Embraer E190LR da Air Astana, após pousar em emergencia, sem controles, na Base Aérea de Beja. (Foto: Nuno Veiga / Lusa)

Pousou em segurança uma aeronave de passageiros Embraer E190LR da Air Astana, a companhia aérea do Cazaquistão, que teve dificuldades para pousar no aeroporto de Lisboa. O aparelho tinha seis pessoas a bordo — dois pilotos e quatro representantes técnicos — quando comunicou uma emergência: tinha ficado sem instrumentos e os pilotos não tinham acesso aos controles necessários para pousar o avião.

Duas horas depois de decolar, e depois de duas tentativas para pouso, o avião acabou pousando na base militar de Beja. Mas só na terceira tentativa. Depois das primeiras duas tendo falhado, a última foi “limpíssima”, segundo o relato de um jornalista que assistiu a tudo.

O Embraer E190, um avião que tem capacidade máxima para 120 passageiros, estava em Alverca para manutenção nas oficinas da OGMA exatamente por estar com problemas eletrónicos.

Após passar pela manutenção, a aeronave voltaria para o Cazaquistão. Antes disso, teria de voar até Lisboa para testar o painel de instrumentos. Segundo informações apuradas, a viagem que o aparelho fez entre Alverca e a Grande Lisboa fazia parte de um voo de teste que, desde o início, estava previsto nessa manutenção.

Foi nessa altura que o inesperado aconteceu. Quando tentava pousar no aeroporto da capital portuguesa, os comandos do E190LR, prefixo P4-KCJ, da Air Astana apresentou falhas e os pilotos perderam o controle da aeronave, começando a circular no ar numa trajetória errática. E isso é visível nos mapas do FlightRadar.

Trajetória do E190 durante emergência em Portugal.

Foi quando o piloto informou uma situação de emergência.

A primeira decisão da tripulação foi conduzir o aparelho até à zona do Estuário do Sado para o caso de ser necessário fazer um pouso na água. Esta tentativa nunca chegou a acontecer, mas não seria a única a fazer parte dos planos do voo de emergência. A seguir, o avião liberou o combustível na zona de Coruche (Ribatejo) para ficar mais leve.

A partir dali, o avião da Air Astana seguiu em direção à região do Estuário do Tejo, uma vez mais preparado para a possibilidade de fazer o pouso na água. Mas era preciso fazer num pouso de emergência. Restava às autoridades portuguesas decidirem qual o lugar mais seguro para o fazer.

No solo, os meios de emergência iam se posicionando e preparando para todos os cenários possíveis. A hipótese do pouso terminar em tragédia não estava descartada, até porque as condições meteorológicas não eram as melhores para um pouso de emergência em segurança.

Esses meios de emergência no solo iam monitorizando o percurso do avião e diversificando a operacionalidade tanto pela região da Grande Lisboa como pela zona do Alentejo. No ar, dois caças F-16 da Força Aérea Portuguesa (FAP) decolaram para escoltar o aparelho ao longo do percurso. O objetivo era claro, como explicou o porta-voz da Força Aérea Portuguesa, o tenente coronel Manuel Costa, durante uma entrevista à SIC: os F-16 têm um papel de apoio e de acompanhamento, estando disponíveis para “atuar em qualquer situação”.

F-16 acionado na Base Aérea de Beja. (Foto: Nuno Veiga / Lusa)

Manuel Costa explicou ainda que todos os serviços de apoio acionados foram da Força Aérea, que está de serviço 24 horas por dia. “Foram os serviços de apoio da Força Aérea que acompanharam a aeronave”, frisou o tenente coronel. Ao final da tarde, o ministro da Defesa garantia que o pouso em segurança na base militar de Beja resultou dos esforços dos F-16 e também da Marinha: “Dois F-16 da Força Aérea Portuguesa conseguiram ajudar no pouso com segurança de um Embraer com os instrumentos de navegação avariados. Outros dois F-16 estavam em prontidão, bem como a Marinha para o caso de um pouso de emergência no mar”, escreveu João Gomes Cravinho, Ministro da Defesa, numa publicação na rede social Twitter.

À SIC, o jornalista contou que, na primeira tentativa, o avião “parecia que ia pousar bem”, mas quando se inclinou muito à direita “quase impactou direto no solo”. Durante a segunda tentativa, o aparelho estava a 30 metros de altitude do chão quando virou à esquerda. Só na terceira é que o avião fez um “pouso limpíssimo, sem quaisquer problemas”. O avião pousou na pista da base área número 11, em Beja, às 15h25. Foi quando desapareceu dos radares: já estava no solo. A tripulação, tanto quanto se sabe, está bem, embora estivesse um pouco transtornada no momento que deixaram a aeronave, como atestou o porta-voz da Força Aérea à SIC.

Dois tripulantes foram encaminhados para o hospital de Beja com ansiedade e assustados: um britânico de 54 anos e um cazaque de 37. Ambos tiveram alta ao final da tarde.

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) vai, segundo a Lusa, investigar o incidente aéreo desta tarde e já enviou uma equipa para o local, na base militar de Beja, onde o E190 pousou à terceira tentativa. No rescaldo da situação, o Correio da Manhã disponibilizou um áudio das comunicações entre a tripulação da aeronave e a torre de controle.


Fonte: O Observador – Edição: Cavok

Dica do leitor João Pereira. Obrigado 😉

Anúncios

4 COMENTÁRIOS

Comments are closed.