderam que não podiam mexer com a gente"
    Eles provocam quase toda hora a OTAN com as suas interceptação e voos próximos do espaço aéreo desses países, pq iriam se preocupar com Jordânia?

    "o estopim para decisão russa de lançar uma campanha militar na Síria foi um apelo feito pelo chefe da Guarda Revolucionaria Iraniana,[…]. Os russos ficaram chocados diante da real situação do governo sírio […]"
    Como o proprio rei disse que Assad é muito proximo de Moscou, como o proprio Kremlin não iria saber a real situação da Siria por meio do Assad.

    • Eles provocam quase toda hora a OTAN com as suas interceptações e voos próximos do espaço aéreo desses países, pq iriam se preocupar com Jordânia?

      Pois é, os russos provocaram a Turquia, tiveram um Su-24M abatido e ainda tiveram que colocar o rabo entre as pernas sem poder revidar.

      Jean,

      Também achei o discurso do rei jordaniano um tanto exagerado, entretanto o motivo pelo qual a Rússia se preocupa com a Jordânia não é militar, mas sim político, haja vista o apoio dos jordanianos para o projeto russo de cessar-fogo para a Síria foi essencial para que o mesmo fosse efetivado.

      A Jordânia é o único país árabe que aceitou inicialmente os termos propostos por Putin, tendo abraçado a causa e defendido a mesma junto aos outros países da região, o que viabilizou o acordo. Sem a Jordânia, os árabes jamais teriam aceitado a discutir uma transição de poder na Síria que não contemplasse a saída imediata de Bashar al-Assad do poder.

      A perda do apoio jordaniano teria inviabilizado o cessar-fogo nos termos propostos pelos russos e implicaria na manutenção da exigência dos países árabes para que Assad saísse imediatamente do poder. É por isso que a Rússia se preocupa com a Jordânia.

      Sds!

  2. """"Colocar os Russos em seu devido lugar""""

    Parece que o rei estava querendo mostrar pros EUA que eles são úteis e aliados , falando dessa forma!

  3. Teve uma matéria veiculada aqui que, em linhas gerais, versava sobre a permeabilidade e ponderadas autorizações de Israel acerca das incursões de aviões russos de passagem sobre Israel. De acordo com o texto, parece que não é/foi bem assim, e aparentemente eles tinham os russos sob restrito controle.

    Não desqualilfico a matéria anterior, apenas pondero que essa de hoje me faz pensar que as coisas não são bagunçadas como alguns tendem a pensar, eu incluso. Efeito puthânfia, presumo.

    Sds.

  4. "Os russos ficaram surpresos com a reação", cada coisa que esses políticos falam pra ganhar credibilidade, como se não fosse esperado que seriam interceptados. A propósito, os russos continuam com as sortidas na Síria, aquele papo de "fomos embora" foi mais um despiste russo.

    • Mas desde o início eles informaram que a retirada era parcial, e que eles manteriam as bases em Tartous (naval) e Latakia (aérea) em funcionamento, de forma que não houve despiste algum.
      Quanto aos meios aéreos, entretanto, segundo informações, todos os Su-24, Su-34 e Su-25 já retornaram à Rússia, e boa parte dos helicópteros Mi-24P e Mi-35M também.
      Permanecem na Síria os Su-35S e Su-30SM (4 de cada), além da chegada de algumas unidades do Mi-28N e Ka-52 (fala-se em 4 de cada).

        • Nada muito diferente do que está veiculado na imprensa.
          Lembrando que o cessar-fogo sírio não inclui o EI, de forma que é natural que os russos tenham dado suporte aéreo na retomada de Palmyra. Segundo algumas informações, os Mi-28N proveram CAS para as tropas sírias.

      • Lamarca, sendo assim, por exclusão, o Su-30SM ou Su-35S que foram interceptados pelos F-16!

        Esses pilotos de Falcon não tem respeito nenhum pelos Flanker!

        Agora dizer que os pilotos russos ficaram surpresos é engraçado, se há um tipo de piloto bem acostumado a ser interceptado são os Russos.

        • Não necessariamente, Jodreski…. lembre-se que o relato do rei jordaniano ocorreu em janeiro, de forma que o incidente em si tem de ter ocorrido antes, e nesse período a Rússia ainda estava com todas as suas aeronaves na Síria, aliás, os Su-35S nem tinham chegado ainda.

          • Talvez a chegada dos Su-35S à Síria seja uma resposta a essas interceptações.

            • Uma coisa eu garanto: Não serão os Su-35 a intimidar os pilotos israelenses, que pilotando o F-16 podem muitíssimo bem sobrepujar os jatos russos.

  5. Interessante o que ocorre "debaixo dos panos", muita coisa que acontece, não sai na imprensa, pela matéria os russos queriam fazer "russises" com os Israelenses e a "surpresa" seria que não esperavam uma ação tão rápida, os Iraelenses já esperaram na curva com a faca nos dentes….kkkk

    Numa região tensa dessas, querer testar os nervos dos vizinhos, acredito não ser uma boa ideia, e notei também a grande diferença entre Israel e Turquia, enquanto um, grita, faz barulho e balança a moita pra assustar os russos o outro faz calado, nas sombras, e nega que fez, mas mostra que não está pra brincadeira, como dizia meu bisavô: "perigoso é aquele que faz calado".

  6. acho que a Jordania problematizou e tenta promover-se em cima disso, tanto que os prorpios israelenses ja deram declaração minimizando os incidentes com os russos inclusive tolerando breves incursões sobre territorio israelense

  7. off: acabou tudo bem quanto ao sequestro da aeronave egipicia, menos mal

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